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Se Temer vencer por W.O., será péssimo para o país

Márcio Juliboni
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Márcio Juliboni

Coxinhas e mortadelas estão unidos em torno da mesma bandeira: Temer não é problema deles

Se Temer vencer por W.O., será péssimo para o país

(Foto: Beto Barata/PR)

Michel Temer começa sua semana mais decisiva na Presidência com uma vantagem e tanto: ruas vazias. Enquanto as escaramuças e os conchavos correm soltos em Brasília às vésperas da votação, pela Câmara, da denúncia de prática de corrupção passiva por Temer, encaminhada por Rodrigo Janot, os 95% de reprovação do peemedebista são incapazes de se transformar em manifestações públicas contra seu governo. Tampouco os 5% que o aprovam dão a cara a tapa, defendendo sua permanência.

Neste domingo, um mirrado grupo de camisetas verde-amarelas protestou contra a corrupção e pela ética na política em São Paulo. Passaria batido, não fossem as curtas notinhas na imprensa, motivadas pela presença dos juristas Hélio Bicudo e Modesto Carvalhosa no ato. As “lideranças” que o organizaram, de tão anônimas, sequer foram identificadas nas reportagens. Talvez fossem bem-intencionadas, mas enfrentam a mais pura indigência política.

Já as espalhafatosas, vistosas, tonitruantes lideranças que encabeçaram o “Fora Dilma” transformaram-se em constrangidos ativistas de Facebook. Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre, Revoltados Online... alguém os viu por aí? Após extirparem o PT do poder, deram sua missão por encerrada. Algumas, para vergonha alheia, correram para posar serelepes ao lado de Temer. Obviamente, como subir num carro de som agora e exigir sua saída, quando mostram que corrupção ruim é a corrupção dos outros?

Coxinhas e mortadelas unidos

Tampouco o PT, as centrais sindicais, os movimentos sociais e outros partidos da esquerda foram vistos pelas ruas neste fim de semana. Em parte, porque torcem secretamente pela permanência de Temer até 2018, sangrando na Praça dos Três Poderes. Apostam na vergonhosa política do “quanto pior, melhor” para irritar a população, a ponto de sentir saudades dos petistas e, em última instância, eleger novamente Lula. Outra parte, aliás, está muito mais preocupada com interesses bem menos nobres: simplesmente não querem fustigar o presidente, num momento em que se discute um quebra-galho para o fim da contribuição sindical obrigatória. Vai que o peemedebista sobrevive e resolve retalhar...

Mesmo dentro do Congresso, a permanência de Temer passa por argumentos muito mais venais, do que políticos. O governo escancarou a compra de votos, e os parlamentares não se furtam à oportunidade: estão cobrando caro, muito caro, cada apoio, seja na forma de emendas parlamentares, seja por indicação de apadrinhados para cargos na máquina pública ou a imposição de pautas de seu interesse para votação em plenário. Até o momento, não há uma liderança capaz de aglutinar forças políticas e servir de alternativa a Temer. Em grande medida, simplesmente porque não há interesse... mantê-lo enfraquecido, emparedado, é muito mais lucrativo!

Quem poderia desempatar o jogo é a população, mas as camisetas verdes, amarelas e vermelhas estão bem guardadas. As bandeiras, todas enroladas. Os carros de som, mudos. As panelas? Bem areadas no armário. A triste conclusão é que coxinhas e mortadelas estão unidos em torno da mesma bandeira: Temer não é mais problema deles.