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Revolta com notícia sobre estupro mostra que não entendemos o consentimento

Micheli Nunes
há 9 meses325 visualizações
Revolta com notícia sobre estupro mostra que não entendemos o consentimento
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Um francês na Suíça foi condenado por estupro por ter tirado camisinha sem o conhecimento da parceira durante o sexo. Ele a conheceu no Tinder e decidiram transar, daí ele colocou camisinha, mas, no meio do ato, tirou o preservativo sem que ela percebesse. No fim ela notou (vocês devem imaginar como) e o caso foi parar nos tribunais. 

Em vários países da Europa, recusar-se a usar camisinha quando o parceiro pede é legalmente proibido e considerado estupro (caso o ato sexual ocorra sem o preservativo). Então essa condenação não é nenhuma novidade. Mesmo assim, a notícia chegou por aqui e os homens ficaram desesperados com a possibilidade da "moda" pegar no Brasil. 

Essa revolta toda (que você pode ler nos comentários da notícia, por sua conta e risco), mostra que muita gente não entende nada de consentimento. Vi algumas pessoas argumentando que a mulher corria um enorme risco naquelas circunstâncias, desde uma gravidez indesejada até DSTs graves. O que é verdade, mas não é o ponto principal. O ponto é que a vontade dela e a soberania dela sobre seu próprio corpo não foram respeitadas.

Todo ato sexual precisa ter consentimento de ambas as partes. Sem consentimento, qualquer "ato libidinoso" é considerado um estupro. Mesmo se a mulher disse sim pra uma coisa, não significa que está tudo liberado. Se ela topou fazer sexo com camisinha e ele tirou a camisinha escondido, o consentimento dela não existiu. Aquele ato não teve a permissão da outra pessoa, o que configura abuso sexual. É simples.

O medo desse tipo de condenação passar a ser aplicada aqui evidencia uma coisa preocupante: os homens não estão respeitando a vontade das parceiras. Qual o medo deles? De não poderem mais se recusar a usar o preservativo? De serem obrigados a respeitar o que elas pedem?

E mesmo com todo esse alarde, no fim o homem foi condenado a 12 meses de prisão, mas conseguiu permanecer em liberdade. 

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.