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Já era hora! Vogue entra na campanha contra o 'anti-aging'

Micheli Nunes
há 24 dias1.6k visualizações
Já era hora! Vogue entra na campanha contra o 'anti-aging'
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Imagem: Vogue/Divulgação

Demorou, mas esse dia chegou! A Vogue brasileira decidiu abandonar o termo anti-aging (que significa anti-idade) e anunciou isso com um especial de 13 páginas falando sobre a beleza após os 50 anos, na edição que chegou às bancas nessa sexta, (29/9). "Se há algo certo na vida é que o tempo não para. Por isso, a Vogue Brasil de outubro entra em uma campanha contra o fim do uso do termo anti-aging. Envelhecer é uma etapa do 'jogo' que ninguém tem a certeza absoluta de que irá alcançar, por isso é também um privilégio – e deve ser encarado como tal", diz o site da publicação, que tem a atriz Zezé Motta entre as fotografadas. 

A ideia de toda a indústria anti-idade é fazer com que mulheres pareçam sempre jovens. A associação lógica que isso passa é a de que só jovem seria bonito e desejado, e o velho seria feio. E essa ideologia serve muito bem à indústria cosmética, que lucra bilhões todos os anos vendendo produtos ridículos, que não têm nenhuma eficiência comprovada, com a promessa de acabar com as rugas, ou, usando o eufemismo das propagandas, "marcas de idade". Isso tudo sem falar das as cirurgias plásticas e aplicações de preenchimentos e botox.

O nome disso é etarismo, ou seja, discriminação contra pessoas de uma certa idade, e é um dos preconceitos mais aceitos pela sociedade hoje, atingindo desproporcionalmente as mulheres. Temos diversas "regras" ridículas do que uma mulher pode ou não fazer depois de certa idade, e as proibições são absurdas e praticamente infinitas: não pode ter cabelo longo, não pode ser grisalha, não pode sair sozinha, não pode beber, não pode colocar salto, não pode sair sem maquiagem, não pode usar uma infinidade de roupas... e assim vai.

Já era hora! Vogue entra na campanha contra o 'anti-aging'

Imagem: Reprodução/Netflix

A representatividade nas séries e no cinema para mulheres com mais de 50 também é problemática, para dizer o mínimo. Porém, isso está mudando. A série Grace and Frankie, da Netflix, tem duas atrizes septuagenárias, Lily Tomlin e Jane Fonda, e tem feito bastante sucesso. Isso, junto com o posicionamento da Vogue, a publicação de moda mais importante do mundo, indica que novos tempos estão chegando. Ainda bem, não? 

Coleções "plus size" são um embuste da indústria da moda

Micheli Nunes
há um mês1.6k visualizações
Coleções "plus size" são um embuste da indústria da moda
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Imagem: Clark Street Mercantile

Volta e meia uma loja de fast fashion ou um estilista badaladinho anunciam uma coleção "plus size". Tem propaganda no Facebook, tem matéria nas revistas femininas, tem vídeo no youtube e tem até depoimento emocionado de alguma mina desconhecida. E todo mundo: "nossa, que maravilhoso", "finalmente", "LACROU marca fulana de tal". E assim nós acabamos com a gordofobia na indústria da moda, não é mesmo?

NÃO.

Esse papinho de lançar coleção plus size não passa de uma estratégia barata de marketing. E pior, uma que não traz nenhum benefício real para pessoas gordas. E o problema já começa com o termo plus size e com o que a indústria considera "plus". Na teoria é considerado "plus" qualquer tamanho acima do 46, mas na prática já é complicado achar qualquer coisa maior que 42 nas lojas. E nas passarelas a coisa fica ainda pior, com ZERO modelos que usam um número maior que o 36.

A palavra "plus" é de língua inglesa, e descreve algo que foi adicionado. Uma coisa A MAIS. "Plus size" seria um tamanho "a mais". Mas "a mais" do que? Do padrão? Do normal? Do aceitável? Isso é ofensivo e não faz sentido, principalmente levando em conta que as formas estão cada vez menores, e que dentro dos tamanhos "normais" já existe o P, o M e o G. Isso coloca mulheres e meninas que usam desde o 44 (que desse tamanho nem devem ser consideradas gordas) num grupo totalmente excluído. 

Quando uma loja de fast fashion ou um estilista fazem uma "coleção plus size", eles passam a clara mensagem de que todas as suas outras coleções não são para mulheres gordas. Nas lojas de departamento eles ainda têm a cara-de-pau de colocar todas essas roupas "plus" num cantinho, como se fosse um gueto. "Aqui, gorda! Isso aqui é pra você. Aqui você pode, no resto da loja... veja bem... não".

Essas coleções servem apenas para dar publicidade para a marca, dando a impressão de que é desconstruída e inclusiva, quando não é. Pessoas gordas são pessoas, não são alienígenas. Não temos três cabeças e cinco pernas. Todas as roupas das suas coleções normais serviriam perfeitamente em nós se viessem em tamanhos um pouquinho variados.

Em vez de fazer uma coleção especial e um enorme alarde publicitário, as marcas poderiam apenas aumentar suas numerações. Fazer algumas peças de todos os tamanhos. Os estilistas precisam colocar mulheres de todos os tamanhos nas passarelas. Isso é inclusão. Separar um cantinho, uma data, um gueto para pessoas que vestem mais do que 42 não é. É justamente o oposto de inclusão.

Apesar da dificuldade, sempre nos viramos para encontrar roupas estilosas que caibam em nós nesse mundo gordofóbico da indústria da moda. Não precisamos que as marcas lancem cinco peças sem graça uma vez por ano (em numerações que muitas vezes não passam do 48) e nos digam que VAI TER GORDA ESTILOSA SIM. Adivinhem só. Sempre teve gorda estilosa. Não graças a essas marcas. E ninguém vai ganhar biscoito por não fazer nem a obrigação.

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.