POLÍTICA

A importância da inclusão de minorias e mulheres no turismo

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Sobre uma coletiva de imprensa com um vice-presidente de uma rede mundial de hotéis.

A importância da inclusão de minorias e mulheres no turismo

Numa discreta coletiva de imprensa na manhã de terça-feira, 14 de março, o executivo indiano Apoorva Gandhi falou sobre o programa de inclusão global da rede de hotéis Marriott International. O bate-papo ocorreu dentro do Renaissance, da mesma rede, próximo da Avenida Paulista.

Gandhi ressaltou as premiações e certificações de sua empresa, incluindo LGBTQ Business Equality Excellence Award e 2017 Top Companyfor Executive Women. Ressaltou que a rede está listada Human Rights Campaign’s e é um dos locais mais acolhedores para latinos e africanos trabalhares.

"Temos mais de 10 mulheres em posições de gestão dentro de toda a rede hoteleira. Sozinhas, elas movimentam mais de US$ 100 milhões entre todas as nossas fontes de lucro", ressaltou.

Parte do discurso que ele fez foi em português. Diz ele que fez isso por respeitar a cultura local. E ele afirma que sua empresa faz o mesmo com minorias justamente por se colocar no lugar do cliente. "Não iríamos entrar numa auditoria do Human Rights se não fosse para atender às demandas do público LGBT e da diversidade cultural que entram em nossos hotéis. Atendemos bem justamente para criar uma boa reputação".

A importância da inclusão de minorias e mulheres no turismo

Na rodada de perguntas, este que vos escreve puxou uma questão mais política. Questionei o que a rede Marriott vai fazer com o caso da expulsão de imigrantes árabes e islâmicos nos Estados Unidos governado por Donald Trump.

"Todos são bem-vindos ao nosso hotel. Queremos respeitar o amor e a particularidade das pessoas. Não fazemos julgamento moral de quem oferecemos nossos serviços e nos colocamos no lugar destas pessoas. O objetivo do turismo deveria fazer as pessoas viajarem mais, conhecerem melhor partes do mundo que elas desconhecem".

A resposta dele em momento nenhum mencionava a palavra Donald Trump, mas já dava o exato posicionamento da sua empresa em relação às barreiras imigratórias impostas pelo novo presidente.

O discurso de Apoorva Gandhi de fato era bastante inclusivo e fundamentado em bases globais dos direitos humanos.

No entanto, ele é vice-presidente de um conglomerado de hotéis que teve, só em 2013, um lucro de US$ 676 milhões, 12% maior do que os US$ 475 mi de um ano antes. Só no primeiro trimestre do ano passado, o lucro líquido foi de US$ 226 milhões.

Trata-se, portanto, de uma rede hoteleira de luxo voltada para consumidores específicos. Classe A para cima.

Portanto, no turismo num geral, ainda há muito preconceito com mulheres e minorias, como os gays. 

Uma rede profissional em padrões internacionais LGBT é artigo de luxo, ainda.