Coluna: Por que precisamos de feminismo?
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7 coisas que mulheres ainda não podem fazer ao redor do mundo

Micheli Nunes
há um mês165.8k visualizações
7 coisas que mulheres ainda não podem fazer ao redor do mundo
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Imagem: Tanja Heffner 

Depois de décadas sendo o único país no mundo onde mulheres não podiam dirigir, a Arábia Saudita finalmente liberou que elas tirem carteira de motorista, através de uma ordem do rei Salman bin Abdelaziz, nesta terça-feira (26). O país ultra-conservador ainda restringe vários direitos das mulheres, mas não é só lá que elas sofrem com leis e regras ultrapassadas! 

Confira 7 coisas que mulheres ainda não podem fazer ao redor do mundo.

Lutar na linha de frente do exército
Reino Unido, Turquia e Eslováquia ainda proíbem mulheres de lutar nas linhas de frente do exército! Elas podem se alistar, mas apenas para posições menos "perigosas".

Fazer compras sozinha
Mulheres são proibidas de irem sozinhas aos mercados no Paquistão, especialmente durante o Ramadan. A justificativa é que elas "atiçariam" os homens. Ah, elas podem ir com o pai ou o marido.

Fazer um aborto
Em diversos países, incluindo o Brasil, mulheres não têm liberdade para encerrar uma gravidez indesejada. Por aqui, em casos de estupro o procedimento está liberado, mas não é fácil conseguí-lo. Muitas vítimas são enganadas por enfermeiros e médicos religiosos e acabam tentando o aborto clandestino, uma das maiores causas de morte entre as mulheres.

Jogar golfe
A maioria dos clubes de golfe do Reino Unido ainda não permite que mulheres joguem. Eles até deixam que algumas mulheres visitem os clubes e façam partidas "de brincadeira", mas elas não podem se tornar membros.

Sentar na garupa da moto com as pernas abertas
Na Indonésia, as mulheres são obrigadas a se sentar de lado na garupa das motocicletas. A justificativa é que de pernas abertas elas podem "gerar situações indesejadas". O curioso é que se elas estiverem dirigindo, é permitido sentar na moto com uma perna de cada lado, contanto que as roupas sejam "decentes".

Receber Licença Maternidade
Nos EUA, em Papua-Nova Guiné e no Omã, as empresas não têm a menor obrigação de pagar licença maternidade, fazendo com que as mulheres a voltem a trabalhar alguns dias após o parto, se quiserem ter dinheiro para sustentar a família.

Usar o véu (hijab, burca, niqab)
Apesar de muitas mulheres escolherem por vontade própria usar o traje religioso islâmico, várias de suas versões são proibidas em alguns países europeus, inclusive na França, na Bélgica, na Holanda e na Alemanha! Em contrapartida, países como o Irã e Arábia Saudita OBRIGAM o uso do hijab pelas mulheres. Ou seja, elas não têm escolha.

Pois é! Ainda temos muito o que conquistar!

SBT é processado por constranger mulheres

Micheli Nunes
há um mês192.9k visualizações
SBT é processado por constranger mulheres
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Imagem: Reprodução SBT

O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação civil pública contra o SBT e pediu uma multa de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, por conta de dois casos em que veicularam a humilhação de mulheres na TV. O mais recente foi o caso de Maísa Silva, em que Silvio a constrangeu em um programa o vivo. O segundo caso aconteceu em 2016, quando o apresentador Ratinho chutou violentamente uma caixa onde estava a assistente de palco Milene Uehara. 

No caso de Maísa, o próprio dono da emissora foi o agressor. No Programa do Silvio Santos, exibido junho deste ano, Silvo sugeriu que a atriz "namorasse" Dudu Camargo e insistiu que ela o beijasse na boca, o que ela se negou a fazer e criticou ferozmente. Maísa, que é uma adolescente de 15 anos, se manteve firme em não atender aos caprichos do octogenário e chegou a ser criticada por parte do público. Duas semanas depois  Silvio convidou novamente a atriz, que tem contrato com a emissora, e a colocou em uma nova situação de constrangimento, chamando Dudu Camargo ao palco. Maísa abandonou o estúdio aos prantos. Na época, colunistas afirmaram que uma produtora tentou proteger a adolescente e acabou sendo demitida.  

Segundo o documento emitido pelo MPT, Maisa "sofreu grave constrangimento diante da violação de sua privacidade, intimidade e honra, caracterizando lesão aos direitos da personalidade, mediante abuso do poder hierárquico e discriminação do gênero feminino pela forma de tratamento dispensada às profissionais". A ação pede uma "providência da empresa para que ajuste sua conduta e não mais permita, tolere ou submeta seus empregados a situações vexatórias, constrangedoras, ou qualquer conduta que implique desrespeito à pessoa humana, à vida privada, à honra, à intimidade e à imagem ou qualquer violência ou discriminação contra a mulher ou outro fator injusto de discriminação, garantindo-lhes tratamento respeitoso e digno."

No caso de Milene, o MPT argumenta no documento que Ratinho "desferiu forte chute numa caixa de papelão em que se encontrava Milene, atingindo a altura de sua nuca. A trabalhadora deu um grito e caiu sentada no chão, visivelmente assustada e possivelmente machucada. Em seguida, ela se retirou do palco constrangida sob sons de risos e chacotas, e o apresentador afirmou em tom debochado que ela era uma funcionária rebelde e providências seriam tomadas: ela iria 'pra rua'. O episódio mostrou a funcionária sofrendo agressão física, humilhação e lesão aos direitos da personalidade, mediante abuso do poder hierárquico e discriminação do gênero feminino pela forma de tratamento dispensada às profissionais". 

SBT é processado por constranger mulheres

Além das claras violações dos direitos dos trabalhadores, como uma emissora de sinal aberto que goza de concessão pública, o SBT tem diversas obrigações sociais e deveria dar um melhor exemplo de como funcionárias deveriam ser tratadas. A emissora não é a única no Brasil a demonstrar comportamentos misóginos, mas esses dois casos são tão emblemáticos que não podem ser ignorados pelos órgãos públicos: houve agressão física em um deles e constrangimento sexual de uma adolescente no outro. Que isso sirva de lição. 

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.