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Mulheres dominaram o primeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones

Micheli Nunes
há 3 meses5.1k visualizações
Mulheres dominaram o primeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones
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SPOILERS

Os episódios iniciais das temporadas de Game of Thrones geralmente são um "quem está onde, fazendo o que", sem muitos eventos importantes, mas a sétima temporada começou com mais ação do que o esperado, especialmente para o elenco feminino. A série, que já foi bastante criticada pela maneira como conduz as mulheres na narrativa, e pela divisão do espaço de tela entre os atores e as atrizes, parece estar correndo atrás do prejuízo, e a gente agradece.

Arya Stark brilhou soberana, usando o rosto de Walder Frey (que ela matou na última temporada), para envenenar basicamente todos os Freys e vassalos que participaram do Casamento Vermelho. A garota disse as palavras "o Norte se lembra", mostrando que sua missão nessa temporada será realmente de vingança. Diferentemente do que os fãs esperavam, ela segue para o sul, na direção de Porto Real, em vez de ir para o Norte, o que significa que uma reunião Stark ainda não está nos seus planos.

Mulheres dominaram o primeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones

Meera Reed, que arrasta Bran pelo norte da Muralha há um tempão, aparece EXAUSTA chegando a Castelo Negro com o garoto, que agora é o Corvo de Três Olhos. A jovem nem queria ir para além da Muralha, mas foi convencida pelo irmão, e agora carrega sozinha o fardo - literalmente - de cuidar de Bran. Quem acompanha os livros, ou se lembra da primeira temporada, sabe dos enormes perigos de além da Muralha, por isso Meera merece uma menção honrosa (e um descanso). 

Mulheres dominaram o primeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones

Em Winterfel, Jon prepara os seus vassalos para enfrentar os caminhantes brancos e diz que não apenas os homens devem lutar, mas também as mulheres. Um dos lordes do Norte questiona se deve dar uma espada na mão de sua neta, ao que Lyanna Mormont prontamente responde que não vai ficar tricotando enquanto homens morrem por ela, provando de uma vez por todas que ela é A RAINHA DA PORRA TODA. Sabemos que a personagem está ali para agradar aos fãs, mas mesmo assim o impacto de uma garotinha enfrentando um senhor barbado, e exigindo o respeito que a posição dela demanda, é uma maravilha de se ver. MANDA MAIS LYANNA QUE TÁ POUCO.

Mulheres dominaram o primeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones

Sansa, uma das personagens com o mais acentuado arco de desenvolvimento da série aparece mais madura, questionando Jon por perdoar Ned Umber e Alys Karstark, filhos dos traidores que morreram lutando por Ramsay. Ela pede que o meio-irmão seja mais esperto que Ned e Robb, e alguém precisava dizer isso! Os dois personagens morreram pela própria tolice, mas muitos fãs ainda teimam em reconhecer suas falhas, colocando a culpa dos seus infortúnios em mulheres (inclusive na própria Sansa, que é sempre acusada pela morte do pai, mesmo que na época tivesse apenas 13 anos). E a maturidade da personagem é mostrada também na interação com Mindinho, que mostrou mais uma vez seu interesse por Sansa, mas levou um "senta lá Petyr".

Mulheres dominaram o primeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones

Cersei, que na última temporada matou boa parte da corte e de seus aliados, se encontra em uma situação muito complicada. Com inimigos por todos os lados, ela mostra que ainda não se tornou de fato a Rainha Louca, e procura Euron Greyjoy (o provável grande vilão da temporada) para uma aliança. Mesmo em uma situação de total desvantagem, Cersei mantém o carão e age como se os sete reinos estivessem de fato sob o seu comando. Jaime, por outro lado, aparece completamente submisso à irmã/amante, uma total descaracterização do personagem.

Mulheres dominaram o primeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones

E a personagem mais importante do episódio teve apenas alguns minutos de tela e só disse três palavras, mas protagonizou uma cena poderosa. Daenerys, que passou a vida fugindo e se escondendo em outro continente, nasceu em Pedra do Dragão, numa época em que nem se cogitava que ela fosse herdar o trono, já que havia muitos homens Targaryen acima dela na linhagem real. Seu objetivo sempre foi voltar pra casa, e depois de sete temporadas ela finalmente pisa na areia fria de Westeros, pra encontrar seu castelo abandonado (depois da morte de Stannis Baratheon).

Dany segura a emoção na frente de seus vassalos, percorre os castelo empoeirado, derruba o estandarte de Stannis e passa pelo trono, direto para a sala de conferências que tem a mesa em forma de mapa. A poderosa frase - "Devemos começar?" - indica que a guerra já vai estourar e dá o pontapé oficial nessa temporada, que tem tudo para ser cheia girl power.

Doctor Who finalmente tem uma DOUTORA, mas o que isso significa?

Micheli Nunes
há 3 meses5.6k visualizações
Doctor Who finalmente tem uma DOUTORA, mas o que isso significa?
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A BBC anunciou que a 13ª regeneração do Doutor será, pela primeira vez na história, uma mulher. Precisamente a atriz Jodie Whittaker, que talvez seja mais conhecida pelo episódio "The Entire History of You", de Black Mirror (aquele em que todo mundo grava tudo em um chip atrás da orelha). Mas mesmo em 2017, o anúncio veio com um volume considerável de controvérsia. O que isso significa para a mais longeva série de ficção científica da TV? Vamos analisar essas e outras questões do fandom sobre a escolha inédita.

'PODE ISSO ARNALDO?'

