Coluna -Por que precisamos de feminismo?
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Sororidade nociva e o prejuízo de nunca questionar outras mulheres

Micheli Nunes
há 7 meses214 visualizações


Sororidade, termo muito usado dentro do feminismo online, significa irmandade entre mulheres. Uma espécie de aliança, ou pacto de confiança, que incentiva garotas a se ajudarem mais e a julgarem menos umas às outras. Mas hoje quero falar sobre o que NÃO é sororidade.

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Se você participa ativamente de grupos feministas nas redes sociais, sabe do que eu estou falando. Com a popularidade crescente do feminismo, cada vez mais garotas aderem ao movimento e se juntam a grupos organizados, tanto em escolas e universidades, quanto nas redes sociais. O que é maravilhoso. Mas dentro desses espaços "seguros", vem crescendo uma noção completamente errada e banalizada do que é sororidade. A palavra virou sinônimo de escudo contra qualquer crítica ou opinião diversa.

Sabemos que o feminismo abrange um conjunto enorme de movimentos políticos, sociais, ideologias e filosofias, que frequentemente divergem entre si. Além da ideia básica da busca pela igualdade política, social e econômica de ambos os sexos, praticamente todos os assuntos abordados dentro do feminismo encontram divergências, então é praticamente certo de que se você se envolve com um movimento feminista, vai se deparar com alguém que tem opiniões diferentes de você. E se você é branca e de classe média, certamente vai ser convidada a rever seus privilégios. O que é saudável e necessário.

Mas na hora das críticas logo aparece o famoso grito de "cadê a sororidade, manas?". E a pessoa que criticou corre o risco de sofrer bullying, ser acusada de não ser feminista e até de ser exposta na internet. Além dos problemas óbvios, esse tipo de atitude tende a manter o debate em um nível muito raso.

Vamos estabelecer uma coisa aqui. Feministas não são obrigadas a amar todas as mulheres incondicionalmente. Podemos (e devemos) criticar umas às outras e questionar comportamentos que consideramos errados, desde que façamos isso com respeito e sem apelar pra artimanhas machistas. Quando a sororidade é seletiva e só serve pra se proteger e defender mulheres que pensam igualzinho a você, o termo se esvazia de sentido. 

Ainda somos oprimidas social e politicamente e ainda sofremos todo tipo de violência simplesmente pelo fato de sermos mulheres. O feminismo é fundamental na nossa luta diária contra a opressão, e fornece um espaço onde nossa voz é ouvida e onde somos livres para expor nossas opiniões. Mas isso não significa que sempre estaremos certas apenas por sermos mulheres. Sorrir e incentivar qualquer coisa que uma mulher diga, sem discernimento, é tratá-la como uma criança. E não aceitar que outra pessoa discorde de você é agir como criança. Essa condescendência e infantilização das mulheres, que vem disfarçada de "sororidade", acaba se tornando uma forma de silenciamento.

A noção de sororidade é importantíssima para acabarmos com um dos pilares mais antigos do machismo, a rivalidade entre mulheres, que é imposta de diversas maneiras nas nossas vidas desde que aprendemos a falar. Mas discutir racionalmente não significa necessariamente que você está rivalizando com ninguém. E muito menos significa que você está aderindo ao time do patriarcado. Ouvir críticas e entrar em discussões onde não apenas pessoas iguais a você estão falando é fundamental para o crescimento emocional e intelectual de todas nós. E é importantíssimo colocarmos à prova nossas opiniões, principalmente se queremos praticar um feminismo mais inclusivo.

5 maneiras da sua empresa comemorar o Dia da Mulher sem ser machista

Micheli Nunes
há 7 meses134 visualizações
5 maneiras da sua empresa comemorar o Dia da Mulher sem ser machista
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O dia 8 de Março tem algumas tradições péssimas que estão gradualmente caindo em desuso, mas uma delas parece que realmente não vai acabar tão cedo: as "homenagens" de algumas empresas para suas funcionárias. Já trabalhei em empresas que promoviam ações vazias, como dar flores, balões e chocolates, e até ofensivas, como dar esmaltes, batons e "sessões de cuidados com a pele". 

