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Com som 3D, Google quer tornar a realidade virtual um pouco mais real

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Resonance Audio promete simular o áudio em terceira dimensão para melhorar a forma como você se relaciona com filmes e jogos em VR

Com som 3D, Google quer tornar a realidade virtual um pouco mais real

(Imagem: Google/Divulgação)

Quando um passarinho canta lá do topo da árvore, um cara toca violão na calçada ou um avião passa sobre sua cabeça, é fácil dizer o quanto essas fontes sonoras estão distantes de você, certo? É que seu cérebro está muito bem treinado para descobrir de onde vêm os barulhos e como eles se relacionam com o ambiente à sua volta. Agora, imagine que estranho seria escutar todos esses sons apenas nas suas orelhas esquerda e direita, sem essa noção de profundidade.

Os conteúdos em vídeo produzidos para realidade virtual, em aparelhos como o Samsung Gear VR, ainda funcionam mais ou menos assim. Você bota um fone de ouvido e, mesmo estando imerso num mundo simulado em 360 graus, ainda ouve no bom e velho estéreo, um som que sai de apenas duas caixinhas. Engenheiros de áudio e sonoplastas podem até incluir alguns efeitos para enganar sua mente, mas o resultado nunca é, de fato, parecido com o mundo real.

O Google promete melhorar isso com sua nova plataforma de desenvolvimento, a Resonance Audio. A ideia é que os criadores de jogos, filmes e outros tipos de ambientes virtuais possam fazer suas imagens interagir melhor com o áudio. Dá uma olhada no exemplo:

Essa ferramenta funciona tanto em plataformas de desenvolvimento de games, como a Unity, quanto em programas tradicionais de gravação e mixagem - Pro Tools, Reaper e que tais. O software usa uma tecnologia de som surround em 360 graus, chamada Ambisonics, e tem uma função que permite conectar um objeto virtual (por exemplo, um carro) a determinado clipe de áudio (uma buzina, talvez). Quando você estiver no mundo simulado e se distanciar desse carro, o programa colocará reverb e outros efeitos para que ele pareça estar mais longe.

O Resonance Audio também permite ao programador escolher se o ambiente de realidade virtual será revestido com madeira, azulejo, concreto ou outros materiais. Afinal, as ondas sonoras batem nas paredes e chegam de maneiras completamente diferentes às suas orelhas de acordo com os objetos que estão à sua volta ou o tamanho do lugar, por exemplo.

Tudo bem, você ainda estará usando fones de ouvido ou caixas de som 5.1 - não será como se houvesse dezenas de alto-falantes espalhados ao seu redor. Mas as simulações de distâncias, alturas e do local exato da fonte sonora tendem a ser bem mais realistas do que no cinema ou nos games atuais. E tudo isso usando menos poder de processamento do que alguns antigos e pesados programas de som em terceira dimensão, como promete o Google.

É claro que não dá para saber se essa será a tecnologia definitiva para melhorar o som dos programas de realidade virtual. Mas só o fato de ela estar disponível em tantas plataformas, que incluem até mesmo Android e iOS, pode significar que vem aí mais conteúdo com um sonzão em 360 graus. Para os desenvolvedores de plantão, vale a pena checar o site da nova plataforma.