ECONOMIA

O alerta da Alemanha nazista sobre a ruína do PT e do PSDB

Márcio Juliboni
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Márcio Juliboni

Como o professor Roberto Romano, da Unicamp, me deixou preocupado com os rumos do Brasil

O alerta da Alemanha nazista sobre a ruína do PT e do PSDB

(Foto: Ricardo Stuckert/Página Oficial do PT/Facebook)

A semana que termina trouxe capítulos melancólicos para os dois partidos que disputaram aguerridamente o poder nos últimos vinte e poucos anos: o PT e o PSDB. Os petistas passaram os últimos dias desnorteados com a carta aberta de Antonio Palocci, um quadro histórico respeitado do partido e próximo de Luiz Inácio Lula da Silva. Como se sabe, ao pedir sua desfiliação, Palocci jogou toda a caca de que sabe no ventilador da opinião pública. Já a defesa de Lula passou pelo constrangimento de ser desmentida pelo “dono” do apartamento em São Bernardo, supostamente alugado ao ex-presidente. Glaucos da Costamarques afirmou que não recebeu um vintém pelo imóvel e assinou todos os recibos de aluguel de uma vez. Os tucanos não se saíram melhor: Aécio Neves foi, novamente, afastado do Senado pelo STF, que o colocou ainda em “recolhimento noturno”. Por fim, um peso-pesado da economia, Gustavo Franco, trocou o PSDB pelo Novo.

Petistas e tucanos nunca estiveram tão próximos do fim. Suas velhas lideranças foram abatidas pela corrupção revelada pela Lava Jato. Seus velhos eleitores debandaram. Os mais jovens não os veem com o mesmo fascínio histórico de quem lutou pela redemocratização. Sobram apenas fanáticos e militantes pagos para atazanar pessoas pela internet. As conquistas econômicas e sociais dos governos de ambos estão desmanchando diante da recessão e da crise política. Mas, o mais preocupante, é o vácuo político aberto pela luta suicida de ambos. O que pode ocupar seu lugar?

Premonição

Há alguns meses, saí preocupado de uma conversa com Roberto Romano, professor de Ética da Unicamp e um observador político perspicaz. Romano me disse, com certa amargura, que não conseguia deixar de comparar o Brasil atual com a República de Weimar – aquela que comandou a Alemanha, no período entre o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, e a ascensão do nazismo, em 1933. Mas, por que buscar, tão longe no tempo e no espaço, um exemplo? “Quando a esquerda e a centro-esquerda terminaram de se matar na Alemanha, abriram espaço para a extrema-direita”, me explicou.

E o que isso tem a ver com o Brasil? Para Romano – e, para mim, que me convenci de que sua preocupação procede -, o PT e o PSDB são as forças de esquerda e centro-esquerda, respectivamente, que passaram as últimas duas décadas numa guerra de aniquilação mútua pela supremacia política no país. Reiteradamente, ambos se sabotaram no Congresso, nas alianças políticas em eleições, nos ataques de líderes ao outro lado. O resultado mais claro foi que, sem poder contar com uma coalização de centro-esquerda, ambos alimentaram seus próprios canibais. O PSDB aliou-se ao antigo PFL de Antônio Carlos Magalhães e a parte do PMDB para governar. O PT fez um pacto de sangue com o PMDB de Michel Temer, José Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros. Na prática, em vez de combater as verdadeiras oligarquias, aliaram-se a elas.

Crescendo no vácuo

Quando a aliança não era mais interessante para as forças políticas atrasadas, os velhos coronéis a romperam sem o menor constrangimento. Mas, ao saírem para a luz do dia, a Lava Jato os abateu. Viu-se que PT, PSDB e suas eminências pardas, como o PMDB, o PP e o DEM, estavam todos chafurdando na mesma pocilga de corrupção e camaradagem.

Sem partidos críveis de esquerda ou de centro-esquerda, e com as legendas tradicionais de centro-direita e de direita apodrecidas pela corrupção, o que restou aos eleitores brasileiros? E é aí que muitas pulgas sapateiam atrás da orelha. O discurso moralista e reacionário, conservador e autoritário, começa a crescer, a ponto de levar um ex-capitão ao segundo lugar da corrida presidencial. É mais do que leviano achar que Jair Bolsonaro é um Hitler brasileiro. Não é para tanto. Mas o recado é claro: assim como na Alemanha de 1933, a onda conservadora e autoritária está apenas preenchendo o vácuo deixado pelo duelo dos partidos que, um dia, pensamos representar o progresso.