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Uma província no Canadá proibiu a exigência de salto alto

Micheli Nunes
há 6 meses3.4k visualizações

Como se a gente precisasse de mais um motivo para morar no Canadá, a província  British Columbia acabou de banir a imposição do uso de salto em locais de trabalho. Em um comunicado à imprensa, o Governo explicou que a exigência não é segura, por causa do risco de lesões e o dano que o uso de salto pode causar a longo prazo.

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A decisão veio depois de uma foto que viralizou no facebook, mostrando uma mulher canadense com pés ensanguentados. Nicola Gavin, contou que os pés sangrento pertenciam à sua amiga, que trabalhava na rede de restaurantes Joye's. Depois de passar vários dias de salto alto, ela teve vários dedos cortados e chegou a perder uma unha, mas o supervisor do turno disse que ela precisava voltar a usar salto no dia seguinte. Além do sapato, a loja também exigia que as garçonetes usassem roupas brancas, que tinham que comprar por 30 dólares, enquanto os homens podiam usar roupas pretas do próprio guarda-roupa.

Uma província no Canadá proibiu a exigência de salto alto

Apesar de no Brasil a maioria dos locais de trabalho não exigir que mulheres usem salto alto, essa exigência incrivelmente não é proibida, o que faz com que algumas empresas coloquem o desconfortável acessório no dress code. E isso é ainda mais comuns em trabalhos onde a mulher precisa ficar muitas horas de pé ou andando, como o de recepcionistas e garçonetes. É importante saber que a lei trabalhista deixa claro que exigências assim devem ser feita antes da contratação. Se forem implementadas depois, podem ser consideradas abusivas.

Apesar de serem um problema prioritariamente feminino, exigências de dress code discriminatórias sempre vêm à tona na época do verão no Brasil, quando homens reclamam de serem obrigados a usar calças compridas e ternos, enquanto mulheres têm a opção de usar saias. Mas apesar da reclamação ser legítima, mulheres são muito mais cobradas sobre o que podem ou devem usar em ambientes de trabalho. Quando não pelas regras da própria empresa, por discriminação de colegas.

Em 2014, um jornalista e âncora de um jornal australiano chamado Karl Stefanovic revelou que usou o mesmo terno quase todos os dias durante um ano, o que ninguém percebeu. Ele contou que decidiu fazer o experimento depois que sua colega, Lisa Wilkinson, mostrou a ele uma série de cartas de telespectadores reclamando de suas roupas. Uns a aconselhavam a usar roupas mais reveladoras, outros, mais modestas. Um homem chegou a pedir que ela tivesse mais "estilo" e deu uma lista de tecidos e modelos que ela deveria tentar. O fato de Karl nunca ter sido incomodado é uma prova de que até na hora de escolher a roupa é difícil ser mulher no mercado de trabalho.

Fizeram um app para mandar desenhos de pintos, em vez de fotos

Micheli Nunes
há 6 meses84.8k visualizações
Fizeram um app para mandar desenhos de pintos, em vez de fotos
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O húngaro Gyorgy Szucs, fundador da empresa Creative Robot, inventou uma "alternativa" às famosas "dick pics", as fotos de pênis que as pessoas compartilham online. Gyorgy, que é gay, conta que criou o app como uma maneira "segura" de homens que não se sentem à vontade com sua genitália poderem mandar nudes para os crushes. Mas a coisa foi logo virando um substituto menos "agressivo" para homens héteros mandarem para mulheres. 

Segundo o criador, que deu uma entrevista ao Huffington Post, o aplicativo, chamado Dick Code, funciona da seguinte maneira: a pessoa entra no app, escolhe dentre uma enorme (realmente enorme) variedade de desenhos de pintos, gera um código e envia para outra pessoa, que apenas vê o membro quando abrir o código. O app oferece, inclusive, diversas quantidades de pêlos e diferentes maneiras de ejaculação.

Fizeram um app para mandar desenhos de pintos, em vez de fotos

A ideia de ter tanta variedade é porque até para genitais existe um "padrão de beleza", e nem todos os pênis se encaixam no que as pessoas vêem nos filmes pornôs, mas dentro do app a maioria dos homens vão se sentir representados. O mesmo vale para vaginas, que vêm em diferentes formas e tamanhos. Gyorgy contou também que 40% do público de seu app é de mulheres, o que o surpreendeu, e que em breve vai criar o app Vagina Code, e um outro chamado Sex Code, com posições sexuais diversas.

O app pode até ser bem-humorado, mas mandar fotos de pênis não solicitadas para mulheres é um tipo de assédio. E é absolutamente ineficiente no quesito paquera. Nenhuma mulher que é surpreendida com uma imagem da genitália de um desconhecido pensa "hm, quero". Nesse aspecto, o app é sim menos agressivo, mas não deixa de ser grosseiro e invasivo. Se quer mandar um nude, melhor perguntar antes. Não custa nada.

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.