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Abrigo de animais nos EUA usa robô para afastar moradores de rua

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Máquina alugada por US$ 6 a hora impede que pessoas coloquem colchões na calçada

Abrigo de animais nos EUA usa robô para afastar moradores de rua

(Foto: Divulgação/Knightscope)

Como podemos usar robôs no dia a dia sem desrespeitar as pessoas à nossa volta?

Uma polêmica surgiu esta semana em São Francisco, nos Estados Unidos. Acontece que um abrigo de animais colocou um robô em sua calçada para afastar moradores de rua.

Por US$ 6 a hora, a instituição conhecida por SPCA (sociedade de prevenção de crueldade contra animais) alugou o modelo K5, da fabricante Knightscope, para fazer uma ronda em frente a sua propriedade. Além de constranger as pessoas que tentavam colocar colchões e montar tendas na calçada, a máquina usou sensores e quatro câmeras para identificar comportamentos considerados impróprios e chamar as autoridades.

Quem fez a denúncia foi o jornal The San Francisco Business Times, explicando que o objetivo da instituição era tentar reduzir a criminalidade na região, mais especificamente o roubo de carros estacionados. Outro incômodo era o número de agulhas encontradas no chão - objetos usados por esses moradores de rua no consumo de drogas.

A reação nas redes sociais tem sido agressiva. Pessoas consideram que a instituição de acolhimento animal praticou gentrificação - tentou, forçadamente, mudar a paisagem periférica da região, retirando os pobres das ruas em favorecimento da classe abastada.

(Capitalismo: em vez de fornecer moradia a pessoas de rua, gasta exorbitantes quantidades de dinheiro criando robôs que irão impedi-las de construir um abrigo para si mesmas.)

A prefeitura da cidade de São Francisco ordenou a retirada do robô e estabeleceu multa de mil dólares ao dia caso a SPCA não cumpra a decisão. A instituição não se manifestou, mas a fabricante Knightscope defendeu o direito da companhia de proteger sua propriedade: “A SPCA tem reportado menos roubos de carros e aumento da segurança e qualidade na região”, disse a empresa ao site The Verge.

Esse robô é geralmente usado em estacionamentos e arenas esportivas da cidade. Ano passado, ele causou um acidente num shopping, ao derrubar uma criança de um ano e meio e passar por cima dela, sem graves consequências.

Acidentes como esse e ações de patrulha polêmicas levantam uma questão sobre robôs semi-autônomos: se a própria máquina toma decisões, baseada em sistemas de inteligência artificial, uma empresa deve ser culpada por contratar seus serviços? E o fabricante, até que ponto ele responde pelas atitudes dos bots?

Aparentemente, o diálogo precisa evoluir muito a esse respeito. De qualquer forma, estamos vendo robôs tomando atitudes preocupantemente parecidas com as dos humanos.