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A fragilidade do homem hétero e o machismo que machuca meninos

Micheli Nunes
há 7 meses1.1k visualizações
A fragilidade do homem hétero e o machismo que machuca meninos
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Recentemente, um doutor e professor universitário (que eu escolhi não expor para evitar a fadiga) reclamou no Facebook que a professora de seu filho pediu que ele escrevesse sobre seus sentimentos. Um print do post - que já foi apagado - acabou sendo bastante compartilhado e criticado no twitter. 

A fragilidade do homem hétero e o machismo que machuca meninos

A ideia de que garotos não devam falar dos seus sentimentos é um dos maiores malefícios de uma criação machista para eles. O hábito de não demonstrar ou falar do que se sente afeta psicologicamente os meninos, que acabam por sofrer sozinhos e calados quando passam por problemas emocionais. Este é um dos principais fatores que explicariam a taxa de suicídio ser até 4 vezes maior entre homens do que entre mulheres, segundo a OMS. Além disso, meninos que não aprendem a verbalizar o que sentem tendem a usar agressividade e violência quando experimentam emoções, levando a problemas de comportamento e de relacionamentos na vida adulta.

Dizer que sentimentos são coisas de meninas é uma enorme falácia. Todos estamos sujeitos às mesmas emoções, na mesma proporção. Ver um professor universitário reproduzir esse tipo de preconceito machista em 2017 é estarrecedor. Sem mencionar a contradição do sujeito. Ao reclamar que o filho teria que escrever sobre sentimentos, o próprio autor estava justamente escrevendo sobre seus sentimentos - em um desabafo acalorado - e até expondo os sentimentos do filho, quando ele afirma que o menino acha o dever de casa humilhante. 

Enquanto reprime a pedagoga por passar um dever de casa tão "absurdo", acusando-a até de querer transformar seu filho em menina (como se isso fosse possível), o pai transmite a mensagem de que não existe espaço para diálogo em sua casa. Fica claro que quando seu filho tiver problemas, não vai ser no pai que ele vai encontrar um ombro amigo para desabafar. 

Em sua inabilidade de gerenciar os próprios sentimentos, o homem hétero inseguro tem essa necessidade de impor publicamente limites, numa constante reafirmação (ou compensação) de valores retrógrados e de uma masculinidade fictícia. Por que todo esse medo e parecer menos "homem"?

Tem um americano querendo colar vaginas! Entenda

Micheli Nunes
há 7 meses768 visualizações
Tem um americano querendo colar vaginas! Entenda
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Não, não é uma ferramenta medieval para castidade, acredite, é um suposto substituto para os absorventes! Um quiropraxista americano chamado Dan Dopps, que se autointitula doutor, mas não é médico e muito menos tem doutorado, decidiu inventar um método "inovador" de "acabar com as distrações das mulheres" durante a menstruação. Ele  desenvolveu um batom que a mulher usaria nos grandes lábios (que ficam na vagina, para os que perderam a aula de biologia), o que seguraria o sangue da menstruação dentro do canal vaginal até que a mulher fizesse xixi. A urina então "descolaria" a região, pois o produto é feito de aminoácidos, que reagem à ureia e não ao sangue. 

Tem um americano querendo colar vaginas! Entenda

O post, que já foi apagado de sua página no facebook, mas está eternizado em prints pela internet, diz: "Você já acordou com os seus lábios grudados? Não doeu e foi até divertido. Tudo o que você precisou fazer foi molhar seus lábios pelo lado de dentro com saliva e eles desgrudaram. Esse é o princípio do Mensez e uma solução revolucionária e mais segura para mulheres controlarem sua menstruação sem a necessidade de absorventes internos, externos, copos menstruais e calcinhas absorventes. Mensez é uma combinação natural de aminoácidos e óleos em um aplicador de batom que é aplicado (sic) aos lábios debaixo (sic) durante a menstruação. Ele faz com que eles grudem um no outro, com força suficiente para prevenir vazamentos até que a usuária urine. A urina instantaneamente desgruda os lábios e permite que tudo seja despejado dentro do vaso sanitário, seque e reaplique o batom Mensez. Limpo, seguro e pronto. Em breve em uma loja perto de você."

Tem um americano querendo colar vaginas! Entenda

A ideia é TÃO ingênua e revela TAMANHA falta de conhecimento sobre a anatomia e o funcionamento de uma vagina que chega a dar pena. Para começo de conversa, a ideia de colar os lábios vaginais é bizarra e perturbadora. Em segundo lugar, não é plausível grudar um lado ao outro da vagina de maneira que a menstruação não vaze. Os lábios vaginais não imitam o formato dos lábios da boca e não necessariamente se encontram nas laterais, de modo que o sangue facilmente vazaria por baixo, ou mesmo por cima. Mesmo se fosse possível, qualquer movimento das pernas desgrudaria tudo facilmente.  E, para completar, a urina não sai da vagina, e sim da uretra, que fica FORA dos lábios vaginais e não descolaria nada.

Se fosse só ignorância a gente perdoaria o "doutor", mas toda a campanha, que visa arrecadar dinheiro para a produção do "batom", é repleta de machismo. Dopps, que nunca deve ter olhado para uma vagina de perto, chegou a discutir com mulheres que foram confrontá-lo no post, dando um show de mansplaining. A uma delas, que questionou o motivo dele não ter envolvido mulheres no projeto,  ele respondeu que "menstruação atrapalha mulheres a usarem a cabeça", que "sangue menstrual pode ser nojento, grosso, fedido e incrivelmente horrível", e que o sonho dele era "libertar mulheres das distrações e dos problemas psicológicos que vêm com a menstruação".

Então tá. Eu fico com meu coletor menstrual mesmo. Obrigada.  

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.