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Marina Teixeira
marina.teixeirahá um mês

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Não acredito que a Coreia do Sul inventou o plot twist!

Marina Teixeira
há um mês16 visualizações

Tem uns bons dias que eu tô sedenta pra divulgar a palavra de “Stranger” de forma completa (só floodei horrores o FB durante a semana, mas precisava escrever sobre tudo após ver os 16 eps), e agora que eu tô mais fria, depois da loucura de ver cinco episódios de vez até as três da manhã, finalmente posso falar algumas coisas (mas não será muito detalhado que o primeiro capítulo já tem um MASSIVE CLIFFHANGER e nem posso dropar sem meio mundo me xingar depois).

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Não acredito que a Coreia do Sul inventou o plot twist!

Pois bem, a série é deste ano (foi exibida entre Junho e Julho na Coreia, ou seja, é novinha), e tava sendo exibida simultaneamente na Netflix. Apareceu na minha lista de sugestões como quem não quer nada e não me arrependi. Como eu gosto de uma boa história de investigação, achei que só seria aquela farofinha gostosa do fim de noite, mas deve ter sido uma das melhores coisas no audiovisual que eu assisti este ano. A trama é densa, intrincada, cheia de plot twists (e plot twists dentro do plot twists) e conspirações, personagens carismáticos e multidimensionais e um assassinato misterioso em que todo mundo é culpado ou inocente a depender dos ângulos.

Resumidamente, e sem spoilers, Hwang Si-Mok (Jo Seung-woo) é um promotor público em Seul incorruptível e focado em seguir a lei, não importando se quem for afetado for extremamente poderoso. Frio, clínico, racional, teorizando absolutamente tudo e todos, esse comportamento praticamente apático não é por nada, nem charme de personagem. É uma questão de saúde - sensível a estímulos, o promotor teve que fazer uma cirurgia que acabou afetando a parte do cérebro que lida com os sentimentos. Ou seja, nada de risadinhas, nada de piadas - a abordagem dele é direta, pouco sutil e sem mentiras. É difícil de enganá-lo e ele não tem muita paciência com o resto da humanidade.

(no começo você fica meio incomodada porque o cara é uma esfinge, mas depois começa a achar divertido que ele CAGA pra quase todas as pessoas, e fica ainda mais juicy quando ele caga para os caras corruptos e bandidos da trama)

Pois bem, o promotor Hwang acaba se envolvendo na investigação do assassinato de um antigo bandido de colarinho branco, e esse crime pode estar relacionado a uma rede grande de corrupção envolvendo vários braços da lei, incluindo a justiça, a polícia e o governo. O fato dele seguir a lei e querer cumpri-la de forma irrestrita acaba levando o rapaz a ganhar inimigos e a receber apoio de algumas poucas pessoas - mas o legal (curioso e estranho, a depender do episódio) é que ele é praticamente um investigador, um detetive, para além de promotor. 

Não acredito que a Coreia do Sul inventou o plot twist!

(CSI, Sherlock, advogado, manda prender e manda soltar. Você quer, @??) Sério gente, se promotor na Coreia do Sul é assim, nem precisa de policial né, porque o homem já sabe quem é o assassino, elabora hipóteses, faz autópsia, interroga… Pra que polícia né gente? Só pra compor…

Quer dizer, aí entra o outro elemento importante de “Stranger”, a policial que vocês mais vão amar no universo, Han Yeo-jin (Bae Doo-na), com sua habilidade especial em desenhar, o chanel mais fofo da série toda e evidentemente a capacidade única de ter uma ótima dedução, investigar o caso sem ser enviesada, e sendo empática com o outro. Ela entra no caso investigando o mesmo crime que o Hwang, mas apesar de inicialmente o promotor não aceitar nenhuma ajuda externa (ou seja, da polícia), a tenente Han é incansável e consegue desenrolar os novelos da investigação mesmo com impedimentos dentro da delegacia - e sua facilidade de se pôr no lugar do outro, entender as pessoas, acaba colaborando para que ela e o promotor Hwang trabalhem juntos - afinal de contas, como ele não sabe lidar com as pessoas, ela acaba sendo a pessoa que atenua as situações, que tranquiliza a situação quando o promotor acaba sendo intratável - e que várias vezes, por conta da abordagem mais flexível, consegue as informações necessárias para a investigação.

