GAME OF THRONES

10 aspectos da esquerda que estão presentes na série Game of Thrones

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Achou que a política só estava em House of Cards? Estava enganado, espertinho. As histórias do continente de Westeros são capazes de ensinar um pouco de ciência política, sobretudo pelo viés de esquerda.

10 aspectos da esquerda que estão presentes na série Game of Thrones

Repleta de dragões, mortos-vivos - os White Walkers que chegaram com o inverno no continente de Westeros - e outras referências da fantasia literária de George R. R. Martin, a série Game of Thrones da HBO tem muito pouco a ver com o mundo real, certo? Errado. A ficção baseada nas "Crônicas de Gelo e Fogo" tem preciosas lições de ciência política contemporânea.

E os personagens desenhados no seriado desde 2011 trazem muitas informações que pertencem às ideologias de esquerda. A saber, o esquerdismo surgiu na Revolução Francesa de 1789, como a via de pensamento mais popular, e prega o combate às desigualdades sociais.

Vamos verificar, então, 10 aspectos de esquerda que estão em Game of Thrones.

10 aspectos da esquerda que estão presentes na série Game of Thrones

1. Há o combate à escravidão. Tanto o socialismo (pela esquerda) quanto o capitalismo (pela direita) representam no mundo real a ruptura ao sistema feudal, que dividia a sociedade europeia em castas - clero, nobreza e população, sem a possibilidade de transição entre elas. Game of Thrones exemplifica este tipo de combate com Daenerys Targaryen, herdeira de uma linhagem de reis e dona de três dragões, liberta os escravos de Meereen, uma sociedade religiosa (eles são baseados na teocracia do Egito Antigo, com pirâmides). Dany promove uma verdadeira revolução, dando o poder de decisão aos escravos. Voluntariamente eles se tornam o exército dela, com ex-escravos como seus conselheiros e comandantes.

10 aspectos da esquerda que estão presentes na série Game of Thrones

2. Há diálogo em torno do bem comum. Desde o começo de GoT, há o temor com a chegada "do inverno". O lance é o seguinte: existe o mundo civilizado dos reinos em Westeros e existe A Muralha, que protege o mundo civilizado de seres mágicos fora dos seus limites. O inverno vai destruir esta barreira e os povos livres do outro lado da fronteira deixam de guerrear contra a Guarda da Noite. Por qual motivo? As guerras históricas são deixadas de lado a medida que os White Walkers surgem para dizimar a humanidade. Em nome da sobrevivência, há o diálogo em torno do bem comum, um conceito tradicional do socialismo.

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3. Há conflitos de classes. Os personagens em GoT são divididos em famílias: os Targaryen eram os antigos monarcas e dominavam com os dragões, quase que representando o feudalismo autoritário, enquanto os Lannisters são a família dona das minas de ouro, sendo portanto o poder econômico. Os que possuem menos posses brigam com demais classes sociais, especialmente depois que a Revolta de Robert Baratheon fez as famílias menos abastadas do norte de Westeros tomarem posse do Trono de Ferro que domina os sete reinos. Existe também a crise econômica que surge com a queda de extração de outro nas minas de generais, como Tywin Lannister.

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4. Há a quebra do tradicionalismo conservador. Religiões antigas são destruídas pelos personagens de Game of Thrones, incinerando igrejas e sacerdotes. Ao mesmo tempo, rainhas como Daenerys criam novas mitologias ao redor de seus dragões mágicos. No entanto, há uma essência anti-idolatria religiosa dentro da ideologia de esquerda. Ela é mais cética à respeito da fé, tradicionalmente dizendo - embora existam correntes católicas e protestantes de esquerdismo, como a Teologia da Salvação no Brasil (fortemente vinculada ao PT).

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5. Há sacrifícios em torno de causas. As mortes políticas em Game of Thrones começam na família Stark e não param durante o seriado todo. No entanto, os ideais dos patriarcas são passados aos descendentes, que brigam por uma sociedade melhor do que a antiga, um conceito tipicamente esquerdista.

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6. O poder feminino é realçado no seriado. Sansa Stark, Cersei Lannister e a própria Daenerys Targaryen mostram que as mulheres podem ser rainhas. O feminismo é uma bandeira moderna e clara da esquerda e de quem vê política pelo viés progressista.

10 aspectos da esquerda que estão presentes na série Game of Thrones

7. A dureza dos escravos, dos pobres e dos desfavorecidos existe em Westeros. E esta narrativa aparece forte na vida de Arya Stark, a filha guerreira de Ned Stark. Embora ela seja uma nobre, ela opta por viver na margem da sociedade para vingar sua família, disfarçada como menino e vendo a desigualdade social de Game of Thrones, um problema que é encarado pela esquerda.

10 aspectos da esquerda que estão presentes na série Game of Thrones

8. O autoritarismo e a defesa violenta do regime gera revoluções. Aerys II Targaryen ficou insano para manter a sua linhagem real obtida a partir de incestos. Tornou-se o "Rei Louco" de Game of Thrones, capaz de queimar sua própria população. Terminou morto por seu braço direito no trono e provocou uma revolução em Westeros, acabando com a paz entre as famílias e colocando Robert no poder.

10 aspectos da esquerda que estão presentes na série Game of Thrones

9. As guerras podem ser evitadas pela negociação política. Este é outro viés esquerdista, mais moderado no seriado, que acredita nas reformas do sistema econômico-político. É uma tendência que evita a revolução, um movimento mais radicalizado que acaba inevitavelmente no conflito direto.

10. A visão do desfavorecido é levada em conta. Game of Thrones não é uma narrativa do "bem contra o mal".  Sua história política de reis e plebeus traz a visão de desfavorecidos socialmente como o anão Tyrion Lannister, que vive uma vida à margem da família real e se apaixona por prostitutas, sem estabelecer vínculos tradicionais. A visão em tons de cinza da vida humana, mostrando personagens nas suas virtudes e falhas, é uma visão da esquerda tradicional, que enxerga o bem real apenas nas causas sociais igualitárias.