Presentinhos condescendentes e produtos de beleza podem até parecer um agrado inofensivo, mas revelam a profunda ignorância da empresa sobre a data e a maneira como enxergam mulheres e suas prioridades. Esse tipo de ação mostra que as funcionárias são vistas como um enfeite, que precisam estar sempre bonitas arrumadas, não como membros essenciais da equipe. Mas nem tudo está perdido. É possível comemorar de maneira consciente, que traga reais benefícios para as "colaboradoras".

1. Promova a data com informação 

Chame mulheres para dar palestras sobre a igualdade de gênero. Nada de chamar revendedoras da Mary Kay (acreditem, acontece muito), escolha professoras, historiadoras, pesquisadoras, autoras e palestrantes focadas na questão feminina. Que tal começar com uma palestra sobre o significado do dia 8 de Março? Você sabia que a data surgiu no final do Século XIX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas femininas por melhores condições de vida, de trabalho, e do direito de voto? Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher também foram o estopim da Revolução Russa de 1917. Pensando nisso, é difícil acreditar que uma empresa possa comemorar o dia 8 dando batons de presente, não é?

2. Abra um canal para diálogo

As mulheres se sentem seguras na sua empresa? Elas sabem que se forem assediadas ou ouvirem piadas machistas têm todo o direito de reclamar com privacidade e segurança? Certifique-se disso e abra um canal para esse tipo de conversa. Coloque uma profissional de RH, de preferência uma mulher, à disposição para esses assunto de alta sensibilidade e assegure-se de ela vai garantir privacidade e segurança das funcionárias. Uma caixa de correio confidencial também pode ser uma opção. Lembrando que os casos reportados precisam ser investigados e resolvidos.   

3. Ofereça mudanças que realmente importam

Caso a empresa tenha detectado um problema na maneira como as mulheres são tratadas, é hora de agir. Oficinas educacionais, palestras e punições reais para transgressores precisam ser colocadas em prática. 

Além disso, é fundamental perceber as necessidades específicas de suas funcionárias, assegurando o bem-estar delas em sua empresa. Proporcionar espaço para que mães que amamentam possam tirar o leite, com higiene e discrição e longe do banheiro, é essencial. Oferecer a possibilidade de trabalho em home-office durante alguns dias da semana, especialmente para mães solo, também é uma ótima maneira de mostrar apreciação pelas mulheres.

4. Conte a história delas

Ouça a história de suas funcionárias e das mulheres da vida delas, e abra espaço para que elas compartilhem com os colegas. Que tal uma semana de histórias de mulheres reais? Isso pode ser feito através de palestras ou de uma newsletter promovida pelo RH. Muitas vezes não nos damos conta do quanto as mulheres ao nosso redor têm para acrescentar em nossas vidas, ou do quanto a jornada delas é inspiradora e interessante. É uma boa maneira de mostrar que mulheres da sua empresa são ouvidas e apreciadas.

5. Cheque suas responsabilidades

Claro, nada disso vai funcionar se sua empresa tem sujeira embaixo do tapete. Dos cargos mais altos, qual a porcentagem de mulheres em relação aos homens? A faixa salarial para mulheres e homens desempenhando o mesmo trabalho é a mesma? Se sua empresa só tem homens na diretoria e paga menos para mulheres, é preciso começar a corrigir essas discrepâncias antes de querer homenagear as funcionárias, ou vocês abrem uma enorme janela para serem criticados por hipocrisia e machismo. Claro que coisas assim não podem ser resolvidas do dia para a noite, mas é hora de implementar programas para assegurar a igualdade. A Longo prazo, priorizem a promoção de mulheres e aumentos salariais pontuais com o objetivo de equiparação. Enquanto isso, nada de rosas.

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.