COMUNICAÇÃO

Villa Mix e as coisas que a gente finge que não acontecem

Micheli Nunes
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Micheli Nunes
Villa Mix e as coisas que a gente finge que não acontecem

Imagem: Reprodução/Instagram

A casa noturna Villa Mix, de São Paulo, foi condenada pela justiça a pagar uma indenização de R$ 60 mil a uma ex-funcionária por danos morais. A autora da ação, que é negra, revelou que a casa noturna a obrigava a restringir a entrada de outras pessoas negras, pois não se enquadravam no perfil de frequentadores pré-estabelecidos: gente branca, "bem arrumada" e com "aparência" de rica.

O estabelecimento postou um comunicado péssimo em suas redes sociais, dizendo que a notícia do processo havia sido "deturpada" pela mídia. Eles ainda afirmam, como se fosse alguma vantagem, que já foram investigados por racismo por diversos órgãos "especializados", que não teriam encontrado provas. 

Mas é duro engolir essa versão, já que o próprio processo conta com prints de uma conversa de grupo de funcionários da casa pelo  whatsapp, na qual o chefe da funcionária envia fotos de uma pessoa negra e questiona "quem liberou?". A conversa culminou na demissão da funcionária em questão no dia seguinte.

A Villa Mix jamais admitiria que comete discriminação racial, afinal isso é um crime, mas não é nada difícil acreditar na versão da funcionária. Uma simples olhadela no Instagram oficial da casa e já dá pra perceber que tipo de gente é bem-vinda no local: jovens brancos e dentro do padrãozinho.

Esse tipo de discriminação acontece por baixos dos panos com muita frequência, em centenas de empresas e estabelecimentos. E os que comentem essa discriminação já têm suas ferramentas para se defender de acusações: "códigos de vestimenta", "padrão de roupa" e "boa aparência". O que não faz o menor sentido prático. 

"Pedimos pra ela alisar o cabelo porque a empresa exige elegância". "Ele não entrou porque a vestimenta estava inadequada". "Escolhemos a outra moça porque ela tem o perfil da empresa". Todos subterfúgios capengas, mas mais "tragáveis" do que admitir a verdade feia que está por baixo: racismo.