SAÚDE

Estudo usa sons e impulsos elétricos para combater zumbido

Marco Zanni
Autor
Marco Zanni

Técnica não invasiva promete consertar células nervosas que foram afetadas pela exposição a barulhos muito altos

Estudo usa sons e impulsos elétricos para combater zumbido

Sabe quando você sai da balada e fica com aquele zumbido na orelha até o dia seguinte? Uma entre cada 10 pessoas sente isso o tempo todo - algumas se acostumam e vivem bem, mas outras têm sua vida seriamente prejudicada. É o que os médicos chamam de tinido, uma condição causada pela exposição excessiva a barulhos muito altos, mas também por estresse, infecções ou até tumores cerebrais.

O tratamento desse problema é bastante difícil. Alguns aparelhos auditivos jogam barulhos baixinhos dentro do ouvido para tentar cancelar as frequências que incomodam, mas quase nunca funcionam perfeitamente. Por isso alguns pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, estão testando uma nova tecnologia para consertar as células danificadas do ouvido e resolver de uma vez por todas o zumbido.

No estudo, eles desenvolveram um aparelho que joga sons e impulsos elétricos dentro do ouvido. O intuito é modificar a atividade nervosa do cérebro, dando uma espécie de “reset” no seu funcionamento. Em quatro semanas usando o equipamento, pacientes em teste disseram que os efeitos do tinido diminuiu bastante. Outro grupo de participantes usou um dispositivo placebo que não trouxe os mesmos efeitos positivos.

O tinido acontece no núcleo coclear dorsal, dentro do cérebro. O estímulo exagerado nessa região (em shows de rock muito altos, por exemplo) faz com que os neurônios fiquem ativos demais e ajam sincronizadamente - isso gera a transmissão dos barulhos “fantasmas” chamados de zumbidos. O reinício forçado das células induzido por esse novo equipamento pode fazer os neurônios voltarem a funcionar normalmente.

Os pesquisadores estão trabalhando com outros grupos de pacientes para verificar diferentes intensidades de tratamento e ter certeza de que o método resolve o problema por um longo tempo. Os resultados obtidos até agora estão publicados no jornal Science Translational Medicine.