ECONOMIA

Temer gasta cada vez mais nosso dinheiro, para ter cada vez menos apoio

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Base do governo hoje é composta por potenciais suicidas políticos e interesseiros declarados, cuja fidelidade ficará cada vez mais cara

Temer gasta cada vez mais nosso dinheiro, para ter cada vez menos apoio

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

A cada dia, a permanência de Michel Temer na Presidência fica mais cara, gera menos resultado para os brasileiros e, pior, corrói nosso futuro. Não... não se trata de retórica incendiária. Vejamos, por exemplo, duas reportagens que se completam, publicadas nesta segunda-feira (13). De um lado, o Estadão afirma que Temer realizará, nos próximos dias, mais uma reforma ministerial para acomodar mais aliados interesseiros. De outro, a Folha de S.Paulo conta que, desde que assumiu o poder, Temer viu sua base no Congresso minguar a cada votação, apesar de todo o dinheiro distribuído na forma de emendas e de orçamentos de órgãos públicos que passaram a ser controlados pelos abutres de plantão. Vale a pena manter um governo assim até 31 de dezembro de 2018? Ao que parece, cada vez menos gente está lucrando (literalmente) com o peemedebista no Planalto.

O Estadão afirma, hoje, que os ministérios serão redistribuídos nos próximos 15 dias. O objetivo é reduzir o espaço do PSDB e ampliar a força do “centrão”, aquela maçaroca de partidos incolores e fisiológicos, cuja lealdade é diretamente proporcional às verbas, cargos e mimos de que gozam. Não por acaso, o que esse grupo mais cobiça é o Ministério das Cidades, hoje comandado pelo tucano Bruno Araújo. Mesmo enfrentando a perspectiva de cortes elevados de verbas no próximo ano, a pasta controla projetos estratégicos para um ano eleitoral, tanto pelo seu apelo popular, quanto pelo dinheiro que movimenta: o Minha Casa, Minha Vida, além de projetos de urbanização e saneamento básico. Precisa falar mais?

Caros aliados ou aliados caros?

O troca-troca de cargos mostra que ninguém em Brasília, no Congresso ou no Planalto, está ligando para as aparências. Se Temer quer entregar a faixa presidencial para seu sucessor, daqui a pouco mais de um ano, terá de pagar sua diária àqueles que lhe garantem votos. O ponto, contudo, é que mesmo esses votos estão escasseando. Quando assumiu o governo interinamente, Temer contava com 367 deputados federais em sua base. Foi o suficiente para apresentar um senhor cartão de visitas: a aprovação da emenda constitucional que impõe um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. A aprovação animou o mercado, que viu em Temer o homem certo para fazer o “serviço sujo” que nenhum político com pretensões a reeleição se atreveria a executar: a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária.

Daquele momento até hoje, porém, tudo o que se viu foi o paulatino encolhimento de Temer. Segundo a Folha, sua base hoje é de 251 deputados – uma queda de 32% em pouco mais de um ano. Quem abandonou o barco governista, neste meio tempo, está pensando na própria sobrevivência política. Temer é o presidente mais impopular da Nova República, com apoio residual de 3% da população. Logo, seu prestígio não serve nem para eleger síndico de prédio. A pauta das reformas é espinhosa e fortemente impopular. Só dois tipos de parlamentar encaram essa “missão”: os que não têm nada a perder, porque não se preocupam com sua eventual reeleição; e os que têm muito a ganhar, porque vendem caro cada voto. Resumindo: a base de Temer hoje é composta por potenciais suicidas políticos e interesseiros declarados. Todos mantidos fiéis ao governo, às custas de nosso dinheiro – e a conta cresce a cada dia.