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Depois de anos 'amordaçada', Kesha lança um single de arrepiar

Micheli Nunes
há 3 meses6.7k visualizações
Depois de anos 'amordaçada', Kesha lança um single de arrepiar
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A música Praying já seria por si só uma mensagem poderosa, mas levando em consideração o cenário, fica ainda mais avassaladora. O single, lançado hoje no Youtube, é o primeiro lançamento original de Kesha desde o álbum Warrior, de 2012, e a primeira música depois da longa batalha judicial para se livrar das amarras com o produtor Dr. Luke (Lukasz Gottwald), que a cantora denunciou por abuso sexual e assédio moral, em 2014. Mas apesar do retorno da cantora ser motivo de comemoração, é bom ressaltar que ela ainda está presa contratualmente à Kemosabe, gravadora de Luke, e que ele vai lucrar com o single e com o novo álbum de Kesha, que será lançado em agosto.

A faixa começa com um desabafo em que Kesha questiona a existência de Deus e diz que foi abandonada: "Por favor, me deixe morrer, estar viva dói demais". A música segue com um reclado claro para Luke. "Você quase me enganou, disse que eu não era ninguém sem você. Mas depois de tudo o que você me fez, tenhoq ue agradecer por quão forte eu me tornei". 

Com uma vibe meio Sia, a canção ressalta a evolução pessoal de Kesha e o reencontro de sua força interior: "Estou orgulhosa de quem eu sou. E voc6e disse que eu estava acabada... bem... você estava errado e o melhor ainda está por vir! Porque eu consigo sozinha. Eu não preciso de você, encontrei uma força que eu nunca tive. Eu fui despedaçada e fui queimada, mas quando eu terminar, eles não vão nem saber o seu nome". E o ponto mais tocante do vídeo é no minuto 4:20, quando Kesha solta a voz em um desabafo dolorido e sincero, como quem expurga seus demônios. De arrepiar.

ENTENDA O CASO

Kesha assinou com Dr Luke quando tinha 18 anos, e mesmo antes de todo o escândalo vir à tona, já tinha dado a entender que ele controlava todos os passos de sua carreira, negando a ela o controle criativo da própria carreira. Em janeiro de 2014, Kesha foi internada em uma clínica de reabilitação para tratar de distúrbios alimentares. Em declarações públicas, amigos e familiares culparam o produtor pelos problemas psicológicos dela. Segundo eles, Luke fazia criticas pesadas sobre a aparência de Kesha constantemente, exigindo que ela emagrecesse. Com sua auto-estima abalada, a cantora desenvolveu bulimia e anorexia.

Em outubro do mesmo ano, Kesha entrou com um processo para terminar o contrato com o produtor, que Kesha revelou ter abusado sexualmente dela desde os 18 anos, além de ter praticado abuso psicológico e assédio moral. Por causa dos contratos absurdos da indústria musical americana, Luke detinha todos os direitos sobre a carreira da cantora, inclusive sobre sua voz. Ou seja, sem ele Kesha não poderia lançar novas músicas ou mesmo se apresentar em público.

Em fevereiro de 2016, depois de meses em litígio, a Suprema Corte de Nova York deu a vitória para o produtor. Apesar da acusação de abuso sexual, o juiz responsável pelo caso considerou que a quebra de contrato era infundada e sem embasamento. Kesha só conseguiu o direito de trabalhar com outro produtor dentro do selo de Luke a Kemosabe Records. Ou seja, ainda mantendo o contrato e dando uma enorme porcentagem do lucro para ele. E pior, se Kesha se recusasse a gravar novas músicas, poderia ter que pagar uma multa enorme para Luke. 

Depois de anos 'amordaçada', Kesha lança um single de arrepiar

A cena da cantora soluçando no tribunal, enquanto um juiz a prendia fatalmente ao seu abusador, viralizou nas redes sociais. Fãs indignados foram em defesa da cantora com a campanha #FreeKesha, que subiu para os trending topics. Famosas como Lily Allen, Adele, Halsey, Kelly Clarkson, Ariana Grande, Kerli, JoJo, Lorde, Iggy Azalea, Demi Lovato e Lady Gaga demosntraram seu apoio à Kesha. Taylor Swift doou 250 mil dólares para ajudar Kesha durante o processo, já que os bens da cantora estavam congelados.

