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Previdência: poder de Alckmin é tão fake, quanto apoio do PSDB à reforma?

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Força do novo presidente do PSDB será medida pelo número de votos tucanos a favor da reforma

Previdência: poder de Alckmin é tão fake, quanto apoio do PSDB à reforma?

Cada um prum lado: apoio a Alckmin é só do bico pra fora? (Divulgação/Facebook)

Recém-empossado presidente do PSDB, Geraldo Alckmin comandou sua primeira reunião da Executiva Nacional do partido nesta quarta-feira (13). O tema era tão espinhoso para os tucanos, quanto decisivo para o Brasil: o apoio à reforma da Previdência. O resultado do encontro foi vendido, por seus aliados, como uma vitória do governador paulista, já que Alckmin defende o projeto do governo de Michel Temer. Olhando mais de perto, contudo, tal “vitória” merece ressalvas. É verdade que prevaleceu a posição de Alckmin e o PSDB fechou questão sobre a reforma – isto é, toda a bancada deverá votar a favor. Parece uma posição forte, mas não é: a Executiva não definiu nenhuma punição para quem desobedecer, o que, na prática, libera dos deputados para fazer o que quiserem.

O filósofo francês Michel Foucault, que passou a vida estudando o que torna alguém poderoso, afirmou em seus Ditos e Escritos: “o exercício do poder consiste em conduzir condutas e dispor a probabilidade.” Trocando em miúdos: o poder possui duas pernas. A primeira é “conduzir condutas”, isto é, levar os outros a fazer exatamente aquilo que você deseja. A segunda é “dispor a probabilidade”, ou seja, aumentar as chances de as pessoas executarem o que você quer, e reduzir as chances de que não o façam. Um exemplo simples, que dou aos meus alunos de Ciência Política, é o do pai que passa um sermão no filho para que não dirija embriagado, nem desobedeça às leis de trânsito. O falatório só terá efeito se for acompanhado de uma possível punição – no caso, ficar um tempo proibido de pegar o carro. E, mais ainda, se o pai tiver pulso de aplicá-la, caso necessário.

Tucano manco

Qualquer um que sonhe com o poder, mas que seja manco de uma dessas pernas, não irá longe. Aplicado à decisão dos tucanos sobre a reforma da Previdência, conclui-se que Alckmin começou perneta. Fechar questão sobre a votação, sem impor sanções aos deputados dissidentes, é a mesma coisa que nada. Segundo a Agência Brasil, antes de definir se punirá os desobedientes, o novo presidente quer fazer um “trabalho de convencimento”, aquele termo pomposo que significa gastar saliva sem saber se dará certo.

Com 46 deputados, o PSDB está rachado, segundo o líder da bancada na Câmara, Ricardo Trípoli. Sua estimativa, nesta tarde, era de que cerca de 20 parlamentares votarão pela reforma – menos da metade. Quem acompanha o partido afirma que, dificilmente, entregará mais de 23 votos. Se isso, de fato, ocorrer e Alckmin deixar barato, com medo de perder apoios em 2018 para sua candidatura ao Palácio do Planalto, será a maior prova de que a união tucana em torno de Alckmin é só do bico pra fora.