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Clamor pela demissão de Johnny Depp viraliza no Twitter

Micheli Nunes
há 4 meses8.5k visualizações
Clamor pela demissão de Johnny Depp viraliza no Twitter
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Depois de ser acusado de violência doméstica pela ex-mulher, que foi fotografada com o rosto roxo, e aparecer em um vídeo sendo verbalmente abusivo, o ator Johnny Depp já estava com a imagem bastante desgastada, mas era só o começo. Uma série de escândalos envolvendo seu nome foram surgindo por todos os lados no último ano, incluindo uma declaração de falência, a demissão de sua agente, um processo contra seus consultores financeiros e a exposição de seus hábitos excêntricos e milionários. Mas o ápice da impopularidade do ator está acontecendo agora mesmo, com a hashtag #FireDepp (#DemitaDepp) bombando no Twitter.

Apesar de todos os seus atos questionáveis, e inclusive criminosos, ironicamente, a gota d'água no mar de escândalos aconteceu na última quinta, no festival de Glastonbury, na Inglaterra, quando o ator fez uma piada sobre matar Donald Trump. "Quando foi a última vez que um ator matou um presidente", disse ele, referindo-se ao assassinato de Abraham Lincoln, que foi executado por um ator. "Talvez seja hora disso acontecer de novo", completou Depp, enfurecendo os defensores de Trump. 

Logo Depp publicou MAIS UM pedido de desculpas. Porém, a internet não perdoa, e a hashtag #FireDepp chegou aos trending topics neste sábado. Os tuítes dirigiam-se à Disney, que acaba de lançar mais um filme da franquia Piratas do Caribe com o ator no papel principal, e à JK Rowling, que teve o ator como vilão do longa Animais Fantásticos e Onde Habitam, do universo de Harry Potter. Conservadores, liberais, feministas, pessoas de direita e esquerda voltaram-se contra o ator, que conseguiu a façanha de enfurecer todo mundo ao mesmo tempo. 

Pois é, parece que dificilmente o antes queridinho do público conseguirá recuperar sua imagem.

É 2017 e profissionais da comunicação ainda subestimam youtubers

Micheli Nunes
há 4 meses6.2k visualizações
É 2017 e profissionais da comunicação ainda subestimam youtubers
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Um dos assuntos mais batidos entre profissionais da comunicação hoje, especialmente dentro do jornalismo cultural, é a "invasão" dos chamados "youtubers". E a conversa geralmente vem com um enorme preconceito, que passa do "estou velho demais para isso" e inevitavelmente chega ao "os jovens de hoje só consomem porcaria". Mas no seu 12º ano de existência, o YouTube não criou apenas um império bilionário, criou uma salvação para muitos dos modelos decadentes de comunicação.

É verdade que muitas marcas e agências já enxergam esse potencial e trabalham com os youtubers mais populares na divulgação de suas marcas, mas mesmo esses players ainda não parecem enxergar o que é o YouTube. Eles entram nesse universo como turistas, de camisa florida e óculos de sol, querendo falar a língua dos nativos. Não dá pra querer usufruir do alcance do YouTube sem entender e principalmente CONSUMIR o que ele oferece.

O primeiro ponto importante é saber que o YouTube é uma plataforma e enxergá-lo dessa maneira. É uma ferramenta de comunicação, assim como o rádio e a TV, mas com possibilidades infinitamente maiores. Então esse estereótipo de "youtuber" que foi construído com a cultura dos "digital influencers" é apenas a ponta do iceberg. Achar que Youtuber é tudo Kéfera é o mesmo que resumir a história da TV ao Domingão do Faustão.

O que hoje chamamos genericamente de vlog - aquele conteúdo não roteirizado, estilo "oi meninas, essa é a minha vida" - é sim uma parte do conteúdo do Youtube, e o interesse que essas "banalidades" desperta nas pessoas é no mínimo intrigante. Mas o Youtube é INFINITAMENTE MAIOR que isso.

O "conteúdo premium" - séries, reportagens, documentários, curta-metragens, aulas e debates, só pra citar alguns - hoje disponível na plataforma é INESTIMÁVEL. É uma revolução digital de conhecimento que (salvo exceções) estamos tragicamente subestimando. Quem fala inglês e tem internet tem acesso a uma infinidade de conhecimento, intercâmbio cultural e entretenimento que não dava nem pra imaginar há poucos anos. Mas mesmo o conteúdo nacional (e de outros países que falam português) já é riquíssimo. E É GRATUITO!

Por ser uma plataforma democrática - à medida que a pessoa tenha uma câmera, um computador e acesso à internet - o Youtube é o que temos de melhor em representatividade e inclusão. É o que mais se aproxima do ideal de igualdade com que nós sonhamos. Pra quem consome YouTube, a ideia de que a Netflix é "inclusiva" é risível.

Sim, a cultura dos "digital influencers" que cresce no Youtube pode ser extremamente tóxica. Principalmente se levarmos em conta que temos crianças e adolescentes se submetendo a um nível de exposição que ainda não conseguem compreender. É uma coisa com a qual ainda não sabemos lidar como sociedade, mas estamos aprendendo. E sim, você acha muito conteúdo ruim lá dentro, mas esse é o preço da pluralidade. E ninguém é obrigado a ver conteúdo que não agrada, é só procurar algo diferente.

Reduzir "youtuber" a um termo pejorativo é uma enorme injustiça, mas virou norma no meio do jornalismo cultural. Parte disso é rancor porque o jornalismo tradicional, antes tão glamurizado, perdeu o espaço pra um cara que faz vídeo sozinho no quarto. Mas isso também vem de um senso de autoimportância e falta de autocrítica que faz o jornalistão acreditar sem sombra de dúvida que o que ele tem pra dizer é mais relevante. E talvez não seja! Não pra esse público. Não pra esse fim. 

A distribuidora que escolheu dar uma entrevista exclusiva do ator famoso para um youtuber de 20 anos com um milhão de seguidores, e não para o repórter com 15 anos de experiência num jornal que tem tiragem de 50 mil, talvez tenha bons motivos para isso. E talvez seja hora de parar de pensar em você, profissional da imprensa, como um funcionário intelectual e começar a pensar como marca, principalmente porque temos uma mídia tradicional cada vez mais sucateada, e uma plataforma outra que permite ao produtor monetizar o próprio conteúdo. Onde está o seu público hoje e onde ele estará em 10 anos? Onde ele consome conteúdo e que empresas estão pensando nisso?

Hoje eu consumo mais YouTube do que TV e Netflix. E a maior parte do que eu consumo é conhecimento. É lá que eu encontro aulas de espanhol, caligrafia, desenho, culinária, política e... CINEMA. Sim, eu sou especializada em cinema, tenho educação formal, e sempre recorro ao Youtube pra aprender mais. E falo sem pestanejar que lá eu encontro um conteúdo muito mais relevante do que um MONTE de pós-graduações caríssimas e superestimadas.

E só pra deixar um gostinho aqui, vejam esse vídeo (em inglês) da Lindsay Ellis sobre Mel Brooks, o "politicamente incorreto" e o famoso "limite do humor", assunto TÃO DISCUTIDO nos últimos 5 anos. É de longe o melhor conteúdo que eu já encontrei sobre o tema, e de longe uma das melhores análises jornalísticas sobre um perfil que eu já vi.

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.