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Um Salto (alto) na história.

Maiara Andressa Bonfanti
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Maiara Andressa Bonfanti

Começamos nosso momento histórico, lembrando que o desejo de consumo das mulheres de hoje, foi muito, mas muuuuito usado por eles antigamente.

É isso mesmo que você está pensando, hoje vamos falar sobre essa invenção maravilhosa da moda que vive uma linha tênue de amor e ódio, de mulheres e de homens, o salto alto. Ele é elegante, deixa um look muito mais apresentável, mas na maioria das vezes dói os pés e a única coisa que você pensa estando em cima deles é, quando você vai poder tirar!(Lembrando que temos aquelas apaixonadas que nunca tirariam o salto do pé!)

Mas como tudo no mundo da moda, o salto alto tem uma história imensa e muito peculiar. Começamos voltando ao século XV ao XVII onde mulheres e homens usavam um sapato feito de madeira chamado Chopine, que estava mais para um sapato plataforma.

Um Salto (alto) na história.

No princípio, esse sapato de plataforma era utilizado para as mulheres ricas da sociedade não sujarem seus vestidos na lama e na sujeira da rua, como eram muito instáveis era necessário andar do lado do marido ou acompanhada de empregadas ou funcionários para poder se equilibrar. O chopine deu então uma popularizada e na virada do século XVI ele ganha sua maior fama em Veneza, aí a mulherada pirou.... ( HAHAHA BRINCADEIRA). Na virada do século ele esbarra na extravagância social onde mais é mais, MAS MAIS É MAIS MESMO. Eles eram esculpidos artisticamente e eram cobertos com couros, brocados, jóias, veludo e muito bordado. A partir daí ele passa a caracterizar a posição social em que viviam, quanto mais alto, maior era o seu poder econômico dentro da sociedade, anunciando assim a sua riqueza. (Essa relação de poder econômico com o salto alto, já vinha na Grécia antiga, onde eram usados saltos nas peças para transmitir o status do personagem.)

Um Salto (alto) na história.
Um Salto (alto) na história.

Por volta de 1500, eles começaram a ser confeccionados em duas partes, uma que era superior e flexível e outra unida em uma sola pesada e dura, dando início ao que eles são hoje em dia. O salto alto como moda é atribuído a Catarina de Médici que quando casou com o rei da França, Henrique II, ela tinha 14 anos e sua baixa estatura a deixava insegura. Então quando ela chega a França traz em sua bagagem uma série de sapatos de salto produzidos por um artesão italiano. E introduziu a moda na história da aristocracia européia e volta a ser um privilégio social e de status econômico.  AÍ A MULHERADA FRANCESA PIROU, opa, não, pera, na realidade foi LUÍS XIV mesmo, o REI SOL (1643-1715). Nesse período a França abusava do luxo, das perucas, dos tecidos e dos saltos. Já Luís, que diziam não passar de 1,60 de altura usava e amava os saltos pois eles aumentavam sua estatura e decretou também que só a alta nobreza podia utilizar. E não podemos esquecer que era uma peça exclusiva do vestuário masculino, foi esse homem aí que liberou pra mulherada. Mas essa peça masculina termina lá no século 18 onde os homens procuram um estilo mais contido e sério e deixam essa regalia apenas para as mulheres.

Um Salto (alto) na história.

Já em 1791, os saltos desapareceram com a revolução, em uma tentativa de mostrar igualdade. Os sapatos sem salto tomaram a cena. Por volta de 1800, os saltos voltaram como moda novamente, com uma variedade incrível e se alastram pela América e, muitas vezes, associado à casa de meretriz. No final do século XIX e início do século XX o salto se populariza apesar de que, ser sapateiro não era uma das profissões mais desejadas e muito menos digna, mas mesmo assim surge Salvatore Ferragamo um italiano que viu na necessidade dos sapatos brancos para a primeira comunhão da irmã, a oportunidade de crescer e se dedicar a sua paixão. Junto com os anos 30 chega a Grande Depressão, que também teve um repercussão muito grande na moda, os saltos se tornam baixos e largos. Mas foi a partir da  Segunda Grande Guerra que os sapatos foram sendo desprezados, pois devido a falta de matéria-prima, como couro, que era utilizado exclusivamente para fins militares foi necessário se reinventar. E Salvatore ressurge encontrando a solução ao desenvolver o salto ANABELA que era feito em cortiça, e foi utilizado pela deusa Carmen Miranda. 

Um Salto (alto) na história.
Um Salto (alto) na história.

Os anos 60 também viveu as descobertas de novos materiais, o preço do couro altíssimo os materiais sintéticos entraram em cena, Roger Vivier, Herbert Levine e Miller foram os pioneiros na utilização de material plástico transparente. No início dos anos 70 as plataformas retornaram por pouco tempo, pois as botas com cano alto no estilo andrógeno do "Glam Rock", faziam um verdadeiro sucesso. Já nos anos 80, mulheres executivas passaram a adotar o salto stiletto, como um complemento aos seus vestuários para projetarem uma imagem de eficiência e de autoridade. Os saltos altos simbolizavam glamour e extravagância, além de um modo de expressar feminilidade nunca antes vista na história dos saltos altos. Nos anos 90, conceitos antigos foram reciclados. Assim como os estilistas de moda, os estilistas de calçados femininos passaram a ser estrelas do mundo fashion, com Manolo Blahnik, sendo então, o maior expoente. Como na década anterior, o nome da marca era a coisa mais importante. 

Um Salto (alto) na história.

Atualmente, em vez de representar a nobreza, ou status social eles remetem a sensualidade da mulher e ao poder feminino. Obviamente não falamos aí de tantos outros sapatos que surgiram meio a revoluções e modificações da moda. Mas essa é uma breve história de um acessório que está conosco desde o primeiro ano de vida. Tanto para nós mulheres quanto para os homens, cada calçado, sapato e salto contam uma pequena história da vida da gente.

 E você pode usar o que quiser e amar o que quiser, e para quem não sabe ele é feito assim.