PODE! Regeneração em diferentes gêneros É CANON em Doctor Who! Ou seja, faz parte da história "canonizada", oficial. Isso sempre foi especulado pelos fãs, desde a década de 60, e com a retomada da série, diversas evidências apontam para isso. Quando o doutor de David Tennant regenera para o de Matt Smith, o personagem brevemente acha que é uma mulher por causa do cabelo longo. No episódio Hell Bent, da nona temporada, o Doutor atira em um general de Gallifrey, que então se regenera em uma mulher (a atriz T'nia Miller). Então a resposta é SIM, dentro da série isso sempre foi possível, e não, não foi inventado de uma hora para a outra.

'É A PRIMEIRA MESMO?'

Sim e não! Oficialmente, dentro do canon da série, é a primeira vez que uma mulher se junta ao panteão de doutores. Mas em uma comédia produzida pela BBC em 1999, chamada Doctor Who: The Curse of Fatal Death, o doutor, interpretado por ninguém menos que Mr Bean (Rowan Atkinson), regenera na forma feminina, interpretada pela atriz Joanna Lumley. Não está dentro da timeline oficial da série, mas é um especial da BBC. O episódio, no entanto, é sempre lembrado principalmente pelas piadinhas sexistas do roteiro.

'MAS TRADICIONALMENTE O DOUTOR É HOMEM!'

E DAÍ? Isso não significa NADA, especialmente numa série conhecida por ser inovadora e ousada. O próprio conceito regeneração já é uma quebra de paradigma. E por mais que Doctor Who seja inovadora em vários aspectos, a dinâmica de um herói centenário com uma sidekick jovem e atraente é atrasada e baseada em arquétipos sexistas. O primeiro doutor, um velho sábio e professoral, ensinava sobre o universo para sua neta, uma jovem ingênua e atrevida. Depois, com a chegada de doutores mais jovens e atraentes, a dinâmica entre o protagonista e sua companion foi mudando para um relacionamento mais romântico, e talvez ainda mais problemático. Afinal, o que um faz um alien com centenas de anos se atrair por uma jovem humana com menos de 20? Alguns argumentam que essa tensão sexual contribuía para a trama, mas a boa parte do fandom sempre desaprovou esses romances. O doutor de Capaldi quebrou essa corrente, para o alívio dos fãs, mas o personagem principal ainda era um homem, assim como todos os showrunners e a maioria dos roteiristas.

'UMA MULHER NO PAPEL PRINCIPAL VAI MUDAR ALGUMA COISA?'

SIM! Representatividade importa! Especialistas e pesquisas afirmam que o apagamento e a relegação de certos grupos na mídia diminui a autoestima e aumenta níveis de depressão desses grupos. Em contrapartida, quando se coloca mulheres e pessoas não brancas em papéis que são tradicionalmente de homens brancos, passa-se a poderosa mensagem de que essas pessoas são relevantes, e que podem ser donas da narrativa. Além disso, para uma série que tem 35 temporadas e um filme, ter uma protagonista que altera TODA  dinâmica da narrativa é empolgante e abre novos caminhos. E essa infinidade de possibilidades é a marca registrada de Doctor Who.

E é bom lembrar que a maior parte do fandom de Doctor Who é composta por mulheres, de todas as idades. A maioria delas cresceu querendo ser o Doutor, mas acreditando que seu lugar é como companion. Não que as companions não sejam INCRÍVEIS, mas faz toda a diferença ser a dona da história.

'MAS O PÚBLICO VAI REJEITAR ESSA DOUTORA!'

Sempre que um protagonista querido deixa a série e um ator novo é anunciado a reação da maior parte do fandom é de luto e rejeição. Isso aconteceu quando Christopher Eccleston deu lugar a David Tennant, quando Tennant deu lugar a Matt Smith, e quando Smith deu lugar a Peter Capaldi. É inevitável! E Capaldi foi provavelmente o mais odiado de todos, justamente por quebrar a linhagem de doutores jovens e atraentes. PORÉM, a BBC sabe o que faz quando se trata de casting. Em poucos episódios os novos Doutores são sempre abraçados pelos fãs. Tudo o que é preciso é uma BOA HISTÓRIA.

'ISSO É SÓ PRA AGRADAR FEMINISTAS'

Ok, tecnicamente é "culpa das feministas"mas não pelos motivos que as pessoas que estão reclamando pensam. O movimento feminista mudou a sociedade de várias maneiras, desde o direito ao voto até uma maior presença feminina em todas as instâncias sociais, inclusive dentro do fandom de Doctor Who, que é majoritariamente femininoIsso faz com que seja cada vez mais difícil justificar o fato de que o protagonista seja sempre um homem. Simplesmente não existe um bom motivo pra isso, especialmente em ficção científica! Por que é possível aceitar que um saleiro gigante com um desentupidor de pia como arma seja a raça mais perigosa do universo, e ao mesmo tempo é TÃO DIFÍCIL aceitar que uma mulher possa salvar o mundo?

'TÁ MAS EU SOU MULHER E QUERO TER O DOUTOR COMO CRUSH!'

Falando por experiência própria, não tem NADA de errado em ter crush numa mulher. Especialmente se ela for a Doutora. Mas entendo que ter um cara bonitão pra admirar é sempre 10/10, só que esse cara não precisa ser o protagonista! Companions atraentes sempre estiveram por aí, e os homens heterossexuais nunca reclamaram que elas não eram as personagens principais. É só botar um companion gatinho ou voltar com o Capitão Jack Harkness que os seus problemas acabaram!

'OK, OK! MAS EU NÃO QUERO QUE O DOUTOR SEJA MULHER!'

Aí já é um problema seu, né, meu anjo?

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.