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Por que o filme da Mulher Maravilha é tão importante?

Micheli Nunes
há 5 meses5.8k visualizações
Por que o filme da Mulher Maravilha é tão importante?
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Finalmente a Mulher Maravilha ganhou um filme solo, 76 anos depois da criação da personagem. É quase inacreditável, mas ela nunca teve nem um mísero longa metragem. Nem aqueles toscos, dos anos 80. Enquanto isso, seus colegas heróis já colecionam dezenas de filmes. Por isso (e pelo histórico da DC) o debut da heroína nas telonas, vivida pela maravilhosa Gal Gadot, gerou muita expectativa e uma certa tensão generalizada. Se for mal nas bilheterias, isso poderá significar o congelamento de qualquer adaptação de HQs com mulheres no papel principal por muitos anos. Mas se o sucesso for atrelado à qualidade, podemos ficar aliviados, porque dessa vez a DC acertou e fez um filme primoroso.

Esse sucesso é crucial, porque a indústria cinematográfica em geral é conservadora, ortodoxa e consequentemente machista. As grandes produtoras ainda trabalham com conceitos ultrapassados e falsos, como o de que mulheres não gostam de filmes de ação, ou de que os homens teriam o poder de compra nas casas e não gastariam dinheiro com filmes de protagonistas mulheres. E mesmo com um monte de estatísticas provando o contrário, parece que falta coragem para investir em histórias femininas que não sejam romances. 

Esse paradigma está mudando lentamente. Franquias como Jogos Vorazes provaram que heroínas geram lucro. E a mudança vem junto com um crescimento do movimento feminista nas redes sociais, o que está criando consumidores mais conscientes e questionadores. Ainda assim, somente 29 dos 100 maiores longas de 2016 tiveram mulheres no papel principal. E quando falamos de adaptações de HQs a coisa fica ainda pior.

Parece que filmes como Mulher-Gato (2004) e Elektra (2005), que fracassaram na bilheteria por serem PÉSSIMOS, criaram a lenda de que super-heroínas (ou vilãs) baseadas em quadrinhos não funcionam nas telonas. O que curiosamente nunca foi uma questão para os heróis, pois mesmo quando algumas adaptações com protagonistas masculinos sofrem prejuízos homéricos, continua-se produzindo novos filmes. É o machismo clássico. Homens podem falhar um monte vezes e essas falhas serão atribuídas a causas diversas, mas se uma mulher falha é porque ela é mulher.

Por que o filme da Mulher Maravilha é tão importante?

É por isso que o sucesso do longa da Mulher Maravilha é tão importante. Uma boa bilheteria abriria caminho para mais produções com super-heroínas, o que teria um enorme impacto cultural. Uma protagonista como Diana mostra um papel social diferente para a mulher, no qual ela não apenas é dona da sua história, mas também salva o mundo com sua própria força. Isso mostra para meninas que ser forte, corajosa e independente são objetivos que mulheres podem e devem almejar. Prova que homens não são melhores, e que "lutar como uma garota" não deveria ser uma ofensa. Então, se você planeja ver um filme de ação no cinema nas próximas semanas, considere dar o seu dinheiro para este longa. A próxima geração de heroínas agradece.

Entenda o caso do cara que difamou uma mulher e teve que se retratar no Facebook

Micheli Nunes
há 5 meses3.8k visualizações
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Cena de 13 Reasons Why em que Justin mente para os amigos que fez sexo com Hannah

Lázaro Dias teve seu momento de infâmia nos últimos dias nas redes sociais. Ele fez um post público no seu perfil do Facebook, por ordem judicial, no qual se retratava por ter mentido para os amigos dizendo que teve "um relacionamento íntimo" com Izabela Stelzer. Leia abaixo:

Entenda o caso do cara que difamou uma mulher e teve que se retratar no Facebook

O post teve quase 10 mil compartilhamentos e 38 mil reações, de pessoas que estavam achando muito bem-feito para Lázaro. Mas a história é muito mais séria do que parece. Izabela, a vítima de Lázaro, também fez uma publicação em suas redes explicando o ocorrido. Ela conta que nunca esperava que algo assim fosse acontecer em sua vida, mas um dia se deparou com montagens e conversas falsas envolvendo seu nome e sua foto. "Ele inventou que foi no motel comigo, contou para os amigos do meu namorado e o pior ainda mandou para eles print de supostas conversas entre a gente (que nunca existiram, que ele criou). Não o conhecia e ainda não o conheço mas ele entrou na minha vida como um pesadelo. Gerando para mim e para minha família uma dor inexplicável", diz o post.

O que Lázaro fez é muito sério. O tema inclusive apareceu na série 13 Reasons Why, como um dos motivos pelos quais a protagonista comete suicídio. Na trama, Justin (Brandon Flynn) tira uma foto comprometedora de Hannah (Katherine Langford) e faz os colegas pensarem que os dois fizeram sexo. O acontecimento deixa a garota "mal falada" no colégio e desencadeia uma série de acontecimentos que levam ao seu suicídio.

Felizmente, Izabela teve forçar para enfrentar seu assediador, fez uma queixa, procurou um advogado e, em uma audiência de conciliação, conseguiu que ele fosse obrigado a desmentir tudo que  havia inventado de uma forma bem pública. Mas ainda com um final feliz, a história teve uma repercussão totalmente distorcida, com a imprensa tratando Lázaro como um adolescente inconsequente, o clássico "boys will be boys".

Segundo o G1, o que Lázaro fez foi "contar vantagem a amigos", minimizando o que claramente foi um ataque à Izabela, e fazendo parecer que foi um caso de vaidade juvenil para provar masculinidade. Lázaro não só fez montagens implicando que ela teria feito sexo com ele, como espalhou os boatos entre os amigos do namorado dela, numa clara tentativa de difamá-la. Ou seja, não era para "contar vantagem". O objetivo dele era difamá-la.

Entenda o caso do cara que difamou uma mulher e teve que se retratar no Facebook

Já o Estadão chamou Lázaro, que tem 26 anos de idade, de "garoto", disse no título que o ele inventou um "caso amoroso", romantizando o assédio. Além disso, a reportagem usou uma foto genérica de um banco de imagens, com um menino envergonhado, para ilustrar a matéria, colocando Lázaro em posição de vítima.

Entenda o caso do cara que difamou uma mulher e teve que se retratar no Facebook

Está na hora da imprensa parar de passar a mão na cabeça de homens brancos que assediam mulheres. Se fosse um homem negro, ele não teria o "luxo" de ser chamado de "garoto" ou de ter seu crime categorizado como "contar vantagem" sobre "caso amoroso". E eu nem preciso mencionar como a mídia trata mulheres que acusam seus estupradores. 

MELHOREM.

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.