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Serena Williams ganhou o Australian Open GRÁVIDA e ainda tem que escutar bobagem

Micheli Nunes
há 5 meses457 visualizações
Serena Williams ganhou o Australian Open GRÁVIDA e ainda tem que escutar bobagem
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Uma das maiores figuras do esporte atual é uma mulher negra. E isso é um fato que algumas pessoas não parecem querer aceitar tranquilamente. Serena Williams é a tenista viva que mais tem títulos em simples, duplas e duplas mistas. Ela ganhou seu 23º Grand Slam - nome que se dá quando um tenista leva o primeiro lugar no Australian Open, em Roland Garros, em Wimbledon e no US Open no mesmo ano - em janeiro deste ano. E quando a atleta anunciou a gravidez em abril, no snapchat, as pessoas fizeram as contas e perceberam que ela já estava esperando seu bebê durante o Australian Open. 

Daí o festival de babaquice começou... 

Teve de tudo. Desde os clássicos comentários maldosos sobre seu corpo, que vão de pessoas dizendo que ela está muito gorda até acusações de dopping, e de que ela na verdade seria um homem. E não estamos falando apenas de pessoas idiotas da internet. A própria imprensa não se cansa de pegar no pé de Serena. A revista New Scientist chegou a alegar que a gravidez teria ajudado a atleta, como um tipo de doping legalizado! Oi???

Serena Williams ganhou o Australian Open GRÁVIDA e ainda tem que escutar bobagem

Isso sem mencionar as dezenas de insinuações da mídia ao redor do mundo, de que sua carreira teria - finalmente - chegado ao fim por causa da gravidez. Serena é a prova de que mulheres, e sobretudo mulheres negras, nunca deixam de ser questionadas e precisam se provar constantemente. Ela já ouviu de jornalistas que precisava sorrir mais, que tinha escolhido "ficar menos atraente" para ser uma atleta melhor, e, ano após ano, que sua carreira estaria chegando ao fim, apenas para ganhar campeonato depois de campeonato.

Serena supera tudo. Já enfrentou problemas graves de saúde - teve coágulos nos dois pulmões ao mesmo tempo - sofreu racismo dentro e fora da quadra, e continua se erguendo sobre tudo isso. E por isso ela merece ser celebrada dez vezes mais. Mas isso não é motivo para aceitarmos a maneira como as pessoas falam dela e de outras atletas. Sempre que alguém decidir criticar a forma física de uma esportista, ou o fato dela não ser extremamente simpática e sorridente o tempo todo, ou as roupas que elas usam, lembre-se de Serena, e não deixe passar.

Anne Hathaway fala sobre misoginia internalizada

Micheli Nunes
há 6 meses296 visualizações
Anne Hathaway fala sobre misoginia internalizada
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Em uma entrevista com Peter Travers, para o lançamento de seu novo filme, Colossal, Anne Hathaway contou que tinha o pé atrás com a diretora Lone Scherfig, com quem trabalhou no longa Um Dia, em 2011, simplesmente porque ela era uma mulher. "Eu me arrependo de não ter confiado nela com maior facilidade, e até hoje eu temo que não tenha confiado como confiava em outros diretores homens por que ela é uma mulher. É muito difícil de admitir, mas acredito que a tratei com misoginia internalizada", contou a atriz, que afirma não ter nenhum problema com Lone em outros aspectos: "Nós nos dávamos bem, não era um problema com profissionalismo ou com amizade. Eu gosto muito dela, era simplesmente algo me prendendo, e eu sinto muito por isso". 

Anne usou esse exemplo pessoal e bastante íntimo para endereçar um problema sério que enfrentamos no mercado de trabalho, a misoginia internalizada. Quantas vezes já não ouvimos, inclusive de mulheres, que elas não gostam de trabalhar com outras mulheres?  "Quando eu recebia esses roteiros feitos por mulheres, eu focava sempre no que estava errado neles, e quando eu recebia roteiros feitos por homens eu focava no que estava errado com eles", confessou Anne, que explicou que a mudança no seu comportamento precisa ser constante: "Eu não quero fazer mais isso. Depois que eu percebi essa misoginia internalizada, eu tento voluntariamente trabalhar com mulheres diretora". 

Anne, atribuiu ao machismo o fato de termos menos mulheres em papéis de liderança no mercado de trabalho: "Nunca tive problemas confiando e me submetendo a outras atrizes, mas quando a posição é de poder eu tinha essa desconfiança. Estou ficando vermelha só de falar isso, sinto como se estivesse fazendo uma confissão, mas acho que é uma coisa da qual precisamos falar. Talvez falar sobre esse assunto faça com que outras pessoas pensem nisso também" explicou a atriz.

Assista à entrevista completa abaixo:

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micheli.nunes
Micheli é jornalista especialista em cinema, e escreve sobre filmes, séries de TV, feminismo e cultura pop há 9 anos.