Por também ser incorruptível e focada em desvendar a verdade, a tenente Han acaba sendo alvo também de represálias dentro da delegacia, outro ambiente corrompido dentro da trama - seja por pessoas que realmente são corruptas ou quem se omite diante das situações. 

Aliás, a questão da corrupção acaba se tornando algo bem contundente em “Stranger” porque estamos tratando de uma produzida num país asiático, onde conceitos como autoridade, respeito e honra tem uma relevância distinta que no Ocidente em geral. Ser “desonrado” é quase uma sentença de morte em vida (um dos personagens, Young Il-jae, está exatamente nesta situação e não explicarei a razão), e questionar ou desobedecer as ordens dos superiores pode ser o fim da carreira. É isso que acaba sendo outro desafio para o promotor Hwang e a tenente Han, já que eles precisam desafiar gente superior a eles, o que pode afetar seus empregos e reputações. É sempre interessante ver esse argumento, porque os personagens várias vezes pisam em ovos porque a cada passo que dão em direção a alguém poderoso, correm riscos de que, se o movimento for mal-calculado, podem ser severamente punidos.

Por isso, em "Stranger", um movimento que pareça impulsivo NUNCA é. Sério.

Não acredito que a Coreia do Sul inventou o plot twist!

(a tenente Han usa taser. ou seja, pra ver gente armada na série, é um tanto difícil)

As manipulações dos personagens são deliciosas, aliás, e tem até um JOESLEY BATISTA COREANO, gravações, malandros cujo único objetivo é hustling to survive, cobra comendo cobra a cada episódio, e até uma iniciativa Vingadores coreana (sério, eu vivo por essa parte da trama, é tão legal). Tudo entremeado por uma Seul fria, de cores cinzentas, um verdadeiro noir branco que torna o mistério em torno do crime ainda mais interessante, intrigante, e um verdadeiro vício.

(e em quase todos os eps que tem gente sempre comendo? Seja sozinho ou com amigos, como parte do princípio da série é a falta de interações humanas ou interações humanas dos personagens principais, é interessante como sempre tem cenas dos personagens comendo sozinhos em barraquinhas, ou sozinhos em grandes refeitórios, ou juntos; ou jantares que não funcionam… Agora que eu estou escrevendo tô reparando nisso... E como o “último jantar” da série é realmente algo simbólico) 

*considerando que pode ter algo de cor local nessa questão do comer junto ou separado, pode ser que tenha outra camada nesses simbolismos que eu não tenha captado.

Sabe a história de “desenrolar o novelo”? É exatamente assim que aparentemente funciona “Stranger” - os plot twists só fazem abrir a história (desenrolar o novelo), ao mesmo tempo em que se complicam ainda mais (enrola tudo de novo). Tem horas que é tanta coisa acontecendo que você desiste de acompanhar as conexões dos personagens e prefere prosseguir com a história.

(acho que isso aconteceu comigo no ep 10 ou 11. Eu disse “CHEGA” e deixei de teorizar. Gênio na série é o promotor Hwang, eu não)

Não acredito que a Coreia do Sul inventou o plot twist!

Ah - os atores são ótimos (tem que ser MUITO bom pra fazer um cara apático sem soar canastrão), a direção é super competente, porque tem uns momentos de flagras tensíssimos e escolhas de câmera bem interessantes. A música, meio épica, meio tensa, sempre aparece na hora certa, e é bem característica - porque ela funciona para evidenciar o plot twist ou fechar um momento importante dentro daquele “bloco”, porque muitas vezes os plot twists ocorrem dentro do episódio (que tem média de uma hora, às vezes 1h05… A season finale foi 1h25; por que será que eu dormi tão tarde né gente), e a identificação com os personagens principais é instantânea. É tudo tão bem feito, bem pensado e BEM ESCRITO (não apenas o roteiro, mas os diálogos, os não-ditos, as motivações de todos os personagens) que você fica no pique pra ver o próximo episódio e não quer largar daquela trama.

Eu mesma tô meio órfã de “Stranger” e vou ficar de molho um tempo até retomar outras séries haha mas se vocês querem quebrar a cabeça com gosto, recomendo fortemente. Sério, vocês não vão se arrepender.

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marina.teixeira
Jornalista de formação, social media por profissão e aspirante a digital influencer e blogueirinha pra fazer publipost. Ou não.