LAVA JATO

MBL quer limpar o Brasil, aliando-se ao PMDB e ao DEM. Só rindo, mesmo...

Márcio Juliboni
Author
Márcio Juliboni

Na prática, Kim Kataguiri e sua turma querem limpar o Brasil, espalhando lama pelo chão

MBL quer limpar o Brasil, aliando-se ao PMDB e ao DEM. Só rindo, mesmo...

(Imagem: reprodução/ Página Oficial do MBL/ Facebook)

O que chama a atenção, nas mensagens trocadas entre membros do MBL (Movimento Brasil Livre) e publicadas pela Piauí nesta terça-feira (3), não é o tom informal de papo de boteco entre pós-adolescentes pseudopolitizados, nem o extremo desprezo por políticos da velha guarda, expresso por termos como “podre”, “pilantras” etc. Tampouco o papel de macacas de auditório de João Doria, ou a cara de pau com que pedem dinheiro (todo mundo tem contas para pagar, sejamos justos). O que mais revela o caráter do MBL é a estratégia traçada para eleger Doria presidente em 2018: uma aliança com partidos com uma folha corrida de corrupção sem igual. Na prática, a turma de Kim Kataguiri quer limpar o Brasil, espalhando lama pelo chão.

Segundo a Piauí, no último domingo de agosto, uma troca de mensagens expôs a estratégia do grupo. Renan Santos, um dos líderes do MBL, noticiou que Doria será candidato ao Planalto. Um dos membros do grupo afirmou que a chapa ideal seria formada pelo prefeito paulistano e ACM Neto, prefeito de Salvador, como vice. Eis o diálogo que se segue, de acordo com a reportagem, com os inevitáveis barbarismos linguísticos e, pior, ideológicos desses tempos de whatsapp:

“Em outras três mensagens, Santos continuou: ‘Com ou sem psdb. A aliança q pode lhe eleger está no pmdb dem evangélicos agro e mbl. Nosso trabalho será o de unir essa turma num projeto comum.’ E completou, menos de meia hora mais tarde: ‘Espero, de coração, q a tese q a gente defende (aliança entre setores modernos da economia + agro + evangelicos) seja aplicada. É a melhor forma de termos um pacto politico de centro-direita, q dialoga com o campo e com a classe C.’”

Vanguarda do atraso

Para um movimento que lutou ferozmente pelo impeachment de Dilma Rousseff, atacando a corrupção dos governos petistas, as companhias que escolheu para mudar o país são mais do que reprováveis. Como levar a sério alguém que propõe uma aliança com o PMDB... esse mesmo PMDB que está tão sujo na Lava Jato, quanto o PT que o MBL tanto odeia? Eduardo Cunha, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco, Eliseu Padilha, Renan Calheiros... que tipo de pacto se pode fazer com nomes como esses? E o que dizer da escabrosa situação em que se encontra o presidente Michel Temer, que se mantém no cargo, às custas de muito toma-lá-dá-cá com o dinheiro público (aquele que é seu, é meu, é nosso)? Poucas cenas foram tão patéticas, quanto as de deputados votando pelo arquivamento de sua denúncia, com o argumento de que Temer merece, sim, ser investigado e pagar por seus atos – mas só em 2019.

O Democratas (DEM) também deve muitas explicações, com o avanço das investigações e das delações premiadas, como a de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF para investigar o presidente do partido, o senador José Agripino (RN). Outro peso-pesado da legenda também está enrolado em suspeitas: o carioca Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados.

Isso, sem nos demorarmos nas bancadas evangélica e do agronegócio. Basta lembrar que alguns defensores da Bíblia estão longe de serem santos. É o caso de Eduardo Cunha, preso pela Lava Jato e prestes a firmar seu acordo de delação premiada. Será divertido ver o MBL justificar seu discurso moralista e de limpeza ética, com aliados tão duvidosos. O mais provável, contudo, é que Kim Kataguiri e sua turma apelem para a solução mais tosca: atacar, com bastante fúria, quem quer que lhe aponte o dedo. Afinal, para quem se arroga o direito de xingar políticos pelo whatsapp, atormentar cidadãos comuns é fichinha.