As canções que ninguém fez pra mim
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Marina Teixeira
marina.teixeirahá 12 dias

As canções que ninguém fez pra mim

Os textos sobre música que não escrevo no outro blog.
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As canções que ninguém fez pra mim
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longa vida ao Rei

Marina Teixeira
há 2 meses13 visualizações

Um pensador contemporâneo disse (só esqueci a tradução literal) que não há outro rei, príncipe ou qualquer coisa no pop a não ser Michael Jackson. Ele quebrou barreiras musicais, visuais e raciais, uniu qualidade musical com apelo comercial de uma maneira que até hoje é "imitada", mas não é igualada; e inspirou todos que vieram após ele em musicalidade, postura no palco e voz (a tal ponto que é basicamente uma praga os male acts do pop com a "voz do Michael", cadê uma "voz do David Ruffin" quando precisamos dele?) . 

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Michael Jackson não foi apenas uma parte importante da minha infância; ele foi uma das minhas maiores referências musicais, tanto como mera ouvinte como a pessoa que me tornei depois, quando música pra mim se tornou uma busca interminável por detalhes, nomes, produções, sons. Na minha trilha sonora é obrigatório ter Michael em todas as suas fases e momentos.

Para comemorar o aniversário de nascimento do Rei do Pop, decidi fazer o que sempre faço - postar músicas do Michael (ao invés de sei lá, ESTUDAR), de acordo com meus próprios critérios profundos de avaliação. Ou seja, os clássicos não entram - ou se entrarem, são por razões bem específicas.

(esse é o meu gif favorito do Michael Jackson hahahaha por isso a inserção randômica)

1. "Blame it on the Boogie"

Nessa época, os Jackson 5 estavam sans Jermaine (que ficou na Motown após a saída do grupo da gravadora) e avec Randy, o irmão menor que entrou no grupo quando eles viraram The Jacksons. A "nova" banda, agora na Epic, iniciou uma carreira interessante com hits da disco, como esse clássico que é "Blame it on the Boogie" - não é uma canção original dos Jacksons, que nessa época já compunham as próprias músicas, mas é um dos maiores sucessos do grupo. Dá pra perceber o vocal do Michael adolescente próximo do Michael que conhecemos hoje, mas com um certo R&B flavor muito bem-vindo e uma performance diferente do MJ mais pop. E ainda dá vontade de dançar.

2. "Rock With You"

Segundo single do espetacular "Off The Wall" (que durante anos foi o meu CD favorito, e talvez ainda seja porque tenho 27 anos e ainda não achei o álbum que represente a minha vida neste momento), "Rock With You" é pós-disco de uma forma estranha: é dançante, tem organicidade, mas não tem o mesmo compasso dos singles disco do final dos anos 70. Michael lançou o primeiro CD solo pela Epic produzido pelo Quincy Jones, e o som desse álbum é diverso de tudo que tocava na época - como dito, era dançante af, mas o som era além da disco; era R&B, mas tinha jazz, pop, baladinha romântica e um Michael Jackson humano, real, um cara de vinte e poucos anos aproveitando a vida. Talvez seja o meu álbum favorito (e o melhor dele) porque não é o MJ paranoico de anos depois, obcecado pela perfeição e o sucesso, e sim um cara se testando, brincando com a voz e com as possibilidades artísticas que se apresentavam. E "Rock With You" representa tão bem isso que a performance vocal dessa música é a fôrma na qual todo male act tenta se adequar para chegar a um pouquinho do que foi o Michael.

3. "Human Nature"

Do "Thriller", eu sou a chata que vou atrás das lado B ou dos singles que viraram clássicos da Antena 1, tipo "Human Nature", que era a faixa que eu menos ouvia no CD, mas redescobri anos depois. Uma midtempo elegante e melancólica, é quase uma história de solidão numa grande cidade. Um dos poucos respiros no elétrico "Thriller" (ela e "The Lady in My Life" são ilhas de tranquilidade num CD onde você não tem tempo sequer de pensar), é uma música que cala fundo em você porque é palpável o Michael (que é um intérprete incrível e muita gente meio que só vê o lado performer épico, moonwalking e talz) entende perfeitamente o sentimento de estar só na multidão, de procurar uma pessoa amiga, um olhar, e aquele olhar também estar procurando por ele. Gosto muito dessa música, de graça, e às vezes fico besta em pensar que deveria ter gostado muito antes.

4. "Bad"

Do "Bad", que eu chamo de "Thriller com esteroides" (com resultados mistos, aqui e ali), tem músicas incríveis, mas "Bad" é uma favorita pessoal porque me deixa super pra cima e me sentindo realmente muito má. Usei durante anos de minha vida o verso "you know I'm smooth, I'm bad" nas descrições de Instagram, nick do Messenger (sdds messenger) e afins, porque a música tem mais quotes icônicos que filme de aão dos anos 80. É edgy, divertida, badass, dá vontade de sair por aí dançando junto com o squad - pena que minha vida não é filmada pelo Martin Scorsese, mas nem tudo é perfeito né gente. Curiosidade: "Bad" era pra ser um dueto com o Prince, e depois com todos os A-lists da época que estavam disponíveis, mas aparentemente não rolou featuring e o show foi apenas do Michael Jackson mesmo ;) 

5. "Remember the Time"

Como eu me recuso a lidar com os álbuns posteriores do MJ (incluindo os lançamentos caça-níquel póstumos - apesar de estar sempre jamming a lot com algumas perolinhas do "Xscape"), nunca é demais enaltecer o "Dangerous". Esse CD é o Michael mais following trends que trendsetter (ele se juntou com o Teddy Riley, produtor do momento, para trabalhar nesse álbum, que tem uma pegada new jack swing - praticamente o elo de ligação entre o rap e o R&B no final dos anos 80 e início dos anos 90 - na busca por se manter relevante), mas até seguindo o rastro alheio ele consegue ser genial. Apesar de algumas faixas beirando o cafona (gente, gosto muito de "Heal the World", mas... não.), "Dangerous" é um clássico Michael Jackson e "Remember the Time" com seu clipe milionário, efeitos especiais hollywoodianos, Eddie Murphy e Iman, é um petardo. É new jack swing purinho, mas super pop, crossover e atemporal. Ou seja, Michael.

Visionário, genial, criativo, surpreendente como cantor e impecável performer e dançarino, Michael Jackson ainda hoje influencia diversos acts seja por sua musicalidade, imagem ou excelência visual. A revolução dos clipes; o som que atrai o público indistintamente, sem perder a qualidade; a mistura de pop,R&B, soul, funk e rock numa voz que cabia em tudo - e conhecia suas habilidades. Um artista impecável e inesquecível, cuja relevância é sentida até hoje, e suas músicas continuam vivas e fresh, resistindo ao teste do tempo e das trends.

Longa vida ao insubstituível rei.

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marina.teixeira
Jornalista de formação, social media por profissão e aspirante a digital influencer e blogueirinha pra fazer publipost. Ou não.