TECNOLOGIA

Mineradoras de bitcoin já gastam mais energia que um país inteiro

Yazar

Cotação da moeda não para de subir, assim como o consumo de eletricidade pela blockchain - nos últimos 30 dias, o aumento foi de 30%

Mineradoras de bitcoin já gastam mais energia que um país inteiro

(Foto: Zach Copley - Flickr - Creative Commons)

Esses dias fui à casa de um amigo gamer, e lá estava ele, em seu computador poderoso, tentando minerar bitcoins. Primeiro, dei algumas risadas. Depois, sem fazer bullying, aconselhei o sujeito a desligar a máquina, que certamente estava gastando mais energia do que os centavos conquistados a duras penas por seu processador.

Acontece que o processo já foi vantajoso em meados de 2009, quando a criptomoeda foi criada. Mas com o crescimento da demanda, e a alta do preço do bitcoin, foi ficando cada vez mais difícil a atividade da mineração. Hoje ela gasta eletricidade demais para gerar valores muito baixos, de modo que apenas grandes empresas conseguem, de fato, ganhar algum dinheiro com isso, em seus centros de processamento de dados.

Mas a sede pelo bitcoin nos últimos dias tem sido incontrolável, já que a cotação da moeda bateu inimagináveis R$ 30 mil, triplicando em três meses. Logo, o consumo de energia da blockchain disparou. Uma pesquisa da consultoria Power Compare, do Reino Unido, mostrou que todas as mineradoras juntas gastam mais eletricidade do que países inteiros, como Irlanda ou Uruguai.

A atividade consome nada menos que 29 terawatts por hora, o equivalente a 0,13% do que o mundo todo gasta em energia elétrica - um aumento de 30% foi registrado nos últimos 30 dias. Se fosse um país, a blockchain da criptomoeda seria o número 61 no ranking dos mais gastões. O custo anual de eletricidade para se minerar bitcoins? Ele já chegou a absurdos US$ 1,5 bilhão.

Ou seja: quando algum amigo seu vier falar em minerar bitcoins, mostre esses números para ele. O jogo virou coisa de gente muito grande.