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A direita pode construir a candidatura Alckmin se destruir Bolsonaro e Doria

Pedro Zambarda de Araújo
Autor
Pedro Zambarda de Araújo

Sem candidato, a vertente política que triunfou no impeachment de Dilma Rousseff segue fora de referências. Por qual motivo Doria traiu Alckmin? E como Bolsonaro amedronta ambos? O fato é que, pelos atuais movimentos da mídia, vale mais a pena "ressuscitar o picolé de chuchu".

A direita pode construir a candidatura Alckmin se destruir Bolsonaro e Doria

O instituto Datafolha publicou que a aprovação de João Doria Jr. caiu de 41% para 32%. Na mesma semana, uma reportagem da jornalista Ana Clara Costa na revista Veja exibe Jair Messias Bolsonaro como uma "ameaça" ao regime democrático brasileiro na esfera da direita. Sendo a grande mídia conservadora e antipetista, ela aparentemente mudou seus respectivos alvos depois do impeachment de Dilma Rousseff.

Para construir a candidatura presidencial de Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho (sim, este é o nome completo dele), a direita política aparentemente resolveu demolir Doria e Bolsonaro. Até o guru deles, Fernando Henrique Cardoso, teceu críticas sobre os posicionamentos dos conservadores depois da queda do PT no governo federal.

A questão é que existem claros riscos ao se decidir erguer um nome para o maior cargo político da República a partir de ruínas. Boa parte da população brasileira não possui uma educação politizada desenvolvida e muitos não entendem os grandes conglomerados ideológicos que dominam o debate.

A direita pensante do Brasil, por outro lado, está sendo oportunista. Depois da eleição do extremista direitista Donald Trump em 2016, o jornal Folha de S.Paulo destacou em julho que as ideias de esquerda voltaram a crescer nas pesquisas. A mesma publicação apontou em setembro que as ideias de centro também expandiram. O PT tem mais aprovação da população do que o PSDB ou o PMDB, segundo levantamentos encomendados pelo DEM do deputado Rodrigo Maia, o presidente da Câmara.

Além dos números, é necessário entender quem é Alckmin.

Forte no interior, fraco na disputa da Presidência

É a vez do governador de São Paulo para disputar o maior cargo. Geraldo Alckmin coleciona alguns sucessos e um fracasso. Prefeito mais jovem de Pindamonhangaba, o tucano assumiu o cargo aos 22 anos e em 1986 já tinha conseguido chegar ao cargo de deputado com quase 100 mil votos.

No governo de São Paulo, chegou em 12 milhões de votos e apelido "picolé de chuchu" dado pelo jornalista José Simão pegou. Nas eleições presidenciais de 2006, Alckmin conseguiu 37,6 milhões de votos. O desempenho mais fraco comparado com a vitória de Lula, já afetado pelo Mensalão, reabilitou José Serra como candidato em 2010.

Serra seria afogado por Dilma. Depois, Aécio Neves se deterioraria na Lava Jato depois de derrubar Dilma Rousseff. Em ambos os acasos, Alckmin acompanhou tudo como espectador.

Fez isso porque saberia que teria outra chance em 2018. E eis que surgiu João Doria Jr.

Alpinista social, forte no "discurso empreendedor", Doria chegou na prefeitura de São Paulo com três milhões de votos e a mão forte de Geraldo Alckmin e do interior paulista. Com a cadeira nas mãos, João Doria quis mais. Passou a fazer viagens internacionais e nacionais, se defendendo como uma alternativa presidencial do PSDB. Em resumo, Doria traiu Alckmin.

Agora João Doria Jr. derrete nas pesquisas por sua prepotência pública. E Geraldo Alckmin se reconstrói surfando na imprensa.

Será que é o necessário?

Efeito Macron

Numa Europa tomada pela xenofobia, ameaças do Estado Islâmico e o retorno da extrema-direita incluindo correntes do neonazismo, a França elegeu Emmanuel Macron presidente em maio de 2017. Apesar de ser um neoliberal nato, como bem aponta seus críticos à esquerda, Macron tem um senso global que se contrapõe ao estilo reacionário de Trump e de outros extremistas políticos.

O político francês parecia ser uma inspiração para Doria. Mas, tomado pelo antipetismo, ele não parece um bom receptor de uma estratégia política mais centrista. No entanto, Alckmin tem um perfil mais discreto.

Embora tenha ordenado aos seus subordinados que a Polícia Militar batesse em estudantes na USP, esteja citado na Lava Jato e tenha provocado a crise hídrica da Sabesp, Geraldo Alckmin parece querer se reconstruir para o ano que vem. E está contando com a mídia para isso.

A direita quer um "novo Macron" em Alckmin? Fica a pergunta, entre os escombros da ideologia supostamente liberal.