ECONOMIA

Bitcoin: moeda de criminosos ou o futuro da economia?

Marco Zanni
Autor
Marco Zanni

Enquanto o presidente da JPMorgan diz que bitcoins são o paraíso da lavagem de dinheiro, uma diretora do FMI decreta: é hora de levar as criptomoedas a sério

Bitcoin: moeda de criminosos ou o futuro da economia?

(Foto: Zach Copley - Flickr - Creative Commons)

Um dos homens mais poderosos de Wall Street, o coração financeiro de Nova Iorque, está torcendo para que os governos do mundo destruam o bitcoin o mais rápido possível. Jamie Dimon, presidente da instituição bancária JPMorgan Chase, diz com todas as letras que a moeda digital é só "uma ferramenta para criminosos e lavadores de dinheiro”.

Enquanto o executivo discursava sobre o tema numa conferência em Washington, na última sexta-feira, uma diretora do FMI dava declarações diametralmente opostas. Christine Lagarde disse que os gigantes financeiros globais estão cegos em relação ao assunto, acreditando estarmos “prestes a ver um momento de disruptura”.

Afinal, qual desses super entendidos no mundo dos bancos está certo? Muito provavelmente, os dois.

É fato que o bitcoin já foi usado em grandes esquemas de contrabando de armas e drogas, como no caso do Silk Road, o site escondido na deep web que servia como intermediário na transação de US$ 8 milhões por mês. As criptomoedas também já estão no mundo dos crimes comuns. Lembra da mulher sequestrada em Florianópolis, em maio, quando bandidos pediram R$ 115 milhões em moedas digitais pelo resgate?

Além do uso no crime, convenhamos que a maior parte das transações com bitcoin são, na verdade, especulação, devido à sua alta volatilidade - no meio de setembro, ele valia menos que US$ 3 mil, e semana passada bateu os US$ 5 mil.

Pouquíssimas pessoas compram coisas com a criptomoeda, apesar de entusiastas como o portal de viagens Expedia e a construtora Tecnisa oferecerem essa forma de pagamento aos seus clientes. A verdade é que esse tipo de uso ainda não pegou.

Ao mesmo tempo, países e instituições bancárias importantes não estariam tão preocupados se o bitcoin não fosse, realmente, uma invenção com potencial de transformar o próprio mercado financeiro. Oferecer transações mais baratas e imediatas pelo mundo todo é um atrativo óbvio, aponta Christine Lagarde, do FMI.

Então em qual ponto as ideias de ambos os executivos pode convergir para a adoção da tecnologia em larga escala? Jamie Dimon, da JPMorgan Chase, vê com bons olhos as tentativas da China, de moderar a circulação do bitcoin, e do Japão, de criar uma moeda digital com valor atrelado ao yen. Ou seja, é a favor de se fechar o cerco.

Enquanto isso, Lagarde pensa que as instituições bancárias devem usar a novidade a seu favor. Pesos pesados como HSBC e Barclays já estão trabalhando em projetos de criptomoedas.

Será esse, então, o caminho? Regularizar e trazer a inovação tecnológica para dentro dos bancos e governos, de modo que o bitcoin seja lembrado no futuro apenas como um precursor das moedas digitais? Ou deixar as iniciativas independentes seguirem seu caminho, com liberdade e sem lastro?

Veremos a resposta nas cenas dos próximos capítulos.