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Operação Santa Ceia: pegaram os políticos pra Cristo?

Márcio Juliboni
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Márcio Juliboni
Operação Santa Ceia: pegaram os políticos pra Cristo?

Na fábula que políticos graúdos tentam vender para a opinião pública, a Operação Lava Jato não passa de um grande erro histórico, perseguindo arbitrária e tiranicamente inocentes de todas as legendas. Esses caciques partidários sentem-se como Cristo às vésperas da crucificação. Para piorar, não teriam espaço para se defender na imprensa golpista, que distorceria as informações a seu bel-prazer. Os enrolados com a Justiça querem que acreditemos que a história está sendo (mal) contada assim:

“Desde o alvorecer desta sexta-feira, a Guarda Pretoriana Filisteia (PF) deflagrou a Operação Santa Ceia, que apura um suposto esquema de conversão de pagãos à base aliada de Deus, em troca de benesses como a salvação da alma e a vida eterna. A PF cumpre dezenas de mandados de prisão preventiva, temporária e de condução coercitiva nos arredores de Jerusalém. A organização seria chefiada por Jesus de Nazaré. O núcleo da quadrilha seria composto por mais doze homens, conhecidos como ‘os apóstolos’.

O braço direito do Nazareno seria um pescador chamado Pedro. Segundo as primeiras informações, conversas interceptadas pela PF enfatizam o poder desse apóstolo na organização. Em uma das conversas transcritas pelos pretorianos, Jesus teria dito: ‘Tu és Pedro, e sobre essa rocha erguerei minha obra.’ Preso temporariamente, Pedro já teria negado, por três vezes, conhecer Jesus.

Fontes da PF afirmam que, interrogado por Pôncio Pilatos, Jesus evocou seu direito de manter-se em silêncio para não se incriminar. Ele o quebrou uma única vez durante a audiência. Confrontado com planilhas de empreiteiros que o tratavam pelo codinome ‘o rei dos judeus’, Jesus foi lacônico. Limitou-se a afirmar a Pilatos: ‘Tu o dizes’. Em nota, a defesa do Nazareno afirmou que a prisão é arbitrária e contraria o Estado de Direito.

Os analistas políticos afirmam que, dificilmente, negar as evidências salvará Jesus da crucificação. O motivo é que ele foi delatado por Judas Iscariotes, um de seus apóstolos. A defesa do Nazareno, contudo, tenta desqualificar o delator, afirmando que ele é o verdadeiro corrupto, já que teria se vendido por três moedas. Os advogados de Judas rebatem, alegando que seu cliente está tão arrependido, que, no acordo de delação premiada, devolveu as moedas espontaneamente e passou a ser atormentado por pensamentos suicidas.

Em nota à imprensa, outro apóstolo, Tomé, afirmou que a base aliada de Deus acredita piamente na inocência de Jesus. ‘As acusações são apenas ilações e carecem de materialidade. Os detratores precisam provar concretamente o que dizem. Como não conseguem fazê-lo, criam uma ficção com o único objetivo de pegar Jesus para Cristo.’

Nos bastidores, comenta-se que, diante da pressão de Herodes e dos judeus para libertar Barrabás (contra quem pesam acusações de corrupção passiva, ativa e assassinato) e condenar Jesus, Pilatos está inclinado a lavar as mãos.”