LAVA JATO

Por que, raios, Sérgio Cabral aceitou o anel de 220 mil euros do "puxa-saco"?

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Se era sabia que era uma roubada, bastaria um pouco de bom senso para que Cabral não se enrolasse com o “presente”. Mas...

Por que, raios, Sérgio Cabral aceitou o anel de 220 mil euros do "puxa-saco"?

Voltas em torno do anel: explicação que não explica nada (Foto: Antônio Cruz/ ABr)

Algumas rápidas palavrinhas sobre o depoimento do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, ao juiz Marcelo Bretas nesta terça-feira (05). Como você já deve ter visto, o empresário Fernando Cavendish, ex-dono da construtora Delta e preso pela Lava Jato, afirmou há alguns dias que comprou um anel de exorbitantes 220 mil euros para a mulher de Cabral, Adriana Anselmo. Segundo Cavendish, a joia foi adquirida em Mônaco, a pedido do ex-governador, e era parte da propina que a Delta lhe devia pela reforma do Maracanã. Já Cabral afirmou hoje a Bretas que não tem nada a ver com isso. O anel não teria passado de um presente de um “puxa-saco” para lhe agradar.

Com a calculada indignação dos que querem nos convencer de sua inocência, o ex-governador disparou, segundo a Folha de S.Paulo: “presente de puxa-saco, querendo me agradar, dando um presente para a minha mulher. O senhor acha que vou entrar numa loja e pedir para ele comprar um presente para a minha mulher? Chega a ser risível.”

Quiz

Risível, na verdade, é o que Cabral deixa de explicar. Aí vão algumas dúvidas de quem nunca recebeu sequer um palito de fósforo queimado de um puxa-saco, quanto mais uma joia de luxo:

1) Por que, diabos, Cabral ficou com o anel, se sabia que era pura bajulação?

2) É ético que um então governador do Rio aceite presentes tão caros?

3) Se a Lava Jato não tivesse chegado a Cabral, Adriana Anselmo ainda estaria usando o anel por aí, em eventos sociais badalados?

4) A própria Adriana não poderia ter recusado o mimo e alertado o marido de que isso não era ético?

5) O que faz um governador saracoteando por Mônaco com um empreiteiro a tiracolo? Um com quem o Estado possui contratos milionários?

Desqualificar o acusador, com o objetivo de desqualificar a acusação, é uma tática comum. O problema é que ela não tira o mérito dos fatos, nem os explica. Trata-se apenas de uma cortina de fumaça usada por quem não tem nada mais consistente para oferecer. Bretas, contudo, é considerado o Sérgio Moro do braço fluminense da Lava Jato, e dificilmente engolirá uma desculpa dessas. Você engoliria?