ECONOMIA

Prepare-se para pagar mais uma "fiança" de Temer

Márcio Juliboni
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Márcio Juliboni

Segunda denúncia contra Temer no Congresso será enterrada à base de mais dinheiro público (aquele que é seu, é meu, é nosso)

Prepare-se para pagar mais uma "fiança" de Temer

(Foto: Beto Barata/PR)

O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou o recurso apresentado pela defesa do presidente Michel Temer, pedindo que os ministros suspendam a tramitação de uma nova denúncia contra o peemedebista. Ainda que o julgamento precise ser encerrado nesta quinta-feira (21), a maioria do STF já votou pela rejeição da solicitação e, por isso, liberou o envio da acusação da Procuradoria-Geral da República à Câmara. Assim, mesmo que o restante da corte fique ao lado de Temer, o resultado representará a última vitória de Rodrigo Janot, já substituído por Raquel Dodge, contra o que chamou de “organização criminosa do PMDB”. É verdade que será uma vitória pífia, já que o Congresso deve enterrá-la. O problema é que, novamente, o governo gastará mundos e fundos para comprar os votos da “base aliada”. Na prática, o dinheiro público (isto é, o seu, o meu, o nosso) pagará, mais uma vez, a "fiança" para que Temer fique longe da Justiça.

O primeiro a apresentar a fatura foi o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ao Estadão de hoje, Maia voltou a reclamar das “facadas” do PMDB nas “costas” de seu partido, o DEM. A última delas foi a cooptação do senador pernambucano Fernando Bezerra pelo PMDB, quebrando o barato dos democratas, que negociavam havia meses sua filiação ao DEM. Os deputados do DEM, obviamente, aproveitaram para fazer birra, prender a respiração e ficarem roxinhos. Querem um cafuné de Temer para se sentirem prestigiados novamente. E cafuné, mimo, atenção, respeito ou qualquer outra palavra que um político use para cobrar o governo é apenas isso mesmo: uma cobrança mais ou menos velada, seja em espécie ou pela liberação de emendas e controle de cargos na máquina pública.

Longe de acabar

Mas há outros parlamentares na fila. O centrão, aquela maçaroca pastosa de partidos nanicos que se vendem (às vezes, literalmente) como independentes, também faz o seu charme para conquistar benesses em troca de apoio. Mesmo que os caciques do Congresso e o Palácio do Planalto avaliem que a segunda denúncia de Janot contra Temer chega bem mais fraca, sempre haverá um deputado do baixo clero franzindo o cenho, pigarreando para limpar a garganta e entoando um cético “sei não... talvez as acusações procedam e devamos ouvir o povo”. É a mesma coisa que dizer “como é que eu fico nisso?” E Temer tem todo o interesse de que os deputados fiquem bastante confortáveis com suas consciências para votar.

E, se você acha que ficaremos nisso, lamento lembrá-lo de que a artilharia contra o presidente está longe de acabar. Há, pelo menos, duas potenciais ogivas norte-coreanas apontadas para sua cadeira: a delação já negociada de Lúcio Funaro, o operador do PMDB no esquema investigado pela Lava Jato; e a eventual (e cada vez mais provável) delação de Geddel Vieira Lima. Se esta última, de fato, for em frente, a diária de Temer no Planalto nos custará os olhos (arregalados) da cara. Cara, aliás, da qual os políticos estão rindo bastante ultimamente.