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Andy Serkis fala sobre Planeta dos Macacos e o que nos torna humanos

Micheli Nunes
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Micheli Nunes
Andy Serkis fala sobre Planeta dos Macacos e o que nos torna humanos

Quando falamos em "humanizar" alguém, seja na vida real ou no cinema, geralmente nos referimos a mostrar um lado benévolo ou emotivo. Porém, se perguntarmos o que nos difere dos animais, as primeiras respostas serão "raciocínio lógico" ou "inteligência". Então, afinal, o que nos torna humanos? É essa pergunta, um tanto filosófica, que Planeta dos Macacos: A Guerra nos apresenta, e segundo Andy Serkis, ator que estrela o filme no papel do macaco Caesar, a resposta é empatia.

"O tema deste filme, e de todos da franquia, é empatia. É sobre viver num mundo de humanos no qual perdemos a habilidade de sermos empáticos com outra cultura, outra sociedade", disse o ator ao Storia Brasil, em uma coletiva de imprensa em São Paulo. Para Serkis, o filme reflete uma realidade sombria: "Nós vivemos em tempos muito perigosos e confusos do ponto de vista ideológico, e a reação humana nesses tempos é se mover na direção de respostas simplistas para conflitos que são complexos". E essa simplicidade geralmente é atrelada ao ódio, à violência e à intolerância.

No longa, que finaliza a nova trilogia do Planeta dos Macacos, os humanos estão sendo dizimados por um vírus que tornou os símios inteligentes. As duas espécies estão em conflito, e os homens recorrem às forças armadas, a princípio para proteção, mas isso logo escala para o genocídio dos macacos, que apenas precisam de um lugar pra morar e viver em paz. E não há como não fazer um paralelo com a situação de refugiados e imigrantes, e com o crescimento da xenofobia em todo o mundo. "Nesses momentos tentamos encontrar saídas simples, emocionais e irracionais, e o mundo está sofrendo com lideranças que agem de maneira simplista", comenta Andy.

Andy Serkis fala sobre Planeta dos Macacos e o que nos torna humanos

Cada personagem tem uma motivação bem construída, o que torna toda a situação complexa. Muitos dos macacos foram torturados por humanos. E os humanos estão morrendo de um vírus que acreditam ser transmitido pelos macacos. Os dois lados tiveram seus extremistas, que usaram de violência desnecessária. Os dois lados precisam preservar seu espaço, e um acordo pacífico não parece possível. O filme chega a apontar uma solução, que atribui aos personagens menos extremistas, mas não finge que isso é facilmente alcançável. Para Andy, esse é o valor da franquia. "Ter alegorias que falam da condição humana é o que nós precisamos agora no mundo. Storytelling é uma das maneiras pelas quais podemos nos salvar", explica o ator.

"O que é mais bonito sobre a metáfora de usar macacos para nos enxergar, é que nada é preto no branco, não existem vilões totais nem heróis completos, todos têm um compasso moral que vai mudando", explica Serkis, que se inspirou em grandes líderes políticos para sua atuação. "Cesar, apesar de ser nobre, ainda tem falhas. Ele precisou matar, o que é contra tudo o que ele acredita, e mesmo que ele seja um líder tentando achar uma solução pacífica para o conflito, ainda está cheio de ódio e raiva pelos humanos, e é aí que ele perde a empatia", acrescenta.

Andy Serkis fala sobre Planeta dos Macacos e o que nos torna humanos

Não por acaso, um dos maiores talentos do diretor Matt Reeves, à frente do filme, é construir narrativas tocantes. O longa quase não presta atenção em humanos, com exceção da garotinha que Maurice "adota", e foca no grupo de símios. Fazer com que o expectador se identifique mais com um macaco do que com um homem é certamente um enorme desafio, e Matt é sem sombra de dúvida bem-sucedido nisso, com um roteiro bem amarrado e corajoso (que assina junto com Mark Bomback), e contando com a atuação impecável de Serkis.

E não é só o novo filme que tenta espelhar os nossos problemas sociais, toda a franquia do Planeta dos Macacos é bastante crítica. "Desde o primeiro longa, de 1968, a franquia sempre foi um comentário social, além de ser entretenimento". Para Serkis, essa é a parte mais importante: "É um palco enorme, uma audiência gigante, e além de estarmos trazendo um ótimo entretenimento, ainda podemos dizer algo que é incrivelmente importante, significativo e emocional, e esperar que isso toque as pessoas de alguma maneira".