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Aécio tira liderança de Tasso no PSDB; qual é o xadrez tucano hoje?

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O partido, implodido por acusações de corrupção, ainda tem no ex-presidenciável uma força que racha parcerias. Aécio Neves prova que ainda têm influência. Sua força vem de Michel Temer?

Aécio tira liderança de Tasso no PSDB; qual é o xadrez tucano hoje?

(Foto: Jonas Pereira/Agência Senado/Fotos Públicas)

Uma nova confusão envolvendo a liderança do PSDB mostra que os rachas da legenda vão muito além da briga entre mestre e discípulo envolvendo Doria e Alckmin. Um ex-presidenciável e apoiador do impeachment de Dilma Rousseff prova que ainda tem força política.

Aécio Neves destituiu Tasso Jereissati da presidência do PSDB, informa a Folha de S.Paulo neste dia 9 de novembro. A decisão ocorreu depois de Aécio propor que Tasso deixasse a liderança. O tucano histórico respondeu ao senador mineiro que só sairia se fosse destituído por ele. O argumento de Aécio Neves para tirar Tasso era de que ele tiraria a "isonomia" do processo de eleição da liderança do partido que ocorrerá no final de 2017.

O senador Tasso Jereissati concorre com o governador de Goiás, Marconi Perillo, favorito de Aécio. Citado pelo delator Joesley Batista pedindo uma propina de R$ 2 milhões por telefone e ameaçando matar seu primo Fred, Aécio Neves entrou na sua pior crise política e pública graças à Operação Lava Jato. Anteriormente, ele esteve envolvido em acusações de tráfico de drogas de seu aliado Zezé Perrella, hoje senador pelo PMDB. Um helicóptero da família Perrella foi apreendido com meia tonelada de pasta base de cocaína.

Aécio destituiu Tasso e indicou Alberto Goldman para a vaga. Segundo a Folha, Aécio Neves foi pessoalmente comunicar a retirada de liderança numa conversa "em tom ríspido". A reação de apoiadores de Tasso Jereissati foi imediata nos bastidores, acusando Aécio de ter apoio do presidente Michel Temer para mudar a liderança do PSDB.

Goldman diz que está tranquilo com a decisão e que fará com que a disputa ocorra com a isonomia defendida por Aécio. O ex-governador de São Paulo deve assumir o posto até o dia 9 de dezembro deste ano.

O xadrez dos tucanos

Tasso Jereissati é de uma ala do PSDB que quer fazer uma autocrítica sobre a atual situação do tucanato. Desde a queda da ex-presidente Dilma Rousseff, este grupo acusa a legenda de fazer alianças corruptas com o governo Temer.

A preocupação do grupo de Tasso é sair da situação para fortalecer uma candidatura presidencial que fale tanto com a direita quanto com o centro e com setores de uma esquerda menos "ortodoxa". Por isso, embora não sejam diretamente ligados, a ala apoia claramente Geraldo Alckmin.

Alberto Goldman é do grupo de José Serra. No passado, ele rivalizou com Alckmin, mas hoje o ex-governador o enxerga como a única alternativa viável para a presidência em 2018, sobretudo no discurso. E Goldman tem desavenças pessoais com João Doria Jr.: Deuzeni, sua esposa, falou para a imprensa que Bia, a mulher do prefeito, “jogou em sua cara” um carro Kia que ela ganhou num sorteio do LIDE em 2004. 

Deuzeni Goldman diz que não ganhou nada demais de Bia Doria e a chamou de "sem educação". As ofensas trocadas na mídia envolvem o LIDE, grupo de encontros de empresários que foi liderado por João Doria antes da prefeitura.

Apesar de ter tentado a presidência em 2002 e em 2010, Serra parece conformado para disputar o governo de São Paulo no ano que vem, sem atrapalhar as pretensões de Alckmin. Já o grupo de Aécio Neves foi o que mobilizou o PSDB em torno da pauta do impeachment de Dilma.

Justamente este grupo caiu em desgraça com as delações premiadas de Joesley e da JBS, que envolveram nomes tucanos, do PMDB e até do presidente Temer. O governo mobiliza o Congresso sempre para se blindar das denúncias.

É a partir do poder de deputados e senadores que Aécio ainda tem força política para decidir os rumos do PSDB. Justamente ele, o tucano que mais está na mira da Lava Jato.