Marcas que estão no século errado
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Custava atender a mina, Dom Fillipo?

Micheli Nunes
há 9 meses2.9k visualizações
Custava atender a mina, Dom Fillipo?
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A história é bem mal contada, mas pelo que entendemos, na semana passada, em Campinas, uma garota entrou na tal barbearia Dom Fillipo e pediu para cortar o cabelo. Daí a discórdia começou quando os barbeiros se recusaram a cortar o cabelo dela porque ela era... mulher. 

Aparentemente o cabelo feminino é muito diferente do masculino. Talvez mais delicado. Talvez delicado demais para as afiadíssimas e testosterônicas lâminas da barbearia. Ou talvez a cabeça feminina seja muito frágil para as enormes mãos dos barbeiros hipsters de plantão (veja na foto como eles são fortes e masculinos). Ou talvez eles simplesmente não queiram "manchar" a reputação de barbearia MÁSCULA atendendo uma mulher.

O que se passou a seguir foi registrado pela dona. Ela fez um vídeo contando que a moça, que não foi atendida, fez um escândalo, foi grossa com todo mundo e faltou com o respeito. Pelo menos é o que ela diz, mas pela cara de malvados dos barbeiros, eu tenho dificuldade em acreditar que eles se intimidaram com uma mulher sendo grossa unilateralmente. Tem também o fato de que qualquer mulher contrariada é considerada "escandalosa, exagerada, barraqueira, etc".

Mas a veracidade dos fatos não é o tema aqui. O que eu quero discutir é a (falta de) estratégia da empresa. Entendo que alguns estabelecimentos nicham seu público e definem alguns padrões para estabelecer sua marca. Mas não vejo por quê uma barbearia, especializada em cortar cabelos (e barba, que seja), escolheria excluir mais de 50% de um potencial mercado simplesmente porque "AIN, É MULHER, ECA...".

Tudo bem, entendo que os cabeleireiros não são especializados em cortes femininos, que de fato podem ser muito mais complexos, mas pelo vídeo, postado nas redes sociais da barbearia, fica claro que não foi este o motivo da recusa. A própria dona diz que o local só atende homens (cis, pelo jeito). E eu tendo a achar que a mulher em questão não queria um desfiado assimétrico em camadas, porque se fosse isso ela não ia procurar uma BARBEARIA, não é mesmo?

Agora fica aqui o questionamento: CUSTAVA ATENDER A MOÇA?

Tinha que recusar o corte, sofrer exposição nas redes sociais e depois fazer esse vídeo RIDÍCULO falando que não é machista porque é mulher? 

"Me poupe, se poupe, nos poupe"

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.