Depois das manifestações de cantoras famosas, a gravadora Sony anunciou a demissão de Luke e o desligamento da Kemosabe, que além de Kesha não tem quase nenhum outro nome relevante. Mas a Sony afirmou que não tinha poder para interferir no contrato dele com a cantora. Kesha poderia gravar com outros produtores dentro da Sony, mas somente com o aval e aprovação de Luke. Em agosto de 2016, de acordo com tablóides americanos, Luke teria proposto que liberaria Kesha do contrato se ela se desculpasse publicamente pelas acusações de estupro. Kesha se negou a pedir desculpas, mas retirou as queixas de abuso sexual, alegando que todo o processo estava sendo muito pesado, e que ela queria apenas se sentir feliz de novo.

No Coachella de 2016, Kesha performou em público pela primeira vez desde a abertura do processo, cantando a música True Colors, junto com o cantor Zedd. No mesmo ano, Kesha cantou It Ain't Me Babe, de Bob Dylan, no Billboard Music Award. Com uma turnê montada com covers e versões alteradas de suas músicas, Kesha entrou em turnê em 2016, ainda sem poder cantar canções originais ou as que lançou anteriormente. A cantora declarou que teria escrito dúzias de músicas e enviado para a aprovação da gravadora de Luke.

Ontem, Kesha publicou um vídeo anunciando que Praying seria lançada hoje, junto com o clipe, que já conta com meio milhão de visualizações em apenas algumas horas. O álbum Rainbow foi anunciado para o dia 11 de agosto e terá 14 faixas. O lançamento será pela RCA Records, selo da Sony, junto com a Kemosabe, a gravadora de Dr Luke. Ou seja, mesmo sendo uma mensagem direta para ele, o produtor ainda vai lucrar com o álbum.

Veja o clipe aqui:

Pesquisa transforma endometriose em problema sexual masculino

Micheli Nunes
há 4 meses6.2k visualizações
Pesquisa transforma endometriose em problema sexual masculino
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A atriz Daisy Ridley, que vive Rey na saga Star Wars, contou que sofre de endometriose

Se você sabe o que é endometriose, você provavelmente é uma mulher que sofre do problema. Ou deve ser pelo menos um ginecologista. Mas se não sabe, tudo bem, a gente explica. Endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial, ou seja, a membrana que deveria ficar dentro do útero, só que fora do órgão. Seu principal sintoma é uma dor pélvica intensa - imagine a pior dor de barriga da sua vida e multiplique por 10 - que pode ser crônica e piorar muito com a menstruação. Até agora já deu pra entender que é um problema feminino, certo? Pois não é o que a Universidade de Sydney acha, porque o corpo docente aprovou fundos para uma pesquisa chamada "O Impacto da Endometriose no bem-estar sexual masculino".

A história fica muito pior quando levamos em conta que a doença pode causar dores durante o sexo e levar à infertilidade, e que o maior desafio das mulheres que sofrem dela é simplesmente conseguir um diagnóstico. Isso porque muitos médicos desconsideram as mulheres que chegam aos seus consultórios reclamando de cólicas fortíssimas, prescrevem um remédio qualquer e diz para elas aguentarem, porque praticamente morrer de dor durante a menstruação seria uma coisa "normal".

E apesar de ser comprovado que a doença atinge uma em cada dez mulheres, e que o impacto social e psicológico da endometriose é muito grande, suas causas ainda não são conhecidas e ainda não existe uma cura definitiva. Tudo porque a endometriose recebe pouquíssima atenção de centros de pesquisas e da mídia, e os especialistas que decidem estudá-la têm uma enorme dificuldade em conseguir fundos.  

E mesmo sabendo disso tudo, os pesquisadores da Universidade de Sydney ainda acharam que o mais importante sobre a endometriose é que, quando estão em crise, algumas mulheres heterossexuais casadas evitam fazer sexo, e isso deixaria os seus parceiros XATIADOS. É inacreditável como alguns homens acham que o mundo gira em torno do membro deles, não é mesmo?

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.