POLÍTICA

A importância da tal "narrativa do golpe" nas eleições de 2018

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

2018 está aí. Lula virtualmente é o candidato - a menos que seja preso pela Lava Jato. Jair Bolsonaro já é virtualmente o candidato das direitas. Aécio Neves parece liquidado. Geraldo Alckmin parece ser a última esperança do PSDB. Em meio a tantas especulações, onde entra a questão do golpe contra Dilma?

A importância da tal "narrativa do golpe" nas eleições de 2018

Fui convidado na Semana de Jornalismo da Cásper Líbero, em 2016, para falar sobre impeachment e golpe. Na palestra, dividi falas com João Gabriel de Lima (diretor de redação da revista Época), Rose Nogueira (ex-TV Brasil e TV Globo) e o advogado Márcio Cammarosano. O debate foi civilizado e não houve grande bate-boca.

Foi bom para os alunos e calouros que nos assistiam.

Lembro da minha fala: "Não falo que é um golpe de uma maneira ideológica. Analisando o processo de impeachment de Dilma Rousseff com certo distanciamento, e sem defender a presidente, nota-se fatos estranhos na Operação Lava Jato. Posso começar falando sobre a investigação centrada em Curitiba e a publicidade excessiva com as prisões de políticos do PT. Ao apurar as denúncias do Rio de Janeiro e sobretudo as acusações envolvendo Eduardo Cunha, a população vai perceber a real culpa do PMDB na corrupção da Petrobras".

Não sou vidente, não acho a esquerda imune a críticas e nem acredito que minha análise seja imune a erros. Dito e feito, seis meses depois de tomar posse definitiva e um ano após a presidência interina, Michel Temer está imerso em escândalos de corrupção. Nas minhas análises pessoais e em reportagens publicadas, eu errei apenas na questão envolvendo Cunha. Dada a sua blindagem no Congresso, eu duvidei que ele fosse preso ou achei que isso só aconteceria após o encarceramento de figuras como Romero Jucá e Wellington Moreira Franco.

Cunha foi preso - mas ainda opera encarcerado.

Por diferentes elementos, é possível afirmar com segurança que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe parlamentar para barrar investigações da Lava Jato, "estancando a sangria" no PT. Na época, o jornalista João Gabriel de Lima disse que a operação era uma "força impossível de se parar". Hoje, eu sinceramente tenho dúvidas.

Frequentemente as figuras da direita debocharam do golpismo de Temer e do PMDB. Chamavam o discurso de "narrativa do golpe da esquerda". Queriam emplacar a ideia que o impeachment aconteceu numa absoluta ordem democrática.

Dilma não foi uma simples "vítima" do processo, mas é fácil averiguar que sua participação na corrupção da Petrobras era, no mínimo, limitada.

Por esta razão, há uma função específica de se dizer que o impeachment foi golpe nas eleições de 2018.

Muito se fala de Lula como candidato do PT, ou Jair Bolsonaro como um representante da direita para a presidência.

Esqueça por um momento a presidência da República.

Vamos eleger um governador do estado e deputados estaduais e federais. São três cargos fundamentais que envolvem os Poderes Executivo e Legislativo.

Ao que tudo indica, foi o Poder Legislativo que deu o golpe para tentar barrar a Lava Jato.

Na hora de votar na urna, relembre os deputados golpistas que depuseram Dilma para continuar roubando dinheiro público. Muitos deles são do PMDB.

Muitos votaram "em nome da minha filha". E um do PP votou em nome do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

A tal da "narrativa do golpe" é a única possível para sanear o país de maneira honesta através do voto.