SEXO

Bonecas sexuais estão ganhando inteligência artificial

Autor

Elas são de silicone, mas podem falar, expressar emoções e até chegar ao orgasmo

Bonecas sexuais estão ganhando inteligência artificial

(Foto: Realbotix/Divulgação)

Parece que toda tecnologia nova precisa de uma validação dos mundos pornográfico e erótico para poder seguir adiante. Foi assim com a realidade virtual - que tão logo surgiu e os filmes de sexo já estavam espalhados por toda a internet, antes mesmo da produção de conteúdos, digamos, mais heterodoxos. A coisa não deve ser diferente com a inteligência artificial.

Na medida em que os robôs evoluem, aprendem a pensar e até a interagir com os humanos de maneira bastante realista, era óbvio que não demoraria para surgirem as primeiras bonecas sexuais interativas - a RealDoll, uma gigante desse mercado, quer colocar seu modelo nas lojas ainda neste ano.

Essa empresa já tem bonecas eróticas que chegam a custar US$ 10 mil, e os engenheiros que trabalham lá estão com a mão na massa para criar uma manequim capaz de interagir com homens, responder a suas perguntas de maneira apropriada, mover-se e fazer expressões faciais adequadas à ocasião e até possuir diferentes personalidades para agradar o dono, dependendo de seu humor. Ah, e por que não um orgasmo simulado? É claro que elas terão esse recurso.

A inteligência artificial é o próximo passo na direção de tornar essas bonecas mais parecidas com mulheres. Hoje elas já têm corpos de silicone super desenvolvidos, com toque anos-luz mais realista do que as velhas bonecas infláveis ofereciam. E sua popularidade tem crescido de maneira surpreendente e bizarra pelo mundo.

No mês passado, ficou famosa a notícia de que um bordel em Barcelona, na Espanha, teve de se mudar de local porque estava atraindo um número enorme de consumidores que gostariam de ter relação sexual com bonecas. As autoras da campanha para fechar o lugar, acredite, foram as prostitutas. Isso mesmo: mulheres reais estavam perdendo a competição para robôs. O mesmo acontece em prostíbulos de Viena, na Áustria, onde homens pagam cerca de US$ 100 por hora pela companhia cibernética.

E isso porque esses modelos ainda nem são os dotados de inteligência artificial. A RealDoll criou uma nova divisão de robótica, chamada Realbotix, e promete parceiras muito mais avançadas, com olhos que se movem, articulação de pescoço, lábios sincronizados com o som emitido e até a possibilidade de trocar a aparência do rosto, caso o dono se canse do brinquedo. Tudo isso deve custar a bagatela de US$ 15 mil.

Sim, a história é meio assustadora. E a tecnologia evolui mais rápido do que somos capazes de discutir os inúmeros problemas filosóficos dessa novidade. Grupos feministas têm protestado, por exemplo, contra a objetificação da mulher que os robôs eróticos podem causar. A postura obviamente servil das bonecas em relação aos homens é outro ponto ético que talvez merecesse discussão antes da venda em massa desse produto.

A verdade é que essas conversas até podem acontecer no futuro. Mas as bonecas sexuais com inteligência artificial já estão aí - e parece que a demanda por elas só tende a crescer.