POLÍTICA

10 fatos que mostram que House of Cards pode ensinar política real

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

O seriado da Netflix pode te ajudar a entender a atual situação do Brasil. E ensina política num geral.

10 fatos que mostram que House of Cards pode ensinar política real

[O TEXTO CONTÉM SPOILERS DA QUINTA TEMPORADA DE HOUSE OF CARDS, ALÉM DAS DEMAIS. SE NÃO QUISER SABER DETALHES, NÃO LEIA]

Dividida em cinco temporadas, House of Cards é definitivamente a minha série favorita no sistema de streaming Netflix. Os últimos capítulos lidam com as eleições do casal Frank e Claire Underwood no ano de 2016, a relação com o poder do Congresso, a corrupção privada e o projeto de terem governos em 2020, 2024... perpetuamente.

A trama se desenvolve o suficiente para transformar inclusive Frank e Claire em potenciais antagonistas dentro do clã Underwood - fortemente inspirado no casal Hillary e Bill Clinton no Partido Democrata, embora ele tenha trejeitos de político republicano que é mais conservador.

10 fatos que mostram que House of Cards pode ensinar política real

Listamos aqui, então, 10 itens que mostram que House of Cards pode ensinar política de verdade. Não vamos especificar de qual temporada tiramos as informações. Vá à Netflix e prestigie o seriado.

1 - Embora democracias tenham poderes geralmente rachados entre Judiciário (juízes, Ministério Público e magistrados), Executivo (presidentes, governadores e prefeitos) e Legislativo (deputados e senadores), é na compra e venda de votos que se definem a esfera de poder de um governo, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil e outros regimes políticos. Em todas as temporadas, Frank Underwood enfrenta congressistas para aprovar reformas que ora prejudicam a população, ora eliminam seus adversários políticos da disputa. E ele diz, nitidamente, que o povo não sabe o que quer. Muitos políticos pensam desta forma.

2 - Presidentes da República podem "matar" para se manter no poder. Frank faz isso literalmente em alguns casos, enquanto em outros ele destrói a reputação de adversários na imprensa ou em outros espaços públicos. No Brasil, existem histórias de políticos que mataram para se manter politicamente, como é o caso Arnon de Mello (pai de Fernando Collor). Ele assassinou um colega em plena tribuna no mês de dezembro de 1963.

3 - A imprensa é utilizada para plantar informações políticas. A relação entre Zoe Barnes e Frank Underwood evidencia isso, bem como outros jornalistas no seriado.

4 - O verdadeiro poder político é privado, explorando o público. Para os entusiastas das privatizações, más notícias: House of Cards ensina que as empresas mandam na lógica dos políticos. Frank em determinado momento acha prudente renunciar ao poder presidencial para recorrer a aliados privados. Mesmo em economias altamente estatais, são os interesses de poucos empreendedores e dos donos dos meios de produção que dominam como uma verdadeira "casta".

5 - Guerra é uma boa ferramenta de marketing. Frank Underwood imita Margaret Thatcher e George W. Bush: se o governo estiver ruim, provoque um conflito armado e saia como herói da história.

6 - A verdadeira política é feita pelo "baixo clero". Doug Stamper é fiel a Frank e Claire e faz de tudo para mantê-los no governo, a ponto de sacrificar o seu próprio pescoço. E ele é apenas assessor parlamentar.

7 - O machismo domina a política. Isso provoca atritos no casal Claire e Frank, principalmente porque ela botou em suspenso qualquer interesse amoroso pela disputa de poder do casal.

8 - Políticos não se importam com corrupção e moralidade. A menos que isso pegue mal para eles em público, diante da imprensa, por exemplo. Frank Underwood só toma medidas quando vê a opinião pública contra ele, assim como muitos congressistas e presidentes brasileiros.

9 - Democracia é um sistema facilmente fraudável. As eleições na série, baseadas no colégio eleitoral norte-americano, evidenciam a fragilidade das relações de poder na eleição de um novo governante.

10 - Nenhum inimigo é pior do que um amigo. Alianças se fazem e se desfazem em House of Cards, na base de muita traição. Assim como é no seriado, a vida política brasileira e internacional funciona da mesma forma.