ECONOMIA

Lula, Dilma, Palocci, Mantega: quem adulou mais os banqueiros?

Márcio Juliboni
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Márcio Juliboni
Lula, Dilma, Palocci, Mantega: quem adulou mais os banqueiros?

Uma reportagem da Folha de S.Paulo informa, neste sábado (8), que Antonio Palocci pretende jogar seu sucessor no ministério da Fazenda, Guido Mantega, aos leões para aliviar sua pena na Lava Jato. Para tanto, Palocci quer provar que Mantega, e não ele, prestava favores aos banqueiros em troca de doações para o PT.

Como era de se esperar, a defesa de Mantega tratou de afirmar que era o contrário: Palocci seria o despachante dos banqueiros junto aos governos Lula e Dilma. “Qualquer caixa de agência bancária do país sabe que quem representava os interesses do mercado financeiro era o próprio Palocci”, afirmou em nota.

Palocci ou Mantega? Em quem acreditar? Sobre quem foi mais subserviente aos bancos em troca de dinheiro, a Lava Jato dirá. Mas, uma coisa é certa: no mérito da questão, trata-se de uma falsa polêmica. Tanto Lula, quanto Dilma fornicaram com os banqueiros com uma paixão de corar velhinhas.

Caríssimos companheiros

Lembremos dos dois mandatos de Lula. Primeiro, não apenas conservou a política econômica ortodoxa, como promoveu uma forte alta dos juros no início de sua gestão, em troca de conquistar a credibilidade do mercado. Talhou em pedra seu compromisso com o superávit primário para agradar os investidores. Promoveu uma forte expansão do crédito que soou como música para os bancos. Tudo isso, com Henrique Meirelles (esse mesmo que agora é demonizado pelos petistas) como presidente do Banco Central.

Dilma até tentou fingir que era do contra. Em seu primeiro mandato, comprou uma briga com os bancos, ao forçar goela abaixo uma redução dos juros ao consumidor. Essa é, aliás, uma das desculpas de Mantega para provar que Palocci está viajando na batatinha. Mas o que não se discute é o mérito da questão: trata-se de uma medida cosmética para um partido que, em propagandas eleitorais, afirma que os banqueiros tirarão a comida do prato dos brasileiros.

Só charme

O fato é que tanto Palocci, quanto Mantega foram serviçais dos grandes bancos, sob o comando de presidentes que gritavam contra o mercado em público, mas o adulava em particular. Três observações para refrescar a memória. Primeira: faça uma lista dos 10 maiores lucros anuais de bancos brasileiros. Você verá que praticamente todos pertencem ao período de Lula e Dilma. Diante da contradição, Lula chegou a dizer que preferia bancos com lucro, a socorrê-los como fez Fernando Henrique Cardoso com o lendário Proer.

Segunda: se é verdade que os petistas detestam banqueiros, como justificar a tentativa de Dilma de levar Trabuco, presidente do Bradesco, para o ministério da Fazenda? É verdade que o logotipo do banco é vermelho e branco, mas não se imagina que seja uma mensagem subliminar da estrela do PT. Acrescente-se a isso, o fato de que o bancão de Osasco acabou, mesmo, em Brasília, representado por Joaquim Levy, um de seus diretores.

Última observação: se Lula e Dilma fossem, mesmo, sinceros em suas críticas aos juros escorchantes que esfolam os brasileiros, tentariam reduzi-los do modo correto: permitindo mais concorrência no mercado financeiro. A boa e velha concorrência derrubaria o preço do dinheiro para os consumidores e os bancos teriam de se virar para ampliar a eficiência, prestar um bom atendimento aos clientes e lucrar sem apelar para a marmelada dos mais de 300% ao ano que cobram no rotativo dos cartões de crédito.

Qualquer governo que não enfrente diretamente essas questões pode praguejar o quanto quiser. Estará, apenas, fazendo charminho.