PUBLICIDADE

Vem aí uma bomba de propaganda do carro que dirige sozinho

Yazar

O jogador de basquete LeBron James é astro de campanha da Intel para convencer as pessoas de que os veículos autônomos dirigem melhor do que nós, humanos

Vem aí uma bomba de propaganda do carro que dirige sozinho

(Foto: Divulgação/Intel)

Está para nascer o sujeito que vai conseguir colocar meu pai num avião. Mesmo com todas as estatísticas mostrando que voar é mais seguro do que andar de automóvel, ele é irredutível: “Confio mais nos meus reflexos ao volante do que em qualquer piloto”. Agora imagine convencê-lo a embarcar num carro sem motorista. É, não vai rolar.

Meu pai não curte basquete, mas os americanos adoram. Por isso a Intel está pagando o maior astro do esporte nos Estados Unidos, o jogador LeBron James, para tirar das pessoas o medo de serem guiadas por um robô de quatro rodas.

No primeiro filme publicitário de carros autônomos feito para o público geral na TV, o narrador diz que “algumas pessoas são destemidas”. Então um veículo sem motorista chega para buscar James. O atleta da NBA reluta em entrar, mas é convencido por um amigo: “Esse carro enxerga 80 vezes melhor do que você”. Ao final do passeio, LeBron fica felizão e diz que vai ficar com a caranga para ele.

A campanha bate num dos três pilares que a fabricante de processadores considera crucial para a tecnologia despontar: apoio público. Segundo a empresa, se as pessoas comprarem a ideia, esses carros estarão nas ruas muito mais rapidamente. Os outros dois pontos são o próprio desenvolvimento de sistemas e questões de regulamentação.

Mais de 46 empresas de tecnologia e montadoras estão despejando dinheiro no aprimoramento da inteligência artificial para veículos autônomos, que devem estar prontos para chegar ao mercado em 2020, segundo a consultoria Gartner. Mas elas já sabem: se não tirarem das pessoas o medo, tudo não passará de um fiasco.

O mesmo Gartner divulgou um estudo segundo o qual 55% dos americanos não entrariam de jeito nenhum em um carro sem motorista. A Kelley Blue Book, famosa por pesquisar preços de veículos, complementa esse dado: 80% dessas pessoas acreditam que humanos devem sempre dirigir, e não deixar essa tarefa para as máquinas.

Ou seja, a Intel parece ter razão em estar preocupada. Em junho, ela gastou a pequena fortuna de US$ 15,3 bilhões na compra da Mobileye, uma empresa de chips e sistemas para carros autônomos. Além disso, firmou parceria com BMW e Chrysler para desenvolver a tecnologia. Se tudo der certo, isso será dinheiro de troco, afinal a companhia espera que o mercado valha US$ 7 trilhões, nos próximos anos. Mas, se a ideia não colar...

Enquanto a Intel bate no medo dos americanos, a Waymo faz propaganda para combater o ceticismo, de maneira mais educativa. A empresa, que era braço do Google para o estudo de carros autônomos até o ano passado, agora tem parceria com a própria Intel. Ela já está espalhando outdoors pelo estado do Arizona, nos Estados Unidos, e se unindo a associações de segurança no trânsito, como a Mothers Against Drunk Driving (Mães Contra Motoristas Alcoolizados), para gerar debate em torno do assunto e convencer as pessoas de que veículos são mais seguros sem um motorista.