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Escritora é vítima de estupro em Uber e cria campanha de apoio a outras vítimas

Micheli Nunes
Yazar
Micheli Nunes
Escritora é vítima de estupro em Uber e cria campanha de apoio a outras vítimas

Infelizmente não vivemos em um mundo seguro para mulheres. A cada 11 minutos um estupro é reportado no Brasil e, segundo pesquisas do IPEA, apenas 10% dos casos chegam a ser notificados. Ou seja, o número é 10 vezes maior do que o que a polícia registra. Estatísticas da ONG Rainn apontam que uma em cada seis mulheres sofrerão pelo menos uma tentativa de estupro durante a vida. Ontem a escritora Clara Averbuck se tornou parte dessa estatística.

Clara foi vítima do abuso ao voltar para a casa de Uber. Segundo seu relato em um post do Facebook, o motorista se aproveitou ao perceber que Clara estava embriagada. Ele a empurrou pra fora do carro e enfiou a mão por dentro da roupa dela com a desculpa de estar "ajudando", e ao ser confrontado agrediu a escritora, que está com hematomas no rosto.

Clara, que é feminista e ativista, já havia sido vítima de estupro na adolescência e hoje ajuda outras mulheres a lidarem com o trauma de se tornarem vítimas. "Estou decidindo se quero me submeter à violência que é ir numa delegacia da mulher ser questionada, já que a violência sexual é o único crime que a vítima é que tem que provar. Não quero impunidade de criminoso sexual mas também não quero me submeter à violência de estado. Justamente por ter levado tantas mulheres na delegacia é que eu sei o que me espera", desabafou ela.

Diante da denúncia, a Uber afirmou que condena qualquer tipo de violência contra mulheres. "O motorista parceiro foi banido e estamos à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações. Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher", disse um comunicado da empresa à imprensa. 

Além de denunciar o motorista, Clara criou também uma campanha para que as vítimas de abusos em serviços de transporte, seja Uber, taxi ou qualquer outro, não tenham vergonha de denunciar. "Que meu caso sirva para que outras mulheres não tenham medo de expor o acontecido. Que não se culpem. A polícia é despreparada para lidar com essas questões delicadas. É por isso que, coletivamente, pensamos na campanha #MeuMotoristaAbusador e #MeuMotoristaAssediador", escreveu Clara em uma coluna na revista Claudia.

A hashtag já tem centenas de compartilhamentos nas redes sociais, onde mulheres contam suas próprias histórias de horror.

Lembrem-se: a culpa não é sua. A culpa não é nossa.