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O show da Lady Gaga foi político SIM

Micheli Nunes
há 9 meses101 visualizações
O show da Lady Gaga foi político SIM
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Com as medidas absurdas de Donald Trump, muita gente esperava que Gaga fosse fazer um show mais transgressor no Super Bowl, especialmente por ter sido uma grande apoiadora de Hillary Clinton. Acredito que a maioria concorda que a performance foi excelente, mas por mais que todos saibam que aquele espaço é cedido sob muitas regras contratuais rígidas e conservadoras, teve muita gente reclamando porque Gaga "apenas" cantou seu repertório, sem um "FORA TRUMP" sequer.

E tudo bem querer um posicionamento mais aberto, eu também queria. Mas afirmar que o show não foi político é um absurdo. A mensagem está lá, era só escutar:

Não se esconda, seja uma rainha, quer você seja quebrado ou um milionário

Se você for negro, branco, amarelo ou latino, se você for libanês ou oriental

Não importa se os obstáculos te afastaram, assediaram ou importunaram

Alegre-se e ame-se hoje, pois, baby, você nasceu assim

Não importa se você é gay, hétero ou bi, lésbica ou se é transexual

(Born This Way)

Futebol não é um meio onde gays são bem-vindos. Nem o nosso, nem o futebol americano. Nos estádios, "xingar" o adversário de "viado" (da forma mais pejorativa) é a coisa mais comum e aceitável, por mais que em outros ambientes a prática esteja começando a ser considerada condenável. Em times profissionais do Brasil, até hoje nenhum jogador de futebol saiu do armário publicamente. Nos EUA houve alguns casos tímidos, seguidos por muita retaliação, e a maioria deles quando o jogador já estava na aposentadoria.

Mas ontem, no meio do maior evento do ano de futebol americano, o campo pertenceu aos LGBTs. Durante 13 minutos, Lady Gaga tomou o palco e mostrou que ali não é lugar só de hétero. E por mais que diversas outras divas pop amadas pelos gays já tenham performado no famoso Half Time Show - como Janet Jackson, Beyoncé e Madonna -, nenhuma delas é tão vocal e envolvida com a causa LGBT como Lady Gaga é hoje.

Abertamente bissexual, Gaga tem diversos projetos de apoio a jovens LGBT, já apareceu no Grammy vestida Jo Calderone, sua persona masculina, de barba e tudo, fala sempre em apoio a crianças gays, lésbicas e trans e, em termos de fandom com identidade LGBT, talvez se compare apenas com Cher.

E mesmo em um momento mais introspectivo de sua carreira, com o álbum Joanne, Gaga visitou sua persona mais pop performando um mashup de seus hits, desde Just Dance, até A Million Reasons. Mas o momento mais forte da apresentação foi quando ela cantou as estrofes mais poderosas de Born This Way, um dos maiores hinos gays da história da música pop.

Tudo bem querer mais. Mas vamos combina, se entrar em um ambiente homofóbico, machista e racista, na frente de 100 milhões de pessoas, cantando que não importa sua cor, sua origem, seu gênero e sua sexualidade, você É LINDO E TEM VALOR, não for um ato político, eu não sei o que é.

Moana

Micheli Nunes
há 9 meses87 visualizações
Moana
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Moana é a quinta princesa não-branca da Disney - depois de Jasmine, Pocahontas, Mulan e Tiana -, é a primeira princesa da Polinésia, e é bem menos magra que todas as suas outras colegas da realeza Disney, com bracinhos e pernas de tamanho mais realista. Isso já conta vários pontos de representatividade. E representatividade importa MUITO.

Moana

Mas além da pele morena, cabelos cacheados e um corpo mais realista, Moana também quebra outras barreiras.

Desde criança, ela está destinada a ser a líder de sua tribo, rompendo uma enorme sucessão de homens, sem que seu gênero seja questionado em nenhum momento. O próprio pai de Moana explica que ela deverá fazer o ritual de colocar uma pedra no topo da montanha mais alta, elevando a ilha e seu povo, como fizeram o pai dele e o pai do pai dele. Ou seja, ela está praticamente quebrando o patriarcado!

Assim como Merida e Elsa, ela não tem nenhum interesse romântico, mas diferentemente do longa Valente, em que a protagonista entra em conflito com sua mãe para evitar um casamento arranjado, e Frozen, no qual o vilão tenta se casar com Anna para ter uma chance ao trono, o filme Moana em nenhum momento traz a questão do casamento na narrativa. O único objetivo da personagem principal é salvar seu povo e viver aventuras. 

Moana também fala sobre a importância de aprender coisas novas, repassar conhecimento e  respeitar sua história e seus ancestrais. A relação da garota com sua avó - uma das personagens mais maravilhosas do filme - é retratada com doçura e cumplicidade. É a avó, considerada por muitos como a "louca da vila", que incentiva o espírito aventureiro da neta.

E, respeitando a representatividade, a voz original de Moana é de uma atriz da própria Polinésia chamada Auli'i Cravalho. Isso não é exatamente novidade - uma atriz chinesa fez a voz de Mulan e uma atriz negra fez a voz de Tiana, por exemplo - mas vale mencionar, pois Auli'i é simplesmente IDÊNTICA à personagem:

Moana

É muito amor <3

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.