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SBT é processado por constranger mulheres

Micheli Nunes
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Micheli Nunes
SBT é processado por constranger mulheres

Imagem: Reprodução SBT

O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação civil pública contra o SBT e pediu uma multa de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, por conta de dois casos em que veicularam a humilhação de mulheres na TV. O mais recente foi o caso de Maísa Silva, em que Silvio a constrangeu em um programa o vivo. O segundo caso aconteceu em 2016, quando o apresentador Ratinho chutou violentamente uma caixa onde estava a assistente de palco Milene Uehara. 

No caso de Maísa, o próprio dono da emissora foi o agressor. No Programa do Silvio Santos, exibido junho deste ano, Silvo sugeriu que a atriz "namorasse" Dudu Camargo e insistiu que ela o beijasse na boca, o que ela se negou a fazer e criticou ferozmente. Maísa, que é uma adolescente de 15 anos, se manteve firme em não atender aos caprichos do octogenário e chegou a ser criticada por parte do público. Duas semanas depois  Silvio convidou novamente a atriz, que tem contrato com a emissora, e a colocou em uma nova situação de constrangimento, chamando Dudu Camargo ao palco. Maísa abandonou o estúdio aos prantos. Na época, colunistas afirmaram que uma produtora tentou proteger a adolescente e acabou sendo demitida.  

Segundo o documento emitido pelo MPT, Maisa "sofreu grave constrangimento diante da violação de sua privacidade, intimidade e honra, caracterizando lesão aos direitos da personalidade, mediante abuso do poder hierárquico e discriminação do gênero feminino pela forma de tratamento dispensada às profissionais". A ação pede uma "providência da empresa para que ajuste sua conduta e não mais permita, tolere ou submeta seus empregados a situações vexatórias, constrangedoras, ou qualquer conduta que implique desrespeito à pessoa humana, à vida privada, à honra, à intimidade e à imagem ou qualquer violência ou discriminação contra a mulher ou outro fator injusto de discriminação, garantindo-lhes tratamento respeitoso e digno."

No caso de Milene, o MPT argumenta no documento que Ratinho "desferiu forte chute numa caixa de papelão em que se encontrava Milene, atingindo a altura de sua nuca. A trabalhadora deu um grito e caiu sentada no chão, visivelmente assustada e possivelmente machucada. Em seguida, ela se retirou do palco constrangida sob sons de risos e chacotas, e o apresentador afirmou em tom debochado que ela era uma funcionária rebelde e providências seriam tomadas: ela iria 'pra rua'. O episódio mostrou a funcionária sofrendo agressão física, humilhação e lesão aos direitos da personalidade, mediante abuso do poder hierárquico e discriminação do gênero feminino pela forma de tratamento dispensada às profissionais". 

SBT é processado por constranger mulheres

Além das claras violações dos direitos dos trabalhadores, como uma emissora de sinal aberto que goza de concessão pública, o SBT tem diversas obrigações sociais e deveria dar um melhor exemplo de como funcionárias deveriam ser tratadas. A emissora não é a única no Brasil a demonstrar comportamentos misóginos, mas esses dois casos são tão emblemáticos que não podem ser ignorados pelos órgãos públicos: houve agressão física em um deles e constrangimento sexual de uma adolescente no outro. Que isso sirva de lição.