POLÍTICA

A condução de Eduardo Guimarães à Polícia Federal dá feições ditatoriais a Moro

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Sobre a condução coercitiva dada ao blogueiro de esquerda Eduardo Guimarães.

A condução de Eduardo Guimarães à Polícia Federal dá feições ditatoriais a Moro

Figura conhecida no jornalismo de política, Carlos Eduardo Cairo Guimarães é advogado de formação, empresário e produtor de conteúdo. Comentava em sites jornalísticos e em artigos de autores como Reinaldo Azevedo e Eliane Cantanhêde. Abertamente de esquerda, filiou-se ao PCdoB e passou a produzir para um site chamado Blog da Cidadania em 2007.

Nas coletivas de imprensa, é conhecido por fazer grandes perguntas com um tom quase de discurso e nunca escondeu a sua visão favorável aos governos do PT.

Com isso, Eduardo Guimarães cultivou boas relações nos governos Lula e Dilma, transformou seu veículo num trabalho e tornou-se colunista do site Brasil247. Fez sim textos críticos a Operação Lava Jato, chegando a chamar o juiz Sérgio Moro de "psicopata" num post de Twitter. Isso lhe rendeu um pedido de explicações na Polícia Federal.

O que aconteceu no dia 21 de março de 2017 excedeu ainda mais os limites democráticos da atuação de Moro dentro do noticiário político.

Às seis da manhã, oficiais da PF foram até a casa de Eduardo Guimarães apreender equipamentos eletrônicos e documentos. A intenção: Saber qual foi a fonte do blogueiro político na época da condução coercitiva do ex-presidente Lula, em março de 2016. A Justiça do Paraná, representada por Moro, defendeu essa tese. O Ministério Público, que compõe a Força-Tarefa da Lava Jato, defendeu outra tese de que Eduardo Guimarães teria informado Lula de um possível pedido de prisão, interferindo nas investigações. Os dados foram dados em primeira mão pela jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

Eduardo teve seu celular e o da esposa apreendidos, junto com um notebook. E ficou incomunicável com seu advogado. Condução coercitiva, para quem não sabe o que é, corresponde a uma prisão preventiva por algumas horas, para prestar esclarecimentos.

É uma medida que só deve ser aplicada a depoentes que se recusam a comparecer em audiência. Eduardo Guimarães compareceu quando chamado.

Entrevistei seu advogado, Fernando Hideo Lacerda, um dia depois da condução. No mesmo dia, o blog de direita Antagonista noticiou freneticamente que Eduardo Guimarães tentou intervir nas investigações. Foram pautados por Moro?

"A defesa repudia qualquer tipo de vazamento por parte dos órgãos oficiais, que devem zelar pelo sigilo das investigações conforme a legislação processual penal. Lamentamos o fato de se pretender apurar um suposto vazamento mediante uma investigação que sofre de outros tantos vazamentos. Preocupa-nos, nesse contexto, o fato do magistrado se achar no direito de definir quem é ou não jornalista de acordo com seu juízo discricionário. Por um lado, não considera o Eduardo jornalista alegando que seu blog serviria para 'propaganda política', de outra parte, a realidade mostra que blogs e comentaristas políticos alinhados ideologicamente com os fins perseguidos pelas operações gozam de vazamentos privilegiados", disse o advogado.

O juiz Moro estranhamente agora penetra no terreno da divulgação de informações para "ampliar suas investigações". Qual objetivo? Prender Lula? Por que somente Lula?

Não há envolvimento do PSDB ou do PMDB no Petrolão?

Outros blogueiros de diferentes matizes políticas serão investigados como está sendo Eduardo Guimarães?

Tenho críticas profissionais a Eduardo. Considero-o uma pessoa bem intencionada, mas seu site reflete apenas suas opiniões e as informações que ele apreende. Mesmo assim, gostando do que ele publica ou não, ele é um jornalista e um produtor de conteúdo. E informações políticas da natureza que ele divulga merecem o devido sigilo, com o consequente respeito do judiciário.

Aos que comemoram a condução coercitiva: E se isso acontecer com vocês? Vale?

A Justiça de Moro ganha feições ditatoriais. 

Teremos perseguições a jornalistas novamente no Brasil? 

Perguntar não ofende.