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'Não sei se te beijo ou te bato' - A normalização da violência contra a mulher

Micheli Nunes
há 6 meses1.7k visualizações
'Não sei se te beijo ou te bato' - A normalização da violência contra a mulher
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Apesar de ainda muito comum, a violência doméstica é hoje vista com maus olhos na sociedade. Estima-se que a cada 5 mulheres, 3 já tenham sido vítima de agressão pelo marido ou companheiro, mas socialmente falando, é reprovável dizer que se bate na mulher. Mas nem sempre foi assim. Até pelo menos a metade do século passado, era muito comum o clichê do "não sei se te beijo ou te bato" no cinema, protagonizado por mocinhos que se sentiam no direito de "corrigir" fisicamente seus interesses românticos. O famoso "spanking", no qual se coloca a mulher deitada de bruços no colo, enquanto se bate nas nádegas dela, era considerado um alívio cômico e até um ato de carinho.

O site Jezebel fez uma longa analise, juntando diversas cenas de filmes antigos que apresentavam esse clichê. O artigo destaca também que a prática era incentivada na sociedade, através de revistas femininas e programas de rádio, onde "especialistas" aconselhavam os maridos a corrigirem suas mulheres para "salvar o casamento". A humilhação era ainda maior quando pública, o que é bastante comum nos filmes, e considerada um "eficiente tratamento" para o que chamavam de "histeria feminina", ou seja, para corrigir mulheres que se recusavam a se comportar como os homens mandavam.

O "Não sei se te beijo ou te bato" carrega também uma relação nociva entre agressividade e afeto, e até sexualidade. Claro que os tapas não são consensuais, o que abre espaço para que os beijos - e até o sexo - também não seja. Recentemente, a cena se repetiu de maneira irônica, com Sheldon Cooper, personagem extremamente sexista de The Big Bang Theory, se oferecendo para punir sua namorada, Amy, com tapas nas nádegas. Amy, que anseia por contato físico com o parceiro frio, enxerga o ato como uma brincadeira sexual e consente com o "castigo", o que não deixa a cena nada menos desconfortável de se ver.

Uma província no Canadá proibiu a exigência de salto alto

Micheli Nunes
há 6 meses3.4k visualizações

Como se a gente precisasse de mais um motivo para morar no Canadá, a província  British Columbia acabou de banir a imposição do uso de salto em locais de trabalho. Em um comunicado à imprensa, o Governo explicou que a exigência não é segura, por causa do risco de lesões e o dano que o uso de salto pode causar a longo prazo.

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A decisão veio depois de uma foto que viralizou no facebook, mostrando uma mulher canadense com pés ensanguentados. Nicola Gavin, contou que os pés sangrento pertenciam à sua amiga, que trabalhava na rede de restaurantes Joye's. Depois de passar vários dias de salto alto, ela teve vários dedos cortados e chegou a perder uma unha, mas o supervisor do turno disse que ela precisava voltar a usar salto no dia seguinte. Além do sapato, a loja também exigia que as garçonetes usassem roupas brancas, que tinham que comprar por 30 dólares, enquanto os homens podiam usar roupas pretas do próprio guarda-roupa.

Uma província no Canadá proibiu a exigência de salto alto

Apesar de no Brasil a maioria dos locais de trabalho não exigir que mulheres usem salto alto, essa exigência incrivelmente não é proibida, o que faz com que algumas empresas coloquem o desconfortável acessório no dress code. E isso é ainda mais comuns em trabalhos onde a mulher precisa ficar muitas horas de pé ou andando, como o de recepcionistas e garçonetes. É importante saber que a lei trabalhista deixa claro que exigências assim devem ser feita antes da contratação. Se forem implementadas depois, podem ser consideradas abusivas.

Apesar de serem um problema prioritariamente feminino, exigências de dress code discriminatórias sempre vêm à tona na época do verão no Brasil, quando homens reclamam de serem obrigados a usar calças compridas e ternos, enquanto mulheres têm a opção de usar saias. Mas apesar da reclamação ser legítima, mulheres são muito mais cobradas sobre o que podem ou devem usar em ambientes de trabalho. Quando não pelas regras da própria empresa, por discriminação de colegas.

Em 2014, um jornalista e âncora de um jornal australiano chamado Karl Stefanovic revelou que usou o mesmo terno quase todos os dias durante um ano, o que ninguém percebeu. Ele contou que decidiu fazer o experimento depois que sua colega, Lisa Wilkinson, mostrou a ele uma série de cartas de telespectadores reclamando de suas roupas. Uns a aconselhavam a usar roupas mais reveladoras, outros, mais modestas. Um homem chegou a pedir que ela tivesse mais "estilo" e deu uma lista de tecidos e modelos que ela deveria tentar. O fato de Karl nunca ter sido incomodado é uma prova de que até na hora de escolher a roupa é difícil ser mulher no mercado de trabalho.

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.