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Consertamos os 'Mandamentos de uma Princesa', da Sarah Sheeva

Micheli Nunes
há 6 meses3.0k visualizações
Consertamos os 'Mandamentos de uma Princesa', da Sarah Sheeva
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Sarah Sheeva no programa da Tatá Werneck 

Já faz um tempo que a filha mais velha de Baby do Brasil e Pepeu Gomes enveredou pelos lados neopentecostais da vida. A "pastora Sarah Sheeva", como agora é chamada, lançou lá por 2003 um "Culto das Princesas", no qual basicamente fala que qualquer mulher que não é 100% celibatária até o casamento é uma "cachorra". Ela própria conta que nem beija na boca há 12 anos porque espera o homem perfeito. ENTÃO TÁ, NÉ? 

Consertamos os 'Mandamentos de uma Princesa', da Sarah Sheeva

Recentemente a agora pastora loura decidiu relançar o tal do culto e aparentemente tem gente que realmente a leva a sério! Ela inclusive foi convidada para ir a diversos programas de TV. E já que esse slutshaming todo está ganhando espaço, resolvemos resgatar os "Mandamentos de uma Princesa" e dar uma melhorada geral neles.

Afinal, quem quer ser princesa se podemos ser rainhas?

OS MANDAMENTOS DE UMA RAINHA

1 - Tudo bem arrumar homem, se quiser. Mulher também. Rainhas arrumam o que querem quando querem.

2 - Pode beijar na boca quando quiser, tá liberado pras rainhas!

3 - Sexo também pode, sempre que quiser (desde que seja entre adultos com consentimento)

4 - Pecado é uma construção conservadora que muda de acordo com religião, lugar e época. É usado pra controlar as pessoas através da culpa. 

5 - A gente gostou da parte de não aceitar migalha emocional. Esse passa.

6 - Ninguém "manda" numa relação. Relacionamentos saudáveis são democráticos e construídos com base no diálogo.

7 - Que papo é esse de submissão, miga? Rainhas não são submissas a ninguém. 

8 - Use a roupa que quiser. Sempre.

9 - Esse tá de boas também, se é pra casar que seja com um cara legal! Não que você PRECISE se casar, mas vamos deixar passar!

10 - Imponha os SEUS limites. Não interessa o que tá na bíblia.

11 - Se um cara dá uns amassos e quer sexo, e você estiver a fim, vai fundo! 

12 - Não precisa chorar, também não precisa casar, e se casar com a pessoa errada, sempre temos divórcio!

'Não sei se te beijo ou te bato' - A normalização da violência contra a mulher

Micheli Nunes
há 6 meses1.7k visualizações
'Não sei se te beijo ou te bato' - A normalização da violência contra a mulher
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Apesar de ainda muito comum, a violência doméstica é hoje vista com maus olhos na sociedade. Estima-se que a cada 5 mulheres, 3 já tenham sido vítima de agressão pelo marido ou companheiro, mas socialmente falando, é reprovável dizer que se bate na mulher. Mas nem sempre foi assim. Até pelo menos a metade do século passado, era muito comum o clichê do "não sei se te beijo ou te bato" no cinema, protagonizado por mocinhos que se sentiam no direito de "corrigir" fisicamente seus interesses românticos. O famoso "spanking", no qual se coloca a mulher deitada de bruços no colo, enquanto se bate nas nádegas dela, era considerado um alívio cômico e até um ato de carinho.

O site Jezebel fez uma longa analise, juntando diversas cenas de filmes antigos que apresentavam esse clichê. O artigo destaca também que a prática era incentivada na sociedade, através de revistas femininas e programas de rádio, onde "especialistas" aconselhavam os maridos a corrigirem suas mulheres para "salvar o casamento". A humilhação era ainda maior quando pública, o que é bastante comum nos filmes, e considerada um "eficiente tratamento" para o que chamavam de "histeria feminina", ou seja, para corrigir mulheres que se recusavam a se comportar como os homens mandavam.

O "Não sei se te beijo ou te bato" carrega também uma relação nociva entre agressividade e afeto, e até sexualidade. Claro que os tapas não são consensuais, o que abre espaço para que os beijos - e até o sexo - também não seja. Recentemente, a cena se repetiu de maneira irônica, com Sheldon Cooper, personagem extremamente sexista de The Big Bang Theory, se oferecendo para punir sua namorada, Amy, com tapas nas nádegas. Amy, que anseia por contato físico com o parceiro frio, enxerga o ato como uma brincadeira sexual e consente com o "castigo", o que não deixa a cena nada menos desconfortável de se ver.

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.