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Anne Hathaway fala sobre misoginia internalizada

Micheli Nunes
há 6 meses296 visualizações
Anne Hathaway fala sobre misoginia internalizada
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Em uma entrevista com Peter Travers, para o lançamento de seu novo filme, Colossal, Anne Hathaway contou que tinha o pé atrás com a diretora Lone Scherfig, com quem trabalhou no longa Um Dia, em 2011, simplesmente porque ela era uma mulher. "Eu me arrependo de não ter confiado nela com maior facilidade, e até hoje eu temo que não tenha confiado como confiava em outros diretores homens por que ela é uma mulher. É muito difícil de admitir, mas acredito que a tratei com misoginia internalizada", contou a atriz, que afirma não ter nenhum problema com Lone em outros aspectos: "Nós nos dávamos bem, não era um problema com profissionalismo ou com amizade. Eu gosto muito dela, era simplesmente algo me prendendo, e eu sinto muito por isso". 

Anne usou esse exemplo pessoal e bastante íntimo para endereçar um problema sério que enfrentamos no mercado de trabalho, a misoginia internalizada. Quantas vezes já não ouvimos, inclusive de mulheres, que elas não gostam de trabalhar com outras mulheres?  "Quando eu recebia esses roteiros feitos por mulheres, eu focava sempre no que estava errado neles, e quando eu recebia roteiros feitos por homens eu focava no que estava errado com eles", confessou Anne, que explicou que a mudança no seu comportamento precisa ser constante: "Eu não quero fazer mais isso. Depois que eu percebi essa misoginia internalizada, eu tento voluntariamente trabalhar com mulheres diretora". 

Anne, atribuiu ao machismo o fato de termos menos mulheres em papéis de liderança no mercado de trabalho: "Nunca tive problemas confiando e me submetendo a outras atrizes, mas quando a posição é de poder eu tinha essa desconfiança. Estou ficando vermelha só de falar isso, sinto como se estivesse fazendo uma confissão, mas acho que é uma coisa da qual precisamos falar. Talvez falar sobre esse assunto faça com que outras pessoas pensem nisso também" explicou a atriz.

Assista à entrevista completa abaixo:

Iris, a fashionista de 95 anos que continua revolucionária

Micheli Nunes
há 8 meses175 visualizações

"Eu não sou bonita, nunca serei bonita, mas tenho algo muito melhor. Tenho estilo."

Iris, a fashionista de 95 anos que continua revolucionária
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Você já deve ter visto a imagem de uma senhora de cabelos curtos e brancos, óculos gigantes e muitos, MUITOS acessórios. Essa figura emblemática é Iris Apfel, uma designer de interiores americana que chegou a decorar a Casa Branca para nove presidentes e, com seu estilo único, tornou-se um ícone da moda.

Iris, a fashionista de 95 anos que continua revolucionária

Se existe uma palavra que define a linha estética de Iris, essa palavra é "acessorizar". Sempre com dezenas de penduricalhos, a fashionista não gosta da tendência minimalista - do "menos é mais" - que toma parte do cenário da moda há algumas décadas: "Eles acham que são estilosos, mas todos usam preto. Isso não é estilo, é uniforme". 

Iris possui dezenas de peças caríssimas de designers famosos em seu guarda-roupa, mas sua maior paixão são os brechós. Adora comprar pulseiras antigas e baratas e sempre faz questão de usar tudo o que compra. Seus looks peculiares chamam atenção em aparições nas semanas de moda pelo mundo, ou em exposições de suas coleções. Nessas ocasiões, a mídia não especializada trata Iris como excêntrica, mas no mundo da moda ela é idolatrada. É referência em ousadia e mistura estilos, tecidos, estampas e acessórios com maestria, sem nunca perder a fineza do todo e a direção estética.

"Não tenho nenhuma regra, porque eu só ficaria quebrando as regras. É uma perda de tempo"

Nascida em 1921, em Nova York, Iris cresceu durante a grande depressão. Formou-se pela prestigiada NYU e se especializou em artes na Universidade de Wisconsin. Por ter visto muitos tesouros familiares serem vendidos e abandonados durante a crise de 1930, ela desenvolveu um fascínio por trabalhos de restauração. Em 1948, casou-se com Carl Apfel, e juntos eles fundaram a Old World Weavers, uma das fábricas de tecidos mais luxuosas do mundo. Eles estiveram juntos até a morte de Carl, em agosto de 2015.

Iris nunca se encaixou nos padrões que lhe foram impostos. Casou-se aos 27 anos, uma idade avançada para a época. Não quis uma grande festa, concordou em uma cerimônia pequena por causa de seus pais e avós, mas sempre diz que preferia "fugir" com o noivo. Muito prática, Iris escolheu se casar em um vestido simples, cor-de-rosa, que poderia reutilizar mais tarde apenas tirando o véu. Ela até hoje guarda os sapatos de plataforma de cetim, que usa sempre que retornam à moda: "Se você espera o suficiente, tudo volta".

O casal nunca teve filhos, questão que sempre vem à tona quando a entrevistam. Iris brinca que Carl já dava trabalho suficiente, mas a verdade é que ela sempre foi uma talentosa mulher de negócios, que encontrou plenitude em sua carreira e nunca sentiu vontade ou necessidade de ter filhos. Se ainda hoje muitas mulheres tornam-se mães por pressão, a determinação de Iris, em plena década de 50, é ainda mais admirável.

No um universo opressor e potencialmente ditatorial que é a indústria da moda, uma mulher que não se curva aos padrões, envelhece sem medo e usa o que bem entende sem se desculpar é uma heroína. Com suas dezenas de pulseiras multicoloridas, Iris continua sendo uma revolucionária aos 95 anos.

Você pode saber mais sobre essa mulher sensacional no documentário Iris, dirigido por Albert Maysles (que já foi indicado ao Oscar e dirigiu o icônico Grey Gardens). Iris está disponível na Netflix e obrigatório pra quem gosta de moda.

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.