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O que pode acontecer se hackearem um carro autônomo?

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Especialistas em segurança digital advertem: veículos sem motorista correm riscos de acidentes, caso programadores mal-intencionados resolvam invadir o sistema

O que pode acontecer se hackearem um carro autônomo?

(Foto: Divulgação/PSA)

Sabe aquele belíssimo sistema de entretenimento do seu carro, que tem som, vídeo e até GPS? Pois ele provavelmente roda um software da idade da pedra, desenvolvido com métodos de programação que seriam reprovados por fabricantes sérios de computadores ou smartphones. De acordo com especialistas em segurança digital, é a maior moleza invadir essas máquinas de quatro rodas e implantar vírus nelas.

Se você conecta seu celular ao rádio do carro usando Bluetooth, já poderia estar em risco, caso um hacker resolvesse espetar um pen drive na entrada USB. Sem muito esforço, ele roubaria dados sensíveis, como contatos da agenda telefônica, mensagens de texto e até emails.

Gabriel Cîrlig, um engenheiro de software da Ixia, empresa de segurança digital, descobriu isso ao testar o carro dele. Preocupado, foi verificar outro modelo (não quis dizer a marca para não entrar em enrascada, mas afirmou ser de uma montadora japonesa) e conseguiu obter até informações de GPS, como o histórico de endereços visitados recentemente. Tudo isso por meio de um código malicioso instalado em seu pen drive.

A verdade, segundo contou o especialista numa conferência de segurança na Romênia, semana passada, é que as fabricantes não estão nem aí para a segurança de dados. Afinal, o que pega vírus é computador e celular, certo? Por enquanto, é verdade. Mas será a mesma coisa quando carros autônomos estiverem por aí? Já pensou no estrago que um software malicioso pode causar, caso assuma o controle de um veículo sem motorista?

Em teoria, um carro computadorizado com software de péssima qualidade poderia ser acessado por hackers até remotamente, caso estivesse conectado à internet. Aí o programador mal-intencionado conseguiria, por exemplo, frear ou acelerar como quisesse, causando acidentes. Uma perspectiva assustadora.

Isso pode parecer coisa para o futuro, mas o assunto já ganhou os jornais em 2013, quando houve uma suspeita de cyberataque ao veículo de um jornalista. Naquele ano, Michael Hastings ganhou notoriedade por publicar, na revista Rolling Stone, reportagens questionando os governantes americanos na guerra do Afeganistão. Ele morreu batendo seu carro numa árvore, e um especialista em terrorismo do governo George Bush disse suspeitar que algum inimigo teria hackeado o automóvel.

A história nunca foi resolvida e talvez seja apenas teoria da conspiração. Mas virou debate à época e, até hoje, aparentemente nada foi feito para melhorar a segurança dos sistemas dos carros. Então, vamos combinar: antes de entregar o volante nas mãos do computador, é melhor as montadoras ficarem espertas, não é mesmo?