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Sérgio Moro está certo: democracia, sim; militares, não

Márcio Juliboni
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Márcio Juliboni

Alguém que pede uma intervenção militar é apenas uma criança crescida berrando pela mãe, porque não consegue resolver os problemas com o amiguinho sozinho

Sérgio Moro está certo: democracia, sim; militares, não

(Foto: Lula Marques / AGPT/ Fotos Públicas)

Para desgosto de muitos fãs, Sérgio Moro discorda de quem defende que só uma intervenção militar seria capaz de colocar o Brasil em ordem. O juiz que amedronta figurões da política e dos negócios afirmou, nesta segunda-feira (2), com todas as letras, que “a resposta aos males democráticos, como a corrupção, é o aprofundamento da democracia.” E emendou: “Este período da ditadura militar foi, e não há dúvida disso, um grande erro.” Não poderia ser mais oportuno que o principal nome da Lava Jato, acusado de inquisidor e tirano por corruptos de direita e de esquerda, defenda o tão falado Estado Democrático de Direito neste momento. Mas o que é o tal “aprofundamento da democracia”?

A resposta mais imediata, colocando-se no lugar de Moro, é que a democracia só avançará, quando a lei efetivamente valer para todos. Neste sentido, a Lava Jato tem feito um belo trabalho de dedetização de roedores que infestavam a máquina pública, alimentando-se de dinheiro público desviado de contratos superfaturados, contribuições escusas a parlamentares e partidos etc., mas isso não basta. De que adianta prender tantos corruptos de alto escalão, se a lei é sumariamente ignorada por muito batedores de panela e modelos de camisetas da seleção brasileira?

A lei só valerá para todos, quando juízes e desembargadores não utilizarem seus cargos e amigos para livrar filhos da prisão, como ocorreu recentemente com um pimpolho pego com drogas e munições em Mato Grosso do Sul e liberado por um habeas corpus generoso de um amigo de sua mãe. A lei também só valerá para todos, quando coxinhas e mortadelas não se orgulharem de manter a carteira de motorista estourada de pontos, às custas de propinas pagas ao Detran.

Democracia não é para preguiçosos

Outro elemento para aprofundar a democracia brasileira é a efetiva vigilância da população. Bater panela para os adversários políticos e calar sobre seus bandidos de estimação não é cidadania – é pura e simples hipocrisia. E há muitos hipócritas destilando um moralismo raivoso em redes sociais e mesas de bar, camuflando convenientemente o fato de que não estão fazendo mais nada para mudar o país, além de publicar ofensas no Facebook.

Uma democracia é um sistema para adultos, não para crianças enrugadas e chorosas. Democracia pressupõe a capacidade de um povo se autogovernar, por meio do debate público e da busca de soluções que beneficiem o máximo de pessoas. Alguém que pede uma intervenção militar é apenas uma criança crescida berrando pela mãe, porque não consegue resolver os problemas com o amiguinho sozinho. Buáá... ele não pensa como eu. Buáá... ele me roubou. Buáá... meu candidato me traiu. Buáá... eu votei sem pensar. Alguém já disse que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Só os acomodados abrem mão da primeira, para não se cansar com a segunda. E, se há algo que não se pode dizer, é que Moro seja acomodado. Como se vê, muita gente o admira... mas poucos gostariam de ser como ele.