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Coleções "plus size" são um embuste da indústria da moda

Micheli Nunes
há 25 dias1.6k visualizações
Coleções "plus size" são um embuste da indústria da moda
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Imagem: Clark Street Mercantile

Volta e meia uma loja de fast fashion ou um estilista badaladinho anunciam uma coleção "plus size". Tem propaganda no Facebook, tem matéria nas revistas femininas, tem vídeo no youtube e tem até depoimento emocionado de alguma mina desconhecida. E todo mundo: "nossa, que maravilhoso", "finalmente", "LACROU marca fulana de tal". E assim nós acabamos com a gordofobia na indústria da moda, não é mesmo?

NÃO.

Esse papinho de lançar coleção plus size não passa de uma estratégia barata de marketing. E pior, uma que não traz nenhum benefício real para pessoas gordas. E o problema já começa com o termo plus size e com o que a indústria considera "plus". Na teoria é considerado "plus" qualquer tamanho acima do 46, mas na prática já é complicado achar qualquer coisa maior que 42 nas lojas. E nas passarelas a coisa fica ainda pior, com ZERO modelos que usam um número maior que o 36.

A palavra "plus" é de língua inglesa, e descreve algo que foi adicionado. Uma coisa A MAIS. "Plus size" seria um tamanho "a mais". Mas "a mais" do que? Do padrão? Do normal? Do aceitável? Isso é ofensivo e não faz sentido, principalmente levando em conta que as formas estão cada vez menores, e que dentro dos tamanhos "normais" já existe o P, o M e o G. Isso coloca mulheres e meninas que usam desde o 44 (que desse tamanho nem devem ser consideradas gordas) num grupo totalmente excluído. 

Quando uma loja de fast fashion ou um estilista fazem uma "coleção plus size", eles passam a clara mensagem de que todas as suas outras coleções não são para mulheres gordas. Nas lojas de departamento eles ainda têm a cara-de-pau de colocar todas essas roupas "plus" num cantinho, como se fosse um gueto. "Aqui, gorda! Isso aqui é pra você. Aqui você pode, no resto da loja... veja bem... não".

Essas coleções servem apenas para dar publicidade para a marca, dando a impressão de que é desconstruída e inclusiva, quando não é. Pessoas gordas são pessoas, não são alienígenas. Não temos três cabeças e cinco pernas. Todas as roupas das suas coleções normais serviriam perfeitamente em nós se viessem em tamanhos um pouquinho variados.

Em vez de fazer uma coleção especial e um enorme alarde publicitário, as marcas poderiam apenas aumentar suas numerações. Fazer algumas peças de todos os tamanhos. Os estilistas precisam colocar mulheres de todos os tamanhos nas passarelas. Isso é inclusão. Separar um cantinho, uma data, um gueto para pessoas que vestem mais do que 42 não é. É justamente o oposto de inclusão.

Apesar da dificuldade, sempre nos viramos para encontrar roupas estilosas que caibam em nós nesse mundo gordofóbico da indústria da moda. Não precisamos que as marcas lancem cinco peças sem graça uma vez por ano (em numerações que muitas vezes não passam do 48) e nos digam que VAI TER GORDA ESTILOSA SIM. Adivinhem só. Sempre teve gorda estilosa. Não graças a essas marcas. E ninguém vai ganhar biscoito por não fazer nem a obrigação.

'Oi, não vou trabalhar hoje, acordei meio bissexual'

Micheli Nunes
há um mês774 visualizações
'Oi, não vou trabalhar hoje, acordei meio bissexual'
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Imagem: Ugur Akdemir 

Em mais um episódio de QUE ANO É HOJE???, a Justiça Federal permitiu, em caráter liminar, que psicólogos possam "tratar" gays e lésbicas como doentes, e possam fazer terapias de “reversão sexual” sem sofrer nenhum tipo de reprimenda do Conselho Federal de Psicologia. Esse tipo de tratamento foi proibido em 1999, já que desde 1990 a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde. "E qual o problema com isso?", você pode perguntar. O problema é que tratar como doença uma coisa que é perfeitamente normal e saudável, em um grupo que já é marginalizado, tem consequências catastróficas. 

Tentativas de suicídio entre pessoas LGBTs já são muito mais altas do que a população cis hétero em geral, e isso é diretamente relacionado ao fato de que muitas dessas pessoas não são aceitas por suas famílias, amigos e colegas, e ouvem o tempo todo que tem algo errado com elas e que vão para o inferno. Homossexuais e bissexuais, quando aceitos por suas famílias, são pessoas muito mais felizes e psicologicamente saudáveis. 

Na Suécia, um dos países mais avançados nos direitos LGBT no mundo, homossexualidade deixou de ser considerada uma doença em 1979. Dizem algumas fontes que nesse mesmo ano, antes dessa resolução ser adotada, pessoas LGBT protestaram em todo o país deixando de ir trabalhar e ligando para as empresas dizendo que queriam o dia livre porque estavam "se sentindo gay". Não há registros de que essa história seja verdade, mas é uma excelente ideia. 

'Oi, não vou trabalhar hoje, acordei meio bissexual'

Pessoas LGBT formam, em média, 16% da população, de acordo com uma série de estudos realizados no Brasil e nos Estados Unidos. Isso sem contar as pessoas que ainda estão "no armário". E já que a nossa justiça, e um pequeno grupo de psicólogos, continua tratando homossexualidade e a bissexualidade como doença, sugiro que todos nós façamos o mesmo protesto dos suecos. Vamos todos pegar atestados e parar de trabalhar até que a nossa existência seja respeitada.

#FicaaDica

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.