Marcas que estão no século errado
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Você colaria um acessório na cabeça do seu bebê?

Micheli Nunes
há 7 meses5.4k visualizações

Uma empresa brasileira desenvolveu uma cola para grudar acessórios na cabeça de meninas, tudo para que os pais não corram o perigosíssimo risco de sua recém nascida seja confundida com um menino.

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Você colaria um acessório na cabeça do seu bebê?

O site da empresa que desenvolveu a cola, a Babydeia, ainda está em construção, mas uma pesquisa mostra que o produto está no mercado há pelo menos dois anos, de acordo com o review de algumas mães blogueiras. O caso veio à tona quando o PlayGround BR fez um vídeo com imagens promocionais da marca e compartilhou no facebook. 

Segundo um blog, a "girlie glue", como é chamada, vem para substituir a técnica de colar o acessório usando sabonete (???). Na descrição, a empresa afirma que a cola é para mamães (porque pais obviamente não cuidam das filhas) deixarem suas princesas lindas com toda a segurança. "Às vezes na correria do dia-a-dia, não dá tempo de enfeitar e colocar uma roupinha rosa, então eu só passo a colinha, coloco o lacinho e tá tudo certo", afirma uma mãe no vídeo.

Essa história inteira é ridícula, mas é bom lembrar que não é novidade. Todo o famoso "enxoval" já é desenhado de acordo com o possível sexo da criança, e acessórios para meninas existem há séculos, inclusive brincos. A importância que alguns pais e mães dão para a divulgação do gênero do bebê, muito antes dele nascer, é uma coisa fascinante. Afinal, qual o problema de pensarem que sua filha é um menino ou vice-versa? Não basta esclarecer caso alguém pergunte? Eu hein...

Custava atender a mina, Dom Fillipo?

Micheli Nunes
há 9 meses2.9k visualizações
Custava atender a mina, Dom Fillipo?
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A história é bem mal contada, mas pelo que entendemos, na semana passada, em Campinas, uma garota entrou na tal barbearia Dom Fillipo e pediu para cortar o cabelo. Daí a discórdia começou quando os barbeiros se recusaram a cortar o cabelo dela porque ela era... mulher. 

Aparentemente o cabelo feminino é muito diferente do masculino. Talvez mais delicado. Talvez delicado demais para as afiadíssimas e testosterônicas lâminas da barbearia. Ou talvez a cabeça feminina seja muito frágil para as enormes mãos dos barbeiros hipsters de plantão (veja na foto como eles são fortes e masculinos). Ou talvez eles simplesmente não queiram "manchar" a reputação de barbearia MÁSCULA atendendo uma mulher.

O que se passou a seguir foi registrado pela dona. Ela fez um vídeo contando que a moça, que não foi atendida, fez um escândalo, foi grossa com todo mundo e faltou com o respeito. Pelo menos é o que ela diz, mas pela cara de malvados dos barbeiros, eu tenho dificuldade em acreditar que eles se intimidaram com uma mulher sendo grossa unilateralmente. Tem também o fato de que qualquer mulher contrariada é considerada "escandalosa, exagerada, barraqueira, etc".

Mas a veracidade dos fatos não é o tema aqui. O que eu quero discutir é a (falta de) estratégia da empresa. Entendo que alguns estabelecimentos nicham seu público e definem alguns padrões para estabelecer sua marca. Mas não vejo por quê uma barbearia, especializada em cortar cabelos (e barba, que seja), escolheria excluir mais de 50% de um potencial mercado simplesmente porque "AIN, É MULHER, ECA...".

Tudo bem, entendo que os cabeleireiros não são especializados em cortes femininos, que de fato podem ser muito mais complexos, mas pelo vídeo, postado nas redes sociais da barbearia, fica claro que não foi este o motivo da recusa. A própria dona diz que o local só atende homens (cis, pelo jeito). E eu tendo a achar que a mulher em questão não queria um desfiado assimétrico em camadas, porque se fosse isso ela não ia procurar uma BARBEARIA, não é mesmo?

Agora fica aqui o questionamento: CUSTAVA ATENDER A MOÇA?

Tinha que recusar o corte, sofrer exposição nas redes sociais e depois fazer esse vídeo RIDÍCULO falando que não é machista porque é mulher? 

"Me poupe, se poupe, nos poupe"

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.